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Enganar meninos - Paulo Morais

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Enganar meninos.


Dos dois aos cinco anos, cada criança passa cerca de 23 horas por semana em frente ao pequeno ecrã.


As crianças portuguesas estão completamente à mercê desse veneno social que é a publicidade dirigida a menores. As mensagens publicitárias apoderaram-se da intimidade de cada miúdo, e conseguiram-no sobretudo através da televisão.

Dos dois aos cinco anos, cada criança passa cerca de 23 horas por semana em frente ao pequeno ecrã. São mais de três horas por dia, mais do que convivem com os pais ou os irmãos. É a actividade mais frequente para mais de 90% das crianças, cujos verdadeiros encarregados de educação são, assim, os aparelhos de televisão.

Cada miúdo é bombardeado, em média, por 25 mil anúncios por ano. Como as crianças não filtram as mensagens publicitárias nem a distinguem da restante comunicação, estas doses maciças de propaganda constituem autênticas lavagens aos cérebros dos mais novos. Que se convertem maioritariamente em consumidores compulsivos, sendo este efeito tanto mais grave quanto mais carenciado é o seu meio socioeconómico.

As consequências estão aí, são dramáticas em termos sociais e familiares. O primeiro dos efeitos é a estandardização de comportamentos. Os miúdos vestem da mesma forma, adquirem os mesmos brinquedos. E não só na infância, mas também ao longo da vida, a uniformização dos comportamentos virá a limitar o sentido crítico dos futuros adultos.

Em segundo lugar, surgem os problemas de saúde derivados de maus hábitos alimentares, resultantes duma publicidade que apela em permanência ao consumo de comidas pouco saudáveis. A obesidade infantil afecta já hoje inúmeras crianças em Portugal. Destas, entre 50 a 80% virão a ser adultos obesos e sofrerão todos os graves problemas que daí decorrem.

Além do mais, muitos dos brinquedos apelam insistentemente a atitudes violentas, com a consequente influência negativa no comportamento hiperactivo das crianças, a indisciplina nas escolas e até a violência.

Poderia evitar-se tudo isto, proibindo ou limitando a publicidade dirigida a menores, como acontece na Europa civilizada.

Para todos aqueles políticos que tanto clamam por mais Europa, aqui está uma bela forma de a obterem.

Paulo Morais
CM

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