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«Salgado e Sócrates são gémeos no mal» Paulo Morais

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É imperioso que Ricardo Salgado seja rapidamente julgado. E perca, pela via do confisco de Estado, toda a sua fortuna. E ainda que os seus bens revertam a favor do povo português, cujos recursos e riquezas Salgado sugou durante décadas.



Salgado e Sócrates: duas faces da mesma moeda?

Ricardo Salgado e José Sócrates são gémeos no mal. Salgado é filho do capital e usou sempre o poder para ganhar mais dinheiro. Por outro lado, Sócrates é filho da política e usou o dinheiro para ganhar mais poder. No final, ambos ganhavam mais poder; e mais dinheiro. Pelo que a investigação das luvas pagas por Salgado a Sócrates, no Processo Marquês, é o corolário lógico de uma longa ligação de cumplicidade.

Ricardo Salgado (RS) perpetrou em Portugal, com o beneplácito de Sócrates – mas não só – incontáveis moscambilhas. O seu grupo, o Grupo Espírito Santo (GES), esteve sempre sob suspeição da justiça. Mas só depois de Sócrates sair do governo, e Pinto Monteiro da Procuradoria da República, Salgado foi minimamente incomodado. RS esteve envolvido, a par do seu sócio Bataglia, no negócio corrupto de aquisição de submarinos alemães, foi figura central no escândalo fiscal Operação Furacão. No conturbado processo de privatização da EDP, assessorou os chineses na compra, num caso suspeito de tráfico de influências… Um sem-fim de casos pouco claros, ao longo de anos. Mas foi durante a governação de Sócrates que RS cometeu os seus maiores desmandos.

Com o apoio político do primeiro-ministro de então, conseguiu controlar a Portugal Telecom, levando na prática a empresa à falência e canalizando os seus activos para o GES. É caso para dizer que Salgado matou um colosso empresarial, uma referência histórica, a PT, com as munições que Sócrates lhe forneceu. Foi também neste período negro da vida nacional que se contratou a maioria das parcerias público-privadas (PPP). Neste modelo de negócio, o governo garantiu por lei, em 2010, rentabilidades milionárias aos concessionários privados, a troco de risco... zero! O Estado assumiu todos os riscos e aos privados permitiram-se todos os ganhos.

E quem era o banco central neste negócio ruinoso? O BES, claro. Ao mesmo tempo, RS detinha na sua esfera a Opway, construtora de PPP rodoviárias, para cuja presidência tinha convocado Almerindo Marques, oriundo directamente da Estradas de Portugal, que tutelava a rodovia nacional a mando de Sócrates. Também nos negócios internacionais, Salgado teve o apoio de Sócrates. O BES foi um dos actores principais no processo Mensalão, caso de podridão política no Brasil em que esteve envolvido o amigo de Sócrates, Lula da Silva, e a PT controlada por Salgado.

Também em Angola, o BES (Angola) fez desaparecer cerca de cinco mil milhões de dólares em empréstimos sem garantias a familiares e protegidos de Eduardo dos Santos, com prejuízos claros para o BES (Portugal). Mas em nada as autoridades portuguesas beliscaram Salgado. O defensor de RS em todos os processos administrativos e judiciais seria sempre o grande amigo e advogado de Sócrates Daniel Proença de Carvalho. E, mesmo quando no palco mediático eram manifestas as suas ilicitudes, Salgado actuou sempre com impunidade. Até quando apanhado pelo fisco alegou que se tinha esquecido dum rendimento pessoal de 12 milhões de euros – mas nem o fisco o penalizou, nem o Banco de Portugal erradicou da actividade financeira um personagem tão “distraído”. O “animal feroz” Sócrates sempre garantia que ninguém beliscaria o seu aliado. Sócrates será, em breve, acusado e submetido a um julgamento que se exige justo e imparcial.

No final, seja qual for o veredicto, Sócrates será sempre responsável pelo enorme dano que causou a Portugal. Mas para que seja verdadeiramente feita justiça, é imperioso que Ricardo Salgado perca – na sequência deste processo e pela via do confisco de Estado – toda a riqueza que Sócrates lhe deu a ganhar. Partilho o meu artigo no Jornal i.

Paulo de Morais

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