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Ali começa Portugal - José Hermano Saraiva

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Explorar a Insua 
Vista do céu, em voo de pássaro, a Ínsua assemelha-se a um gigantesco bacalhau que parece ter aflorado à tona de água. No entanto, é bem possível que o constante bater das ondas e o eterno alternar das marés já lhe tenha mudado a forma e pareça hoje outra coisa qualquer.

Lobrigada de terra, faz lembrar um estranho navio ancorado a dois passos da costa à espera de visitantes. Mas, para poder apreciar-se de mais perto, terá que transpor-se a cortina verde e fresca do pinhal do Camarido ou calcorrear os areais de Moledo, que distam apenas duzentos metros da pequena ilha. Uma coisa é certa: quanto mais perto chegamos, maior é a vontade de ir até lá explorá-la e de guardá-la só para nós.

Espreitar Caminha
Conquistada a Ínsua - que para muitos será razão mais do que suficiente para ter vindo até ao extremo noroeste de Portugal -, é chegada a hora de pôr pés ao caminho para mais um inesquecível trilho costeiro. Mas, antes de partir passo-a-passo num invulgar percurso transfronteiriço rumo a terras galegas, entregando-se à travessia contemplativa do estuário do Minho, vale a pena deambular pelas estreitas ruelas de Caminha, que alguns consideram ser a mais bela e graciosa vila do litoral minhoto.




Instalada numa pequena península encravada entre as fozes dos rios Coura e Minho, a modesta vila raiana é um lugar emocionante, quer se explore do chão, quer se contemple do ar. Muito antes de os romanos terem chegado a estas paragens já os terrenos pantanosos haviam sido cobiçados e ocupados. Primeiro como lugar de pescadores, depois como póvoa marítima, porto de mar e terra de mercadores e navegantes, acabando como povoação fortificada que por inúmeras vezes foi ganha e perdida nas contendas com nuestros hermanos.
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