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Carlos Paz: O que interessa são as PESSOAS seus ESTÚPIDOS!

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São as Pessoas, seus ESTÚPIDOS!
Desde uma célebre campanha eleitoral nos EUA que a frase que mais vezes é repetida é: “É a Economia, Estúpido!”. A ideia inicial de quem a proferiu era a de transmitir aos políticos que sem a Economia funcionar as pessoas não terão condições de vida, logo os políticos não serão eleitos ou reeleitos.



Esta frase (“É a Economia, Estúpido!”) tem sido repetida até à exaustão ao longo dos últimos 15 anos. Provoca verdadeiros ORGASMOS INTELECTUAIS a uma horda de economistas, políticos, comentadores, jornalistas, banqueiros, empresários, etc…
A frase é verdadeira? É!
Então qual é o problema?
Não é um problema, são dois:

O primeiro: A frase é dita e repetida, à náusea, por uma série de pessoas (economistas, políticos, comentadores ou jornalistas) que, de Economia pouco ou NADA percebem. Sejam eles economistas ou não.

O segundo: A frase é utilizada, à náusea, por uma série de pessoas (economistas, comentadores, banqueiros ou empresários) para justificar toda e qualquer opção política e social que sirva para subjugar o factor trabalho em favor do factor capital. A maior parte das vezes por pessoas que nela acreditam, por mera opção ideológica. Muitas vezes por pessoas que, sabendo que estão a distorcer o sentido original da frase, a continuam a utilizar.

As primeiras desculpamos, seja pela sua ignorância, seja pela sua fé nos “mercados”.
As segundas não podemos desculpar: são verdadeiros CRIMINOSOS sociais.

Qual era o sentido original da frase?
O sentido original da frase era o de que sem a economia funcionar, os empresários não investem; sem investimento não há criação de emprego; sem emprego não há rendimento para as pessoas; sem rendimento as pessoas não consomem; sem consumo a economia não funciona.
Estava certo! É, de facto, um círculo vicioso que deve ser QUEBRADO: é preciso investimento para criar emprego, emprego para gerar consumo, consumo para acelerar a economia, economia sã para gerar investimento.

A ideia original: transformar um círculo vicioso de quebra económica num círculo virtuoso de crescimento e prosperidade. Estava certa!

Qual é o sentido que é dado, hoje em dia, à frase (seja por mera opção ideológica, por fé, por interesse ou por pura sociopatia)?

O sentido que, hoje em dia, é dado à frase (“É a Economia, Estúpido!”) é o de que TUDO pode (e deve) ser feito no sentido de preservar o MÁXIMO rendimento do capital. A lógica: sem o MÁXIMO rendimento do capital não há investimento, logo nada funciona.
Está certo? NÃO! Está ERRADO!
Deve ser, em cada momento, assegurado um equilíbrio saudável entre o rendimento do trabalho e o rendimento do capital. NUNCA a opção de minimizar um deles para maximizar o outro (em qualquer dos dois sentidos).
Porquê? Porque sem rendimento do capital não há investimento, emprego, rendimento do trabalho e, sem rendimento do trabalho não há consumo, prosperidade, desenvolvimento social. Ou seja: sem um equilíbrio entre os dois (rendimento do capital e rendimento do trabalho) não há prosperidade.

Se optarmos por políticas, como aquelas que actualmente estão na moda no Mundo (quase TODO), a consequência será uma sociedade em que o capital será cada vez mais poderoso e cada vez mais remunerado e o trabalho será cada vez mais menosprezado. Os “ricos” ficarão cada vez mais ricos e os “pobres” serão cada vez mais pobres. TODOS os dados de análise Económico-Social dos últimos 20 anos o demonstram. Não vale a pena tentar inventar explicações e tentar encontrar discrepâncias. Elas não existem. É uma EVIDÊNCIA CIENTÍFICA: as DESIGUALDADES aumentaram!

Ao contrário, se optarmos por políticas de desprezo pelo factor capital em favor do factor trabalho (e bem estar social) deixa de haver investimento. Logo: deixa de haver trabalho, rendimento, prosperidade social. Os políticos bem podem tentar disfarçar a situação: endividando os Estados para inventar investimento público não reprodutivo e criar despesa pública (Educação, Saúde, Segurança Social) não sustentável. Uma economia assim não cria a riqueza necessária para garantir o bem-estar das pessoas. Funciona no curto/médio prazo. No longo prazo só cria DÍVIDA PÚBLICA (impossível de pagar). Não vale a pena tentar inventar explicações e tentar encontrar discrepâncias. Elas não existem. É uma EVIDÊNCIA CIENTÍFICA: as DÍVIDAS PÚBLICAS (todas) atingiram níveis INSUSTENTÁVEIS!

Estamos, em Portugal, a viver um período longo (demasiado longo) de campanha eleitoral. Vamos ter os economistas, os políticos, os comentadores, os jornalistas, os banqueiros, os empresários, as diversas corporações sejam elas legítimas (ordens profissionais, sindicatos, associações cívicas) ou ilegítimas (sociedades secretas, ou discretas como preferem intitular-se), de novo, a deleitar-se com a frase “É a Economia Estúpido!”

O PCP (e o seu satélite laboral, CGTP) vão aparecer a defender os “direitos adquiridos” das classes trabalhadoras. Sem explicar que alguns desses direitos são absolutamente ILEGÍTIMOS e conduziram (e continuam a conduzir) à destruição de empresas e de emprego (os desempregados são carne para canhão nesta discussão, além do mais não pagam quotas sindicais).

O BE (e todas as suas degenerescências: LIVRE, MAS, AGIR, etc…) vão aparecer a defender o “não pagamento” da dívida pública (seja sob a forma de corte, de renegociação ou de reestruturação). Sem explicar que uma parte dessa dívida pública é detida pelas pessoas (títulos do tesouro, certificados do tesouro, certificados de aforro, depósitos bancários transformados pelos Bancos em Dívida Pública). Sem explicar que sem rendimento do capital não haverá investimento, logo não haverá emprego, rendimento, consumo, receita fiscal para pagar todo o desvario social que se vai prometer.

O PS vai aparecer a defender tudo e o seu contrário. Dependendo das circunstâncias e das audiências. Vai aparecer com uma medida COMPLETAMENTE ERRADA de aumentar ARTIFICIALMENTE o rendimento das pessoas SACRIFICANDO a sustentabilidade da Segurança Social (a tristemente famosa baixa da TSU). Garantindo um futuro de curto prazo através da destruição do futuro de longo prazo de TODOS nós. Sem explicar que, assim, vai continuar a privilegiar o rendimento do capital (esse fica intocável): a sua política será a de distribuir hoje os rendimentos que as pessoas teriam no futuro. É estúpido, mas dá votos sem atacar os poderosos.

A coligação do Governo (PSD e CDS) vai aparecer, com todo o seu IMENSO coro de seguidores (economistas, comentadores, jornalistas, banqueiros, empresários, corporações legítimas e ilegítimas) a defender o caminho abstruso de DESTRUIÇÃO social em favor do rendimento INTOCÁVEL do capital. O primado dos mercados sobre as pessoas. É CRIMINOSO, mas dá votos, pelo medo! Cá estará a horda de comentadores e corporações para assegurar esse medo (da bancarrota ao Sócrates, da Mitologia Grega ao Inferno de Dante, tudo vai servir).
E, de todos os lados, com todas as interpretações possíveis, vai repetir-se, até à insanidade, a frase: “É a economia, estúpido!”.

A todos, mesmo a TODOS, me apetece responder:
O que interessa são as PESSOAS seus ESTÚPIDOS!
O Mundo é habitado por Pessoas (que detêm o dinheiro). Não é ao contrário: o Mundo não é do dinheiro. O dinheiro não pode deter as pessoas, seus Estúpidos!

Carlos Paz, professor de economia

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