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A importância da Matemática nos Descobrimentos

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No modo de cultivar as Matemáticas, havia diferenças essenciais entre a Escola muçulmana de Córdova e Sevilha, a Escola cristã de Toledo e a Escola nascente portuguesa. Na primeira Escola, havia uma certa cultura da Aritmética, da Álgebra e da Geometria, como ciências autónomas; na segunda, tôda a cultura matemática girava à roda da sua aplicação à Astronomia; na terceira, esta cultura era ainda mais reduzida, pois que girava à roda do que na Astronomia era aplicável à Náutica.

Só no século XVI começou em Portugal, como veremos, o estudo das Matemáticas sob o ponto de vista puramente teórico.

O ideal que inspirou D. Henrique na fundação da Escola portuguesa de ciência astronómica é bem diferente do que animara Afonso X na fundação da Escola de Toledo. O ideal do rei castelhano era puramente filosófico; o do infante lusitano era utilitário.

O espírito científico nasceu entre os Lusos mais tarde e subiu alto, mas foram as navegações, com os problemas que lhes propuseram e com os novos aspectos que lhes apresentaram dos fenómenos da natureza, que criaram aquele espírito.




D. Henrique, depois de se cobrir de glória com seu Pai e seu irmão D. Duarte em Ceuta, e de cair desastradamente em Tânger, quis ir bater os muçulmanos nas longínquas paragens da Índia e ordenou que as suas naus navegassem para o sul, à procura de passagem para os mares do Oriente .
Era uma emprêsa audaz, mas o Infante tinha têmpera de herói e confiava no heroísmo da gente lusa. Não conseguiu levar aquelas naus a esses mares. Faltou-lhe tempo. Mas, ainda no século em que viveu, o velho mundo recebeu com pasmo a notícia de que uma armada lusa abordara às praias de Calecute.
Devemos notar aqui que, quando D. Henrique começou a ocupar-se da náutica, possuía já Portugal uma considerável navegação costeira e uma importante marinha de guerra, destinada a defender aquela navegação e os portos do país dos ataques dos piratas da Mauritânia, que começara a ser organizada,  já  no tempo de D. Dinis, e dispunha também, para dirigir as naus, de marinheiros experientes e valorosos.

Nos tempos anteriores à fundação da Estação de Sagres, os nautas afastavam-se pouco da costa e, quando o faziam, fixavam a posição do navio pelo rumo (isto é pelo ângulo constante formado pela direcção do seu movimento com os meridianos que ia cortando) e pelas distâncias percorridas. Nas viagens novas, os pilotos colhiam estes elementos, que os que vinham depois aproveitavam. Mais tarde empregaram-se para o mesmo fim os rumos e as latitudes.

Em cada um dêstes dois meios de regular o movimento do navio, dois números determinam a sua posição no mar relativamente ao lugar de onde partiu. Não sabemos em que época o segundo modo de navegar substituiu o antigo, que era menos prático e não era apropriado à navegação no mar alto; o que sabemos é que já tinha sido indicado por Afonso-o-Sábio no seu Libro de las Partidas (onde diz que com o astrolábio, a bússola e a carta náutica se podem dirigir com segurança os navios no mar), que foi empregado por Diogo Gomes em 1642, no mar da Guiné, e que êste célebre navegador se serviu, para determinar as latitudes, do método que as deduz da altura meridiana da Estrêla polar, altura que mediu por meio de um quadrante graduado.

É natural que tenha sido empregado pelos pilotos de D. Henrique desde a ocasião em que, começando a internar-se no Oceano, precisaram, para se orientar, de recorrer aos astros. Este modo de determinar as latitudes era conhecido desde a antigüidade, assim como o instrumento com que Diogo Gomes observou a estrêla mencionada, e estavam assinalados nos Libros del saber de Afonso-o-Sábio, que o Infante certamente conhecia, porque existia um exemplar desta obra na biblioteca da côrte.

D. Henrique  morreu em 1460. Morreu solteiro e pobre.

Tinha dado a Portugal, com o seu coração, todos os seus esforços e todos os seus haveres.
Tinha gasto tudo na preparação das expedições e tinha ainda gasto nelas as rendas da Ordem de Cristo, de que era Grão-Mestre.
Alcançara a glória de ser o génio criador e o primeiro organizador das navegações maravilhosas dos Lusos e, com a sua energia inteligente e pertinaz e com a sua fé sugestionadora, fizera dos seus marinheiros heróis.
Portugal, reconhecido, venerou e glorificou sempre a sua memória e o seu nome figura aureolado nas páginas da Epopeia dos Lusíadas. (...)

bolsanobolso.com

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