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À pressa e às escondidas, o governo quer privatizar a TAP

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TAP: ordem de travar

Foi a falta de sentido estratégico e patriótico que permitiu que todo o sector da electricidade seja hoje dominado pelo estado chinês.


À pressa e às escondidas, o governo quer privatizar a TAP. Não deve fazê-lo. Até porque, em matéria de privatizações, Passos Coelho leva um triste historial. [veja aqui] Cujas principais marcas são falta de sentido estratégico, submissão aos mais obscuros interesses económicos e secretismo.

Foi a falta de sentido estratégico e patriótico que permitiu que todo o sector da electricidade seja hoje dominado pelo estado chinês. Este, através da EDP, tornou-se um dos maiores empregadores do País e é até o detentor da Rede Eléctrica Nacional, património estratégico de valor incalculável. O governo de Pequim controla assim uma parte significativa do nosso subsolo. Passos Coelho chegou ainda ao ponto de entregar a ANA (Aeroportos e Navegação Aérea) ao grupo Vinci; este poderá doravante exercer o direito de construir o novo aeroporto em Alcochete, onde apenas se pode aceder pela ponte Vasco da Gama, cujo proprietário é a própria Vinci. Deste modo, uma só empresa controlará o livre acesso entre o aeroporto e a capital do País. Com estes negócios, o governo faz perigar a própria soberania.

Além do mais, os processos de privatizações têm decorrido no seio duma nebulosa de interesses. Na privatização da Empresa Geral de Fomento, líder na gestão de resíduos urbanos, o governo foi assessorado pela sociedade de advogados ‘Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva’. O concurso foi ganho pela SUMA, cujos juristas são os mesmos. [veja aqui] Em vésperas da venda dos CTT, o governo anunciava a criação dos "balcões do cidadão", serviço público pelo qual o Estado terá de pagar aos correios… agora privados. Lucros garantidos ao novo dono, a Goldman Sachs.

Urge pois travar a privatização da TAP. Quem tenha a intenção de a alienar, só deve poder fazê-lo se legitimar democraticamente a sua decisão. A discussão tem de ser alargada, a decisão deve ser tomada no Parlamento. Não pode ser um negócio cozinhado no secretismo do gabinete dum qualquer secretário de estado.

Paulo Morais

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