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A Confeitaria Serrana no Porto

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Há algum tempo um amigo meu tinha-me falado numa pastelaria, situada perto da estação de comboios de S. Bento, que eu devia visitar. Por coincidência, na minha agenda tinha já escrito para visitar, na próxima ida ao Porto, a Confeitaria Serrana, na rua do Loureiro, 52.

Era precisamente o mesmo local e, apesar de já ser sobejamente conhecida dos portuenses, quero falar nela por várias razões. Em primeiro lugar é demasiado bela para ficar ignorada pelas pessoas que visitam a cidade do Porto e que a desconhecem, como era o meu caso até ontem. 

Em segundo lugar, presentemente está à sua frente uma delicada proprietária, a Srª Dª Mónica Oliveira, que me recebeu com um sorriso e me agradeceu a visita o que, podem estranhar, não é tão frequente como isso nas minhas peregrinações. Pôs à minha disposição as informações que tinha conseguido e deixou-me fotografar à vontade.

Vê-se que tem orgulho na firma e na casa que o seu pai tomou posse e que existe como empresa com o nome Daniel, Albuquerque & Cª, Lda, desde 1953 e com a designação de Confeitaria Serrana, que mantiveram e da qual procura saber mais elementos.

Mantém como principal actividade a venda de bolos e pastéis e o seu produto mais característico são as gigantes bolas de Berlim, achatadas e cobertas com açúcar em pó.



O exterior do edifício, que se sabe ser anterior ao século XIX não nos faz prever o que vamos encontrar no interior. Segundo registos camarários o imóvel sofreu obras de beneficiação em 1869, quando era seu proprietário Francisco José Carvalho, que lhe adicionou mais um andar e aumentou as janelas. Mas as alterações fundamentais tiveram lugar em 1911, e destinaram-se a transformar o espaço numa luxuosa ourivesaria.

Foi o seu proprietário José Pinto da Cunha quem realizou o pedido da obras mas seria o seu sobrinho Alfredo Pinto da Cunha, filho de António Pinto da Cunha e Margarida Augusta Ribeiro de Sousa, nascido na Lousada em 20 de Fevereiro de 1884, que tomaria a responsabilidade da casa e que se tornaria num dos principais negociantes do ramo na cidade do Porto.
Em 1914 transferiu-se para uma nova Ourivesaria Cunha na rua 31 de Janeiro, que mais tarde viria a ser a Machado Joalheiros. Em comum, ambos os estabelecimentos têm características Art Nouveau e foram o resultado da acção conjunta de dois irmãos Francisco de Oliveira Ferreira (1884-1957), como arquitecto, e de José de Oliveira Ferreira (1883-1942) como escultor.


Francisco de Oliveira Ferreira, para além destes projectos, foi responsável por várias obras importantes no Porto, como o Café A Brasileira, a Fábrica de Cerâmica das Devesas e, mais tarde, a Ourivesaria Aliança, no Chiado, em Lisboa, entre outras. A ele se deve também o jazigo de Alfredo Pinto da Cunha.

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