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Portugal continua a ser dos países mais corruptos da Europa

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O combate que falta 
A cada ano que passa, os resultados são mais decepcionantes: Portugal continua a ser dos países mais corruptos da Europa. E as consequências deste flagelo estão à vista: desemprego, pobreza, subdesenvolvimento.


Os indicadores de transparência anunciados pela ‘Transparency International’ confirmam a tendência da última década, relegando Portugal para o grupo que na Europa mais padece da corrupção, a par da Itália, Grécia e Espanha.

Mas nem sempre foi assim. Em 2000, Portugal ocupava uma aceitável 23ª posição no ranking da transparência. A queda foi brutal, cerca de dez posições, e acentuou-se nos últimos anos.

O aumento da corrupção tem sido, aliás, o factor que mais nos tem afastado do desenvolvimento. Em primeiro lugar, porque foram os inúmeros casos de corrupção que depauperaram as finanças públicas e elevaram a crise a este nível insuportável. Os escândalos sucederam-se à vista de todos – corrupção no Euro, nas parcerias público-privadas, no BPN, no BPP e no BES, nos submarinos –, cada um custando aos bolsos dos portugueses largos milhares de milhões. Representam no seu conjunto mais de metade da malfadada dívida pública que nos consome.

Acresce que o índice agora apresentado é um indicador compósito que resulta de estudos detalhados de peritos do Banco Mundial, do Fórum Económico Mundial, da prestigiada Fundação Bertelsmann, do ‘Economist’ e outros. A obtenção de maus resultados afasta obviamente os investidores internacionais. Não por acaso, o investimento directo estrangeiro diminuiu, num só ano, 37% (de 2012 para 2013).

Finalmente, a consequência mais dramática: o subdesenvolvimento. Está provado que há uma forte correlação negativa entre corrupção e desenvolvimento. Bastaria, pois, que nos tivéssemos mantido nos lugares de 2000, perto do 23º, e integraríamos hoje, na Europa, o grupo da Áustria, onde o desemprego é cerca de 5% e a taxa de IVA de 20%.

Se o estado português empreender um combate feroz à corrupção, poderemos retomar o caminho do desenvolvimento. Se se mantiver a inércia, a tolerância face à promiscuidade entre política e negócios, em poucos anos estaremos definitivamente condenados à miséria. As opções não poderiam ser mais claras.
PAULO MORAIS

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