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Robert Sherman não era o diplomata-padrão do croquete e da conversa mole

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Para a maior parte de nós, Robert Sherman foi o embaixador que "viralizou" [verbo cretino] nas redes sociais a apoiar a selecção no Euro. Foi o homem que levou a Embaixada dos EUA em Portugal aos quatro cantos do país, a conhecer Portugal e a dar-se a conhecer.
Para mim foi o homem que aceitou um convite delicado da Transparência e Integridade, Associação Cívica, em Maio de 2015, para vir falar de lóbi. E veio. E falou, frontalmente, sobre a inteligência da regulação, sobre o jogo do gato e do rato entre reguladores e regulados, sobre a captura da política e sobre o financiamento partidário, sobre as boas e más lições do seu país. Percebi nesse dia que Robert Sherman não era o diplomata-padrão, do croquete e da conversa mole. Foi um amigo e um parceiro de Portugal, para que o era fácil e para o que era difícil. Farewell, Mr. Ambassador. You will be missed.

João Paulo Batalha
Director Executivo - Transparência e Integridade, Associação Cívica


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Embaixador EUA: "Portugal não precisa de esperar mais pelo rei Sebastião, ele já regressou"


"Acreditem em vocês próprios", disse o diplomata aos portugueses. No seu discurso de despedida, o diplomata norte-americano fez questão de sublinhar que os portugueses estão hoje mais optimistas do que há três anos.


"Esta foi uma grande experiência em Portugal. Foi um emprego de sonho. E foi uma grande experiência porque observei a evolução de Portugal. De um país que não acreditava em si mesmo, que não pensava que podia desempenhar um papel importante a nível mundial, para um país que está a fazer coisas importantes no campo da tecnologia, no mundo da política, como no caso do António Guterres, e também no mundo do desporto com a vitória no Euro. Daqui a uns anos vou poder dizer, 'eu estava lá quando teve lugar esta grande transformação'", disse esta sexta-feira, 13 de Janeiro em Lisboa.

No momento de despedida dos portugueses, o embaixador deixou um conselho: "Acreditem em vocês próprios, e se jogarem em equipa, podem alcançar grandes coisas, tal como a selecção fez". E também não poupou nos elogios. "Os portugueses são as pessoas mais bondosas, calorosas, e acolhedoras que eu já encontrei em qualquer lugar do mundo. E vou ter-vos no meu coração para sempre".

No seu discurso de despedida perante mais de duas centenas de cidadãos portugueses e norte-americanos, o embaixador recordou quando chegou a Portugal há mais de dois anos. "Encontrei as pessoas muito derrotadas, que me diziam 'não conseguimos fazer isto, não conseguimos fazer aquilo'. Diziam-me, 'somos um pequeno país produtor de vinho, não conseguimos exportar. Ou então, 'não conseguimos vender os nossos produtos nos Estados Unidos a não ser para os portugueses que lá vivam'. E perguntaram-me até: Onde é que estão os americanos para nos ajudar?'".

"Uma vez perguntaram-me: 'os americanos tem uma opinião negativa dos portugueses?' E eu respondi que os portugueses é que têm uma opinião negativa dos portugueses, os americanos não conhecem Portugal", afirmou.

Comparou assim esta atitude com o sebastianismo e o regresso esperado do rei desaparecido na guerra em Marrocos há mais de 400 anos."Era como se os portugueses não tivessem a capacidade para resolverem os seus problemas e precisavam de um milagre ou do regresso do jovem rei".

Constatou que "existia uma atitude de auto-comiseração. Este pessimismo estava a corroer as pessoas. E eu não percebia isso, porque é que os portugueses têm tanta falta de confiança em si próprios"

E enumerou as várias qualidades que encontrou de Portugal durante o seu mandato. "Um país com beleza, com história, boa comida, bom vinho, uma nova geração cheia de ideias, com empreendedores. E sim, também as praias e o sol, mas também a generosidade e a bondade dos portugueses".

Concluiu então que "Portugal não precisa de esperar mais pelo rei Dom Sebastião, ele já está cá".
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