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A Europa morreu há muito mais de vinte anos

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A "Europa" morreu há muito e hoje os portugueses não passam de um incómodo e de um prejuízo para a Alemanha e para os países que dependem dela. Nem assim Portugal percebe que não é e nunca foi europeu.



31 de Outubro a 5 de Novembro, 2016


Segunda-feira

Dizem que por pressão de Angola e dos negócios do petróleo, Portugal aceitou a Guiné Equatorial (um antigo protectorado espanhol) na CPLP. A Guiné Equatorial é uma ditadura, governada desde 1979 à maneira norte-coreana, por um indivíduo chamado Teodoro Obiang e pelo filho Teodorino Obiang, um gangster internacional procurado pela polícia francesa. Neste paraíso dos direitos do homem continua a existir pena de morte e a máquina de repressão que produz para o pai Teodoro maiorias de 98 por cento dos votos. Muito bem, não se pode pedir perfeição a toda gente. Mas talvez se pudesse pedir ao Estado português, que se rege teoricamente por outros princípios, que não admitisse a Guiné Equatorial na CPLP, tanto mais que a população só fala francês, vagamente espanhol e umas tantas línguas tribais. Não foi esse o parecer das cabecinhas que nos pastoreiam. Pior ainda, sem discutir a coisa (e nem sequer a revelar), o primeiro-ministro e o Presidente da República resolveram agora, por sua alta recriação, propor que, como na Commonwealth, os naturais de qualquer país da CPLP gozassem em Portugal dos mesmos direitos dos portugueses (incluindo o direito à residência). Não é preciso ser bruxo para perceber que esta enormidade (que viola Schengen e vai irritar profundamente a “Europa”) tresanda a petróleo ou a negócios de petróleo. Nós sempre vivemos numa pobreza envergonhada. O dr. Costa e o dr. Marcelo perderam a vergonha.

Sexta-feira

Os portugueses nunca deixarão de me espantar. Uns berram por aí indignados contra a “austeridade” da “Europa” e não querem pagar o que lhe devem; outros persistem ainda em dar conselhos para o regresso dos bons tempos do crescimento e do pleno emprego (que acabaram por volta de 1968-69) e para a ressurreição de um mito, que só circunstâncias de acaso, inteiramente irrepetíveis, permitiam. A “Europa” morreu há muito mais de vinte anos e hoje os portugueses não passam de um incómodo e de um prejuízo para a Alemanha e para os países que dependem dela. Mas nem assim Portugal percebe que não é e nunca foi europeu. Mesmo quando a França (segundo o sr. Hollande) aldraba as contas do défice – de resto com o incitamento e a cumplicidade do sr. Barroso e do sr. Juncker – não alvorece no pequeno cérebro nacional que Bruxelas não levantará um dedo para nos tirar de sarilhos. Para a Alemanha, e mesmo para a França, só contam os países, ou as regiões, do antigo império soviético entre Riga e Trieste. Portugal e a periferia mediterrânea (excepto a Espanha) são restos de uma política confusa, que se tem tarde ou cedo de liquidar e que, entretanto, precisam de se resignar a viver numa miséria recatada e cumpridora. Nem a bofetada que o sr. Hollande aplicou aos nossos patriotas de trazer por casa os vai acordar. Afinal, não passámos séculos – como Belgrado e Bucareste – a imitar a França?
(fonte: observador)

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