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Viva o 1º de Dezembro Restauração de Portugal

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Monumento na Praça dos Restauradores, Lisboa, que comemora a libertação do domínio espanhol em 1 Dezembro 1640


A memória da nação


O grande factor de estabilidade ou instabilidade política no século XXI é a correspondência Estado e Nação. Os Estados plurinacionais e os Estados sem nação são instáveis ou têm todas as condições para o ser. Os Estados nacionais em que ao Estado corresponde a nação são estáveis.

Quando a Europa se divide entre estados ricos e estados pobres, quando a Espanha tem de enfrentar os riscos da secessão catalã, com os partidos independentistas – ciu e erc – maioritários, isto é ainda mais verdade.

Portugal é uma nação antiga, unida, identitária. tem uma língua, uma literatura e uma história grandes e fortes. No último quartel do século XX sofreu uma transformação radical na sua constituição geográfica e humana mas tem-lhe sobrevivido. até ver.

A independência do reino de portugal, em 1143, significou uma separação dinástica em relação a leão e Castela. Com a conquista de Lisboa, tal independência ganhou substância territorial. Em 1173, a santa sé, o poder espiritual da sociedade internacional do tempo, reconheceu esta independência.
Dois séculos depois, na crise dinástica depois da morte de d. frenando, foi a vez das classes do reino – clero, nobreza e povo – afirmarem uma crescente consciência nacional ao recusarem um ‘rei estrangeiro’. E nos dois séculos seguintes as conquistas e navegações em dois hemisférios consolidaram o estado nacional português.

Outra crise dinástica – em que o pretendente estrangeiro liderava a potência mundial da época – levou à perda da independência. alguns jurisconsultos políticos, gostam de dizer – e até talvez tenham razão – que era uma monarquia dual, que portugal e os portugueses mantinham identidade e governo próprios, que só o rei espanhol era comum. Nesse sentido, os estados europeus ocupados por Hitler também mantiveram a independência apesar dos Gauleiters ou de um governo de ocupação e de tutela militar…

Aqui também, na monarquia dual, o vice-rei ou governador e os altos funcionários eram estrangeiros oriundos do império espanhol, os nossos soldados e os nossos impostos lutavam e pagavam as guerras de Espanha, os nossos navios comerciais eram saqueados e roubados pelos muitos inimigos das áustrias e pelos piratas.

Em 1640, no dia 1 de Dezembro, 40 notáveis portugueses deram um bem sucedido golpe de mão, libertando-nos do governo da duquesa de Mântua e do secretário Miguel de Vasconcelos. a conjuntura internacional favoreceu-nos, a peninsular, ainda mais. Madrid teve que combater não só na guerra dos 30 anos, como também rebeliões na Andaluzia e na Catalunha. quando se voltou contra nós, era tarde.

Isto faz com que o 1.º de Dezembro seja o dia da refundação da pátria e que os que arriscaram a vida e venceram nessa data, tivessem reconquistado para nós a liberdade da nação.

Quem não percebeu nem percebe isto, só demonstra ignorância, insensibilidade, fraco senso e pouco gosto. Não percebe a importância dos mitos e ritos fundacionais na política. É duvidoso que tenha competência para perceber outras coisas, mais ou menos importantes.
4 de Dezembro, 2012 por Jaime Nogueira Pinto - Semanário SOL.

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  1. Pedro Santos da Cunha01 dezembro, 2013 09:17

    Obrigado Jaime!Seremos poucos a perceber o óbvio mas seremos Portugueses para sempre.Assim o consigamos transmitir aos nossos netos como os nossos Pais fizeram connosco.Um Grande Abraço.Pedro

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