Posts do momento

Jorge Tomé pede investigação judicial à venda do Banif - Suspeitas graves!

0 0



Jorge Tomé concedeu na quinta-feira (24 Dez) uma entrevista à SICN que será, seguramente, uma peça importante para deslindar o puzzle da resolução do Banif no passado fim-de-semana, com os custos para os contribuintes que já estão identificados. O presidente executivo do Banif deixa cair suspeitas graves sobre a actuação e motivações do Banco de Portugal e de Carlos Costa. Em dez pontos.

1. Defendeu a sua gestão no Banif e a reestruturação que permitiu a correcção dos desequilíbrios que o banco tinha quando entrou. Reconhece que não consegui pagar a tranche de 125 milhões de euros ao Estado e que, com mais tempo, conseguiria fazê-lo.

2. Rejeitou a ideia de existência de buracos no banco e até lembrou que o actual responsável da supervisão no Banco de Portugal (António Varela) era administrador não executivo em nome do Estado, accionista com mais de 60% do Banif. E que Varela sabia do rigor das contas.

3. Recordou os efeitos negativos de uma notícia da TVI24 na confiança do banco e no levantamento de depósitos.

4. Reconheceu que na quinta feira seguinte à notícia, ainda assim, tinha propostas para a compra da participação do Estado no Banif melhores do que aquela que foi decidida. Inclusivamente da parte do Santander.

5. Afirmou desconhecer que o Banif teria perdido o estatuto de contra-parte do BCE, e disse estranhar que tal fosse verdade, até porque apesar das restrições de liquidez, alegadamente por causa da dita notícia, o Banif estava a funcionar normalmente e em melhores condições do que estava quando entrou em funções.

6. Deixa implícita uma suspeita, grave, a de que o Banco de Portugal negociou a venda dos activos do Banif ao Santander por baixo da mesa e de forma pouco transparente.

7. Denuncia explicitamente que a operação de venda de activos do Banif serviu para pôr os contribuintes a financiarem o fundo de resolução e na pratica os bancos do sistema. Como? Ao transferir para o fundo de resolução activos do Banif a um preço de saldo que depois serão vendidos com mais valias. A compensação por essa transferência é assegurada pelo cheque que é passado pelos contribuintes.

8. Considera que o anterior governo e a ministra das Finanças não fizeram tudo o que podiam para vender o Banif, acusa a Comissão Europeia de ter inviabilizado sempre os planos de reestruturação do banco de forma premeditada porque queria liquidar o Banif. E acrescenta que o actual governo foi confrontado com uma situação de facto por parte do Banco de Portugal e não teve outras alternativas.

9. Revela que até quinta-feira passada tinha garantias do Banco de Portugal de que não haveria resolução e acrescenta que foi surpreendido na sexta-feira e afastado de todas as decisões.

10. Vai revelar tudo na comissão de inquérito e pede investigação judicial à venda do Banif.

Numa entrevista de 50 minutos, claro, não seria possível fazer todas as perguntas. Ficaram algumas por fazer, dúvidas e mais esclarecimentos sobre os últimos três anos, o que fez, o que fez o accionista Estado e o supervisor. Na comissão de inquérito, vai haver tempo para isso e para muito mais.

António Costa, jornalista

Partilhe este artigo

Post Anterior
Prev Post
Próximo Post
Next Post
comentários blogger
comentários facebook

0 comentários blogger

Enviar um comentário