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A corrupção domina a política. Mas não os debates

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"Tanto o chefe do governo como líder da oposição recusam-se a condenar ou sequer a pronunciar-se sobre este flagelo. A CORRUPÇÃO domina a política. Mas não os DEBATES."



Como Pilatos.


A corrupção domina a política. Finalmente, há dirigentes acusados e presos. E, ainda assim, tanto o chefe do governo como o líder da oposição recusam-se a condenar a corrupção ou sequer a pronunciar-se sobre este flagelo.

O fenómeno cresceu à vista de todos nos últimos vinte anos. Os escândalos sucederam-se: corrupção na Expo 98, no Euro 2004, no BPN, nas parcerias público-privadas... muitos casos, de forma reiterada, e cada um deles custando ao povo milhares de milhões. Também ao nível das autarquias a corrupção se revelava dominante, em particular no urbanismo. Promotores imobiliários adquiriram durante décadas terrenos agrícolas que de seguida, através dum alvará de loteamento obtido com a cumplicidade dos autarcas, transformavam em urbanizáveis, valorizando-os em seis a sete vezes mais.

Mas só bem recentemente, e por força duma intervenção mais eficaz dos procuradores, altos dirigentes da política e da administração, ficaram a contas com a Justiça. Na esfera do PS, Vara é condenado a cinco anos de prisão efectiva, José Sócrates está na cadeia. Enquanto isso, Mário Soares e Vera Jardim insultam a Justiça. Mas, apesar do caos, António Costa recusa-se a comentar a corrupção na política.

Também na maioria governamental o fenómeno deixa marcas. Dirigentes de topo da administração pública são detidos, no âmbito da concessão ilegal de ‘vistos gold’. Vários Ministérios são envolvidos neste polvo, da Administração e Justiça ao Ambiente, o director de uma polícia é acusado de corrupção. Como a fraude é gerada no seio do governo, Passos deve explicações. Mas finge que não é nada consigo.

Passos Coelho e António Costa refugiam-se no silêncio. Sempre disponíveis a comentar tudo, do futebol à moda, recusam-se agora a falar sobre corrupção na política, justamente o tema central na política nacional. Fazem como Pilatos, que, segundo o Papa Francisco, "lava as mãos, como se o assunto não fosse com ele, mas no fundo é para defender a sua zona corrupta de adesão ao poder a qualquer preço".

Passos e Costa sabem que, para manterem os seus lugares, não podem afrontar os corruptos que dominam a política nacional, a cuja teia também pertencem.

Paulo Morais

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