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«Recusa do PS em comemorar o 25 Novembro é estranha»

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O PS não só saltou o muro, como se instalou no outro lado.


Sejamos claros: toda a gente foi a favor do 25 de Abril, menos um punhado de adeptos do antigo regime. Essa unanimidade baseou-se no facto de o programa libertador do MFA ter uma abrangência ampla de liberdade, abarcando todos. Um ano e meio depois, no 25 de Novembro, o país estava dividido. Houve vencedores e perdedores. Curioso é o facto de um dos principais vencedores querer agora estar ao lado dos vencidos.

O PS, ao tentar boicotar qualquer comemoração dos 40 anos da data que devolveu a democracia plena a Portugal, não só pondo fim às tentações hegemónicas e totalitárias do PCP como mantendo intactos os direitos de quem queria impor essa linha ao país, saltou definitivamente o muro e instalou-se do outro lado.

Ontem, na SIC Notícias, o que ouvi João Galamba dizer não se distingue substancialmente do que diria qualquer membro do PCP: “Prefiro festejar o 25 de Abril”. Galamba é novo, mas já tem idade para saber que sem o 25 de Novembro não festejaria este 25 de Abril das liberdades, da diversidade e do pluralismo, mas provavelmente um outro com paradas, pioneiros, bandeiras unicolores e coisas assim, acaso, pelo meio, não tivesse eclodido uma guerra civil, como esteve perto.

A recusa do PS em comemorar os 40 anos do 25 de Novembro é estranha, ou mesmo grave. O PS foi o principal vencedor dessa data que pôs termo aos desvarios do PCP e da extrema-esquerda e permitiu que Portugal fosse uma democracia plena. Ou os socialistas se sentem amarrados aos seus novos parceiros ou, o que é pior, mudou de natureza política e envergonha-se do seu passado.

Henrique Monteiro, expresso2015

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