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«Não temos condições para salvar mais bancos. O país está a esvair-se» Raquel Varela

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Este ano já salvámos 2 bancos e ainda o ano vai a meio. Desde 2008 foram colocadas na banca privada e privada-pública o equivalente a perto de 1/3 do PIB.

Metade dos activos da banca mundial eram «sombra» em 2012, segundo o próprio G20.

Não são os Estados que dependem dos mercados, são os mercados que dependem dos Estados. Um Banco nunca faliu por falta de pagamento do Estado, os Estados estão a falir por pagar a Banca falida.

O SNS, as escolas, a justiça, o bem público está em causa.

A ideia de que não há escolhas face ao colapso do sistema bancário é no mínimo estranha. Outra premissa por provar é que a Caixa é um banco público. É? Depende. A parte que está a ser recapitalizada é, com nome e morada, a parte de negócios privados. Há várias formas de resolver a semi falência da Caixa - e há outras que estão por inventar.

Os seres humanos caracterizam-se pela invenção de resolução das questões colectivas e individuais e não pelo mimetismo sistemático do passado - se assim fosse estávamos a recolher bagas na floresta em vez de andar em aviões.

A Caixa não deve ser recapitalizada, na minha opinião - porque isso vai elevar a dívida e os cortes no Estado Social para a pagar - deve haver expropriação de activos de todos os bancos salvos, aliás prevista na lei, e ser criado um banco público sob controlo público, que não é o mesmo que um banco público de gestores partidários para fazer negócios privados, garantidos por impostos gerais. Devem ser garantidos os depósitos individuais - até um valor médio, porventura 50 mil euros -e o resto falir, começar de novo. Estou convencida de que não há outra forma de salvar o país.

Raquel Varela
Historiadora. Investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova.

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