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Por favor, jornalistas portugueses a dizer que são o Charlie quando nem coisos têm

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"Muitas pessoas perdem o humor, meramente, por perceberem que você não perdeu o seu."
Frank Moore Colby

Confesso-me um pouco admirado com a quantidade de Charlies que há neste país e que eu desconhecia. Na sequência do miserável ataque contra a sede do jornal satírico Charlie Hebdo, foram vários os jornais e jornalistas que apareceram a empunhar cartazes com a frase - Nós Somos Charlie Hebdo. Subitamente, só faltou ver o Jornal da Madeira ser também Charlie.

Não me levem a mal, ou levem, mas vou ser Charlie: por favor, jornalistas portugueses a dizer que são o Charlie quando nem coisos (tomates) têm para não fazer favores ao Governo etc., tenham dó. Não, não são todos Charlie. Pelo contrário, há meia dúzia que são e ainda bem que há. Agora não se façam passar por eles. Hoje somos todos Charlie Hebdo, mas amanhã voltamos ao que éramos. Aos jornais, televisões, etc., que aparecem a dizer-se Charlie, pergunto: quantas semanas durava o Charlie Hebdo em Portugal antes de ser cancelado por causa de chatices com a Igreja, Angola ou o Governo? Força, Charlie. Quantos jornais portugueses teriam coragem ou vontade de publicar os "cartoons" do Charlie? Espero que estes jornais que se dizem Charlie, durante a semana toda publiquem os "cartoons" na capa.

Ligo a televisão e vejo a Assembleia da República que não deixou falar os "capitães de Abril" e que está tão chocada com esta falta de respeito pelo direito de expressão. Julgava que, para a presidente da Assembleia da República, "os carrascos" eram os que faziam barulho nas bancadas para o povo. O mesmo Telmo que está na Assembleia da República chocado, estaria a pedir para acabar com aquele "cartoon" que ofende católicos. Já assisti a isso e não foi assim há tanto tempo. "Embora fazer um referendo sobre co-adopção de casais homo" - porque respeitamos muito a liberdade dos outros. Uma Europa que vive um discurso de honestos do Norte contra preguiçosos do Sul está de boca aberta com extremistas. Somos todos Charlie. É só grandes defensores da liberdade de expressão e dos direitos individuais e das conquistas da democracia, no mesmo local onde se apoia que a Merkel possa fazer chantagem eleitoral sobre os gregos.

Vivemos num país em que o Presidente da República, como representante de todos os portugueses, não vai ao enterro de um escritor (Nobel) porque não gosta dele, ou que não dá os parabéns a outro que canta fado porque não canta o que ele gosta, e que deve estar a deitar cá para fora um comunicado sobre a importância de aceitar a liberdade de expressão e a diferença.

Não, não somos todos Charlie. Eu, felizmente, nem sei desenhar.

João Quadros

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12 comentários blogger

  1. Pela maneira como comenta outros comentadores, dá a impressão de que, se pudesse, os proibiria de comentar...
    Será assim que se defende a liberdade de espressão?...
    Ou será apenas o desejo, de que todos tenham a liberdade de pensar como eu?

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    Respostas
    1. Fala com razão, deves ser mais um charlie de fim de semana.

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    2. Não quero ser picuinhas mas, "EXPRESSÃO" em vez de "espressao"!

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    3. Nao queres mas foste. Querias armar-te aos cagados e acabaste a denunciar a tua enorme ignorancia. Menina para estudar e sempre tempo. E ter um bocadinho de inteligencia ajuda e muito...

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    4. Caro anonimo, para usar acentos também é sempre tempo. E igualmente para ter humildade de receber os comentários de outros.

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  2. Normal se fosse em Portugal ião pro café tivemos ditadura passamos mal agora passas mal actualmente a França que deu ao nosso país ..nada

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  3. Todos são defensores de tudo e mais alguma coisa , mas na hora da verdade fogem que nem ratos são todos uma cambada hipócritas

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  4. Muito bem dito João Quadros! sem tirar nem por!!

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  5. "Confesso-me um pouco admirado com a quantidade de Charlies" - É pena ter uma realidade aumentada através de um lamentável acontecimento.

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  6. Gostei do artigo. E concordo. Tb acho que infelizmente este país não existe muitos Charlie. Achei o seu ponto de vista curioso, mas o que acho e que se houvesse tantos Charlie quanto os que se manifestaram este povo da treta nao sw deixava levar pelas conversas dos nossos governantes.

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  7. Deixe-me concordar e dizer que também não sou Charlie.
    Eu seria Charlie se visse a mesma sensibilidade com outros actos que se propagam de forma galopante, assim como o que se passa na Nigéria e nos Camarões, vitimas de constante terrorismo. Para esses não há Charlies nem manifestações socialmente abstratas...
    Nós somos todos Charlie do comodismo dos nossos sofás, ou sistemas Android....
    Acordem, estes acontecimentos acontecem diariamente pelo mundo, mas só reparamos agora pois entraram na nossa zona de conforto?
    Eu choro sim, mas pelas milhares de pessoas que são vitimas diárias da intrusão dos povos europeus e americanos, usurpam territórios de povos mais pobres em seu favor e depois andam com estas manifestações de hipocrisia.
    ACORDEM...

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  8. Tendo isto invadido-me a vista algures em rede social e a partir do momento, logo nas primeiras frases desta mixórdia de contrações intestinais, em que o autor após bujardar em tudo e até no próprio pé, que se verifica que não tem a mínima noção de qual o significado do slogan adotado nem vale o esforço assistir ao restante fluxo diarreico.
    Ao paralelizar a situação com publicidade enganosa é nítido que tenta capitalizar em algo mas não no significado de
    Eu sou Charlie - e tenho os tomates no sitio, estúpido!
    (Luiz Castelo-Branco)

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