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Sobre o conflito israelo-árabe, cedam o bikini ao Nuno Rogeiro

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Miss Líbano desfila em bikini, vestido de noite e kalashnikov

Foi uma semana muito triste para a harmonia entre os homens. A paz no mundo foi ameaçada precisamente pelas pessoas em quem mais confiamos para a defender, a saber: as candidatas a Miss Universo e o Papa. O caso mais chocante foi, claro, o das candidatas a Miss Universo. Ao longo da história da Igreja houve vários papas que talvez tenham percebido menos bem os ensinamentos de Jesus, mas creio que é a primeira vez que palavras ásperas saem da boca impecavelmente maquilhada de uma candidata a Miss Universo. Uma situação inédita que foi causada por este facto muito grave: uma menina bonita israelita tirou uma fotografia em que aparece juntamente com uma menina bonita libanesa. As pessoas indignaram-se nas redes sociais, o que está muito certo, uma vez que é por essa razão que as pessoas frequentam as redes sociais. No Líbano, exigiram explicações à menina bonita sua compatriota. O ministro libanês do Turismo anunciou que seria aberto um processo de averiguações acerca da fotografia em que aparecem meninas bonitas. Pessoalmente, tenho usado a internet para investigar fotografias em que aparecem meninas bonitas, pelo que sou sensível a esta iniciativa. Foi então que a menina bonita libanesa acusou a menina bonita israelita de a perseguir, e recusou falar-lhe. Ora, não é isto que se espera de meninas bonitas que participam nestes concursos. No meu tempo, as candidatas a Miss Universo nem sabiam onde ficava Israel. Amavam toda a gente e desconheciam profundamente a geografia. Se é para discorrerem sobre o conflito israelo-árabe, cedam o bikini ao Nuno Rogeiro.
As palavras do Papa também merecem reflexão. Disse ele que, se um amigo insultasse a sua mãe, devia esperar um soco. Não conheço o evangelho com a profundidade necessária para saber se o Messias aprova a violência quando se trata de insultos à mãe, mas acredito que sim. ?E já testemunhei várias zaragatas, tanto em bares como em casas onde decorrem reality shows, motivadas exactamente por este tipo de ofensa. O cristianismo está muito mais arreigado na nossa sociedade do que se pensa.

Há, no entanto, um ponto em relação ao qual tenho uma dúvida ética: o que fazer no caso das mães autodepreciativas? Há pessoas que, por questões de temperamento ou por se encontrarem num momento de baixa auto-estima, rebaixam a sua própria pessoa. Algumas dessas pessoas são mães. Que devem fazer os seus filhos? Seguir o preceito cristão de agredir quem insulta as mães? Ou não agredir as mães, permitindo que a ofensa passe em claro? Trata-se de um difícil dilema moral. Haja um especialista no catecismo que me ajude.

RICARDO ARAÚJO PEREIRA

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