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Marinho Pinto esmiuçado

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Marinho Pinto
António de Sousa Marinho e Pinto nasceu a 10 de Setembro de 1950 na cidade de Amarante, filho de um alfaiate e de uma camponesa. Com apenas seis meses de idade foi viver para Niterói, no Brasil. Com 14 anos voltou para Portugal com a sua mãe.
O seu pai nunca voltaria a Portugal. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Pertenceu ao MDE – Movimento Democrático Estudantil, grupo de luta contra a ditadura e com 20 anos foi detido, quando a PIDE cercou a Associação Académica e cortou o trânsito em parte da cidade de Coimbra.

Marinho Pinto Antes e Depois
Marinho Pinto tentou escapar, mas acabou por ser preso. Ficou detido durante dois meses no Forte de Caxias, estando a maior parte do tempo em isolamento. O seu pai, salazarista convicto escreveu-lhe uma dura carta com severas reprimendas, mostrando-se indignado com a sua simpatia pela esquerda. Marinho Pinto respondeu-lhe no mesmo tom e como consequência, os dois cortaram relações durante 17 anos. Em 1986, o filho achou que era altura de retomar a ligação e deslocou-se ao Brasil, onde fez as pazes com o seu pai.

Enquanto esteve nas mãos da PIDE foi interrogado durante três dias e três noites, período durante o qual não lhe permitiram que dormisse. Marinho Pinto resistiu, não fazendo qualquer denúncia. Mais tarde afirmou que durante aquele interrogatório “aprendeu a olhar para si próprio, a analisar-se”.

Foi também nos seus tempos de estudante que colocou de parte a religião. Sendo oriundo duma zona do país e de uma família extremamente religiosa, a fé esteve sempre presente no seu crescimento. Algo que se acentuou ainda mais ao estudar num colégio católico. Finda a sua licenciatura, tornou-se professor do ensino secundário e preparatório. De 1974 a 1978 deu aulas de Português, Filosofia, Literatura e Introdução à Política.

Em 1978, tornou-se jornalista profissional e foi designado membro da Comissão Nacional para a Liberdade de Informação. No ano seguinte foi nomeado Diretor do ANOP – Agência Noticiosa Portuguesa na Região Autónoma da Madeira, onde se manteve até 1980. De 1984 a 1986, foi Diretor da ANOP na Região Centro. Seguindo-se uma passagem pela Agência Lusa, como Diretor de Informação na Região Centro.

Rumou depois a Macau, onde foi Assessor Jurídico e de Comunicação do Governo. Acabou por viver apenas quatro meses no território macaense e confessou não ter gostado da experiência, sentindo-se incomodado com a criminalidade ligada à industria do jogo e desagradado com o comportamento dos portugueses que lá viviam. Ao regressar a Portugal Marinho Pinto tornou-se Jornalista do Expresso. Manteve a colaboração com este jornal durante 17 anos, até 2006.

A partir de 1994 manteve também uma carreira ativa como docente universitário. Lecionando primeiramente a disciplina Práticas da Comunicação, no Curso Superior de Comunicação da Escola Superior de Educação de Coimbra. E mais tarde, Direito e Deontologia da Comunicação no Curso de Novas Tecnologias da Comunicação. Foi ainda o coordenador da Pós Graduação em Jornalismo Judiciário da Universidade Lusófona e professor auxiliar convidado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Entre 2000 e 2004 foi patrono formador de Advogados Estagiários da Ordem dos Advogados. Em Novembro de 2004 candidatou-se pela primeira vez ao cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados, não conseguindo a eleição. Voltou a candidatar-se em 2007, almejando desta vez a eleição e tornando-se Bastonário da ordem dos Advogados. Voltaria a ser reeleito para o cargo a 26 de Novembro de 2010.

O primeiro mandado de Marinho Pinto ficou marcado pelas suas declarações polémicas e por alguns confrontos de palavras. O episódio mais mediático terá sido a acesa troca de palavras com a jornalista Manuela Moura Guedes. A 22 de Maio de 2009, a jornalista da TVI entrevistou o bastonário em direto e como é seu apanágio, não se coibiu de tecer considerações e acusações pessoais. Manuela Moura Guedes lembrou as declarações de Marinho Pinto, em que este afirmava saber da existência de advogados que ajudavam clientes a cometer crimes e adjetivou-o de “bufo”.

António Marinho, que havia aguentado um interrogatório de 72 horas, por parte da PIDE, sem revelar nada, levou as palavras da jornalista a peito e partiu para o ataque. Afirmou que Manuela Moura Guedes envergonhava a classe jornalística e acusou-a de violar sistematicamente o código deontológico dos jornalistas.

Outra das grandes polémicas em que esteve envolvido relacionou-se com o seu salário. Marinho Pinto tornou-se o primeiro Bastonário da Ordem dos Advogados a exercer o cargo em regime de exclusividade, tendo por isso direito a remuneração mensal. Dez dias depois de ter tomado posse, o novo Conselho Geral definiu que a sua remuneração mensal seria de 6 mil euros e que quando abandonasse o cargo teria direito a receber um subsídio de reintegração equivalente a 6 meses de salário.

Esta questão deu que falar durante vários meses em diversos órgãos de comunicação social e chegou mesmo ao Tribunal de Contas, que não se pronunciou relativamente à questão por não ter competência para fiscalizar o salário do bastonário. No final de Novembro de 2011, Marinho Pinto voltou a tecer comentários polémicos, ao afirmar que os tribunais arbitrais portugueses “são uma verdadeira escandaleira em que o estado perde sempre o privado ganha sempre”.

Criticou também a existência de juízes com 26, 27, 28 ou 29 anos, afirmando que os mesmos não possuem a experiência de vida necessária para ajuizar de forma competente. Marinho Pinto escreveu até à data três livros: “As Faces da Justiça” (2003), “Dura Lex – Retratos da Justiça Portuguesa” (2007) e “Um Combate Desigual” (2010).

enviado para o correio dos leitores.

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