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«Dá vontade de dizer que se vai para férias com a morte na alma» Nuno Rogeiro

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Os sobrevoos de ligeiros em praias densamente povoadas sempre foram terrivelmente perigosos, e por isso possuem severas restrições. No papel e na lei.
Incluindo, no caso das praias, o disposto no DL 309/93, art. 5, 2p.
Isso não impediu a morte de inocentes na Costa.
Dá vontade de dizer que se vai para férias com a morte na alma.




PARTE II
Como há quem comente sem ler os «posts», regresso a um tema funesto.
Expliquei que, apesar das normas legais em vigor ( e em especial o DL 309/93), o sobrevoo de praias cheias, durante a época balnear, é particularmente perigoso. A interdição de voo a menos de mil pés, ínsito no artigo 5, 2p, do mesmo diploma, é alias consequência disso.

Tenho muitos amigos pilotos de aviões ligeiros, e muitas horas de voo com os mesmos (civis e militares).

Passei já por várias emergências, em Cessa push pul 02 (Skymaster) e em Cessna bimotor (numa das ocasiões, quando investigávamos o desastre de Camarate).

Na consideração dos vários valores envolvidos numa aterragem de emergência, há a ter em conta - e todo o piloto profissional tem - o público exterior à aeronave, tripulantes e passageiros, e a integridade do próprio avião.

A ordem de consideração destes factores é evidente.
Por outro lado, na consideração de uma aterragem de emergência, escolher uma praia cheia e uma praia aparentemente deserta é diferente.
Aterrar conscientemente e de forma deliberada numa praia aparentemente vazia pode redundar num erro trágico, mas não parece conduta dolosa.
Aterrar da mesma forma numa praia cheia releva, pelo menos, de dolo eventual: o actor tem de prever razoavelmente as consequências do acto.

A amaragem também tem riscos, quer para embarcações quer para banhistas e outros nadadores. E para a tripulação, e para o meio ambiente (haja ou não combustível a bordo), etc.

Mas não se comparam aos perigos de descida sobre uma praia cheia. CHEIA.

Este é um ponto fundamental. porque o valor em causa aqui é o da vida humana inocente, e não o do custo material da aeronave, ou do risco de vida - sempre calculado - dos pilotos e passageiros.

PS- Alguém menos responsável disse aqui que a solução de amaragem, neste avião, seria «suicídio». Temos de ter cuidado com as palavras, porque logo no mesmo registo alguém virá dizer que a aterragem em praia cheia releva de «homicídio».

Nuno Rogeiro

vídeo do acidente mortal com avioneta na Caparica

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