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Mais de 96 ex-governantes deram em banqueiros!

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Desde o 25 de Abril de 1974, 96 governantes ocuparam cargos na banca.
por Nuno Aguiar do Massa Monetária2014

Em 19 Governos Constitucionais, (pelo menos) 96 ministros e secretários de Estado portugueses ocuparam cargos em mais de 20 Bancos. Uma média de cinco governantes por Executivo.

Esta investigação teve como base a informação compilada por Jorge Costa para o documentário “Donos de Portugal”. O nosso exercício concentra-se apenas no sistema financeiro, e a primeira conclusão é a mais óbvia, mas talvez a mais impressionante: 96(!) governantes. Uau! Em apenas 19 Governos Constitucionais…Desta lista de quase uma centena, só dois – Artur Santos Silva e Vasco Vieira de Almeida – ocuparam cargos executivos apenas em governos provisórios.

O campeão é Rui Machete, (ex)ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que ocupou cargos em seis bancos diferentes ao longo da sua carreira, também muito preenchida politicamente (foi ministro em dois Governos Constitucionais e um Governo Provisório). Depois surgem vários governantes com posições em três bancos diferentes: Alexandre Vaz Pinto, Almerindo Marques, António Nogueira Leite, Carlos Tavares, Luís Alves Monteiro e Luís Mira Amaral.

Optámos por deixar de fora alguns gigantes da banca já não existem, uma vez que a informação é, por vezes, muito difícil de obter. É esse o caso do Banco Pinto & Sotto Mayor, a União de Bancos Portugueses, o Banco Português do Atlântico, Fonsecas & Burnay, Totta & Açores ou o Banco de Fomento e Exterior. A inclusão destes bancos não traria muitos nomes novos para a lista, mas mostraria como alguns políticos “rodaram” por muito mais instituições financeiras. Almerindo Marques e Miguel Cadilhe, por exemplo, tiveram cargos em pelo menos dois dos bancos citados em cima. Carlos Tavares, actual presidente da CMVM, em quatro.

Se dividirmos os governantes por partidos políticos, a lista revela-se “alaranjada”, mas com muito muitos tons rosa. O critério para atribuição de cor é o Governo em que serviram. Dos 96 governantes, 53 são identificados com o PSD, 30 com o PS e 5 com o CDS-PP. Os restantes 8 são classificados como “independentes”, porque tiveram pastas em Executivos de coligação e não têm filiação partidária pública (a maioria pertenceu a Executivos PSD/CDS).

Se tivermos em conta apenas ministros e primeiros-ministros, a concentração de governantes com cargos em bancos é clara entre meados dos anos 80 e meados dos anos 90. O maior destaque vai para o XI e XII Governos Constitucionais, liderados por Cavaco Silva, com 12 e 10 ministros, respectivamente, que foram quadros da banca. O V Governo Constitucional, com Maria de Lurdes Pintassilgo como primeiro-ministro, foi o único em relação ao qual não foi possível identificar ministros ou secretários de Estado com cargos na banca.

Estará o cargo na banca alinhado com a pasta detida no Executivo? À primeira vista, a especialização em finanças não parece ser o critério. Dos 96 governantes desta lista, apenas 27 ocuparam nos governos cargos sob a asa do Ministério das Finanças.

Se olharmos para uma distribuição por instituições financeiras, a lista é liderada pela Caixa Geral de Depósitos, com 23 governantes, o que já seria de esperar do banco público. A seguir surge o BES, a quem associamos 22 nomes, seguido pelo BCP com 20. O fosso é grande a partir daqui. Pelo BPI passaram 8 governantes, pelo BPN/Efisa, Banif, Santander e BPP 7. De fora da análise ficou o Banco de Portugal, que estaria à frente de todas estas instituições.

O objectivo deste trabalho não é rotular estas personalidades como influenciáveis pelo poder da banca ou dar a entender que têm agendas ocultas. Alguns encaixarão nessa descrição, outros não. O que evidenciamos é que o número de governantes é elevado.

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