Posts do momento

Quem suspendeu Sarah West?

2 2

HMS Portland

Antes de mais, imagino que queiram saber quem é Sarah West. É a primeira mulher a comandar um grande navio de guerra da Royal Navy. Depois, imagino que queiram saber por que foi a Sarah suspensa. Pois bem, envolveu-se amorosa e sexualmente com o seu subalterno o tenente Richard Gray, de 35 anos. Sarah tem 42.

Os dois, com a ajuda de 183 marinheiros, encostaram o HMS Portland nas Caraíbas, onde estavam numa missão de combate ao narcotráfico, e voaram para o Reino Unido, já suspensos de todas as funções na Marinha.





Mas quem é que suspendeu Sarah West? Para o Richard estamo-nos nas tintas, porque o Richard é um rapaz novo e não tarda está a comandar navios na Maesrk.
Ora bem, eu não quero imaginar se os camarotes dos navios da Royal Navy falassem. E quem diz os camarotes, diz a ponte, os corredores, a sala das armas, dos mísseis, dos motores, a cantina, o refeitório e seguramente até a instável âncora deve ter visto o que não queria. Então e vão entalar desta maneira Sarah West?

Na Europa, em 2014, ainda se apedrejam mulheres tal como acontece naqueles países esquisitos. Não se apedreja literalmente – ao menos isso – mas expõe-se a sua vida privada nas capas dos jornais, fazendo da comandante prostituta, porque só uma prostituta deve ser expulsa de um navio por  se enrolar com um marinheiro.

Quantos oficiais da Royal Navy não se amaram uns aos outros como a eles mesmos nesses tormentosos mares? E quantos foram exibidos na praça pública como a Sarah West? É apedrejamento, sim. É uma total falta de respeito por esta mulher e por todas.

Suspenda-se quem suspendeu Sarah West, porque de um envolvimento inofensivo – e até feliz – acabou por se destruir a imagem das mulheres na Marinha.
Em que é que a segurança nacional dos britânicos foi afectada quando Sarah West se apaixonou ou simplesmente interessou pelo tenente Richard Gray? Mais perigoso é um homem ou uma mulher privados das suas mais elementares necessidades. Esses sim podem largar mísseis sem querer. Esses sim, porque não fazem o amor, estão sempre disponíveis para fazer a guerra.

À Royal Navy devia interessar o que os seus comandantes fazem no comando e o que faz quem por eles recebe o poder delegado quando eles vão dormir, ou não. À Royal Navy não devia interessar, como nunca interessou, o que os comandantes dos navios fazem no camarote ou em cima das cartas náuticas.Shame on you!

Nota: Não estou portanto de acordo com o ex-almirante da Royal Navy, Lord West (não é da família da Sarah), que sobre este assunto disse esta coisa maravilhosa: «Se ela teve uma relação com alguém sob o seu comando, então desilude outras mulheres na Marinha real, pois há pessoas que vão agarrar nisto e dizer é por isto que as mulheres não deviam estar em navios.» Exacto, Lord West. Por essa lógica, os navios da Royal Navy andavam vazios. Tinham de se governar sozinhos. Sim, Lord, porque também já houve muitos homens da Royal Navy que não resistiram à solidão no mar. Isto para não falar na enorme quantidade de elementos das Forças Armadas – britânicas mas não só – que não podem visitar regiões inteiras do globo sob pena de encontrarem vinte ou trinta adolescentes a quem deviam pagar a universidade. 
http://lobidocha.com/

Partilhe este artigo

Post Anterior
Prev Post
Próximo Post
Next Post
2 Comentários Blogger
Comentários Facebook

2 comentários blogger

  1. Esta pergunta è descabida mas tenho que a fazer; este Lord West è ingles? Que estranho, na Inglaterra houve revolucao sexual, portanto estes e outros comportamentos aimilares sao normais. O Lord deve ter apanhado muito sol, por isso nao esta a raciocinar bem...

    ResponderEliminar
  2. Inês Pereira
    A sua observação é lógica e pertinente, no entanto é preciso ponderar sobre as transformações da sociedade «civil/ militar», onde continua a haver uma enorme diferença no mundo castrense.

    ResponderEliminar