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TVI: Tratarão do mesmo modo Paulo Morais e Marcelo?

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Regresso de Marcelo à TVI.


Marcelo também esteve mal porque domingo já era pré-candidato e não deveria ter cedido a mais um banho de multidão-audiência pela obsessão que tem pelos ecrãs. Para quê isto?





O problema dos 38 minutos da "Despedida de Marcelo", o comentador, foi terem sido 38 minutos de "Boas-Vindas a Marcelo", o candidato. Estiveram mal a TVI e Marcelo. A TVI porque a sua Direcção de Informação traiu os princípios do pluralismo e do contrato ético com o público. Fazer uma festa a um pré-candidato presidencial no principal noticiário é novidade absoluta num canal em sinal aberto em qualquer país do mundo. A festarola, nada ortodoxa, como disse um dos apresentadores, ocupou dois terços do noticiário. Teve humor, brincadeiras, memórias de muita alegria e saudade ("ah, lembram-se daquela vez que…"), mas, no jornalismo, actividade organizada e com um código ético, não vale tudo na perspectiva de obter o máximo público: a isso se chama justificar os meios com os fins.

Marcelo também esteve mal porque domingo já era pré-candidato e não deveria ter cedido a mais um banho de multidão-audiência pela obsessão que tem pelos ecrãs. Para quê isto? Ao longo dos anos procurou e conseguiu ser o mais invulgar e mais importante dos comentadores políticos (e políticos comentadores), alcançando uma posição, única no mundo, que tornava desnecessária esta encenação. Para mais, tendo dito que sairia da TVI se se candidatasse, afinal não saiu, porque lá voltou três dias depois. E acabou por responder a perguntas relacionadas com a candidatura.

Se a TVI e Marcelo queriam fazer uma despedida genuína, alugavam um espaço, filmavam a coisa e passavam 30 segundos no noticiário. Mas não foi uma festa genuína. Foi um programa para a TVI e Marcelo ganharem de novo a batalha das audiências, contra princípios éticos.

O incidente chama a atenção para o facto de, até agora, não se debater a cobertura mediática das presidenciais. Nas legislativas não se falou doutra coisa. Deputados, CNE e ERC decretaram, os media pronunciaram-se abundantemente. Agora? Todos calados. Quando os pré-candidatos forem candidatos oficiais, todos serão iguais e sem representatividade prévia, ao contrário do que sucede com os partidos. A única representatividade será a da própria candidatura. Darão os media a mesma atenção a cada um? Entrevistarão todos por igual? Organizarão debates ou frente-a-frente? Televisões e rádios voltarão a fazer "vaquinhas" com candidatos "principais", como nas legislativas? Com base em quê, sondagens? Tratarão do mesmo modo Paulo Morais e Marcelo? Maria de Belém e Henrique Neto? Por agora, tratam os pré-candidatos de modo desigual, mas, durante a campanha, como farão? Vá, digam.

Eduardo Cintra Torres

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