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Paulo Morais: «Cavaco Silva não se dá ao respeito»

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O candidato presidencial Paulo Morais disse na quinta-feira à noite que o Presidente da República “teve uma atitude tardia” ao não ter convidado o líder da coligação que ganhou as eleições nas 48 horas seguintes às eleições.




Impass(os)

Passada uma semana sobre as eleições, Portugal continua sem governo. Passos Coelho foi mandatado pelo Presidente da República (PR) para encontrar uma solução governativa e, até agora, nada propôs. Passos esteve mal. Mas mal esteve também António Costa: o líder socialista tem andado à procura duma solução de governo, sem mandato para tal.

Ao consentir estas atitudes, Cavaco Silva não se dá ao respeito, desprestigiando a função presidencial. Mas afinal o que deveria ter feito o PR? A seguir às eleições, ouvia todos os partidos com assento parlamentar – o que não fez. De seguida, Passos, que tem direito a tentar formar governo, seria chamado a encontrar uma solução em 24 horas. É, aliás, essa a sua obrigação (mais que o seu direito!).

Caso se mostrasse incapaz para a missão (o que já se verifica), seria convocado o segundo partido, o PS, a apresentar a sua solução. E se este também falhasse, poderia ainda ser convidado o Bloco de Esquerda. Há países bem desenvolvidos, como a Dinamarca, onde o líder do governo pertence ao terceiro partido. Todas estas diligências deveriam, no conjunto, demorar menos de uma semana. Mas, como o PR não soube gerir o processo com proficiência, ainda não há governo nem sequer solução à vista.

Paulo Morais

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ACTUALIZAÇÃO: 22-10-2015

O candidato presidencial Paulo Morais disse na quinta-feira à noite que o Presidente da República “teve uma atitude tardia” ao não ter convidado o líder da coligação que ganhou as eleições nas 48 horas seguintes às eleições.

“O Presidente da República, Cavaco Silva, e de uma forma geral, toda a classe política, tiveram uma atitude tardia. Aquilo que o presidente fez hoje, deveria ter sido feito nos dois dias seguintes às eleições legislativas”, disse à agência Lusa Paulo Morais.

No entender de Paulo Morais, o Presidente da República deveria ter recebido no dia seguinte às eleições todos os partidos com assento parlamentar “e, nesse mesmo dia, deveria ter pedido a Pedro Passos Coelho que encontrasse no prazo de 48 horas uma solução governativa”.

“Ao não o ter feito, o Presidente, que deve ser um garante da estabilidade, acabou com o seu silêncio por criar uma grande instabilidade na sociedade portuguesa e, até medo, porque as pessoas com as incertezas ficam angustiadas e receosas”, frisou Paulo Morais.

Para o candidato, o tempo decorrido desde as eleições até agora, “apenas serviu para criar clivagens na classe política, porque ao longo destes quinze dias, aquilo que se assistiu na comunicação social e nas redes sociais, foram clivagens que levaram à criação de duas claques, uma em defesa da coligação e outra que defendia a dita maioria de esquerda”.

Paulo Morais considerou que o Presidente da República “teve a responsabilidade de tudo isso, ao deixar passar demasiado tempo, sem que se registassem alterações no programa dos partidos, criando-se a ideia de que havia aqui um concurso para disputar um lugar de primeiro-ministro”.

“Passos Coelho deveria ter sido indigitado primeiro-ministro e encontrado no enquadramento parlamentar uma solução governativa, tendo também a obrigação de formar Governo enquanto líder do partido da coligação com mais deputados eleitos”, sublinhou.

Na opinião de Paulo Morais, “se decorridas 36 ou 48 horas após a indigitação, Pedro Passos Coelho não conseguisse formar um Governo, então o Presidente da República deveria chamar o líder do segundo partido com maior percentagem de votos”.  tvi24

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