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Salgado apanhado nas escutas a distribuir os milhões dos submarinos

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Neste vídeo Ricardo Salgado afirma "não saber o que vai acontecer ao processo dos submarinos". Mas agora já sabemos. Por coincidência (ou não), à hora a que o vídeo foi divulgado no Jornal das 8H da TVI, já era público o arquivamento do inquérito por "inexistência de indícios de favorecimento do negócio" e porque os "factos susceptíveis de consubstanciar a prática de crimes de corrupção já se encontram prescritos desde Junho passado", referiu a estação televisiva citando uma publicação da Revista VISÃO. Que conveniente.... e oportuno.

Entretanto, a TVI divulgou outro excerto das gravações, no qual Ricardo Salgado fala dos 14 milhões alegadamente recebidos do construtor Zé Guilherme insistindo que "não recebeu comissão nenhuma" e recusando dar explicações adicionais aos seus pares por se tratar de "um assunto do foro pessoal".
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Só vejo aldrabões à nossa volta

Por José Pacheco Pereira

O processo dos submarinos pode não permitir a criminalização dos responsáveis, mas não pode deixar de exigir que pelo menos se puna quem permitiu os desmandos que estão patentes na frase dos Espírito Santo.

A frase foi dita por Ricardo Salgado numa reunião “familiar” para distribuir os despojos do negócio dos submarinos. A audição das gravações dessa reunião, que a TVI tornou possível, apesar da ameaça de processos, permitiu-nos ouvir os representantes dos diferentes clãs da família Espírito Santo a fazerem essa distribuição ao vivo. Salgado fala com uma voz pausada e de autoridade, os outros fazem perguntas concretas sobre a parte que lhes coube. Com a maior das calmas, sem sequer qualquer visível entusiasmo pelo que cada um ia receber - um milhão de euros, que deixariam qualquer mortal feliz -, percebe-se como era habitual lidarem com milhões e milhões, os que eram deles e os que não eram.

Só queriam explicações sobre por que é que não era mais, sabendo que outros tinham ficado pelo caminho, nos intermediários de baixo e no “alguém” que não é nomeado. A voz da ganância perguntava: “como é que aqueles três tipos receberam 15 milhões” e eles só cinco? Quando as perguntas começaram a querer ir mais longe, Salgado manda que não "[remexessem] mais no assunto”.

(...)De onde veio o dinheiro? Do bolso dos portugueses, os tais que estavam a “viver acima das suas posses” e que o pagaram quando compraram os submarinos mais caros devido ao rastro de corrupção que eles deixaram atrás. Sabem quando estas frases foram ditas? Há um ano, em Novembro de 2013, estavam os portugueses no seu quinto ano de empobrecimento.

A frase, pausada e grave de Ricardo Salgado merece ser ouvida na sua integralidade, visto que ela representa para todos nós uma vergonha colectiva pela impunidade dos nomeados – o autor da frase, os recebedores dos milhões, os “tipos” que ficaram com os 15 milhões, e o “alguém” – nesta semana em que o processo dos submarinos foi arquivado:
“E vocês têm todo o direito de perguntar: mas como é que aqueles três tipos receberam 15 milhões? A informação que temos é que há uma parte que não é para eles. Não sei se é ou não é. Como hoje em dia só vejo aldrabões à nossa volta... Os tipos garantem que há uma parte que teve de ser entregue a alguém em determinado dia.”
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SÓCRATES QUERIA 4 SUBMARINOS

Paulo Portas e José Sócrates voltaram a trocar acusações sobre a compra dos submarinos, no debate do Orçamento do Estado.José Sócrates voltou a levantar a questão dos submarinos, usando um argumento idêntico ao de debates parlamentares anteriores: "como é que em ano de crise, assinou pela compra de 2 submarinos? Que postos de trabalho é que vai criar?".
No entanto, desta vez, Paulo Portas estava preparado com uma cópia da resolução do Conselho de Ministros de 1998, "onde José Sócrates estava sentado", e segundo a qual o Governo PS "abriu o concurso para a aquisição de 4 submarinos".

"Não só é extraordinário que tenha este ataque de amnésia, e em desespero tente usar questões de Estado para atacar adversários, como se esqueça que, em submarinos, subsídios às empresas públicas são cinco, é a frota da Holanda, que submarinos, só no BPN, são dez, é a frota da Itália e que submarinos, só no TGV são 15, é a frota da Alemanha", declarou.
"E sabe quantos submarinos são as parcerias público-privadas? São cem, é a frota dos EUA, tanto do lado do Atlântico, como do lado do Pacífico. Tenha vergonha", criticou.

José Sócrates assumiu que foi o Governo PS que abriu o concurso para a aquisição de quatro submarinos mas frisou que foi "no tempo de Paulo Portas" que foram adjudicados.
"É verdade que durante anos nunca se adjudicou pela razão de que nunca se considerou esse investimento como prioritário", afirmou Sócrates, insistindo para que Portas explicasse que "contributo é que os submarinos deram ao emprego e às empresas no país". DN
Fonte: Zita Paiva

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