Antes de ir ao Parlamento falar à porta fechada, José Esteves mandou a sua confissão para os jornalistas. O presumível autor da bomba de Camarate, fez chegar à Comunicação Social uma confissão que diz que lhe irá servir de base para o testemunho que vai prestar na Assembleia da República, perante os deputados da X Comissão Parlamentar de Inquérito à Tragédia de Camarate.
E explicou: "Faço esta divulgação prévia não por desrespeito à AR, mas sim porque sei que vou ser ouvido à porta fechada, facto que vai contra a minha vontade expressa, pois aquilo que tenho a dizer deve ser do conhecimento público".
"Camarate foi isto, um atentado encoberto pela Polícia Judiciária. A PJ é uma polícia bandida e contumaz porque encobriu e nunca respondeu por todos os crimes que tem cometido", afirmou José Esteves, no final da audição, à porta fechada, na X Comissão de inquérito à tragédia de Camarate.
Video da confissão de José Esteves.
"Durante o ano de 1995, a TVI foi a televisão que mais trabalhou na investigação de Camarate. Entre os vários profissionais destacou-se o nome de Miguel Ganhão Pereira que, cinco anos mais tarde, acabaria por se suicidar. Foi a 4 Dezembro, no dia de Camarate. Miguel tinha sido pai recentemente e não parecia dar sinais de que poderia ser capaz de cometer tal acto.
Sem especular sobre as circunstâncias do seu desaparecimento, veja-se o que é que ele já sabia 15 anos depois de Camarate.
Nessa altura, a TVI divulgou uma primeira confissão de Farinha Simões onde este já falava no nome do Major Canto e Castro. O jornalista Miguel Ganhão, relacionou depois os militares com Camarate e o tráfico de armas durante a guerra Irão-Iraque.
Constate-se ainda que o então Presidente da Assembleia-Geral da ONU, Freitas do Amaral, ao contrário do jornalista da TVI, não achava ainda oportuno dizer publicamente o que diz hoje, ou seja, que suspeitava que o negócio do tráfico de armas para a guerra Irão-Iraque estaria por detrás do atentado de Camarate".
Texto de José Esteves, fonte Zita Paiva.
adenda Ago. 2018: ASSALTO EM TANCOS.
A Judiciária deteve o Coronel Luís Vieira, director-geral da PJM. Com ele foram também detidos outros elementos, entre eles o Major Roberto Carlos Pinto da Costa da PJ Militar do Porto. Operação da PJ está relacionada com o misterioso aparecimento das armas furtadas em Tancos: "Problemas esquisitos com armas já vêm de longe. Desde Camarate", diz Hernâni Carvalho
