Portugal Glorioso: Parlamento
Mostrar mensagens com a etiqueta Parlamento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Parlamento. Mostrar todas as mensagens

Paulo Morais arrasa o Parlamento: Precisamos duma revolta!

 ● 18/07/19 coment

Assembleia da República dos Interesses

A reputação do Parlamento português está pelas ruas da amargura. Para tal contribuiu uma maioria de deputados que traficam todas as influências, que personificam a promiscuidade entre negócios e política. A função parlamentar abastardou-se, talvez de forma definitiva. (artigo no: Jornal i)



O Parlamento que agora cessa funções com o fim da Legislatura, que termina os seus trabalhos a 19 de Julho, não é mais do que um centro de negócios privados. A maioria dos Deputados (do PS, PSD e CDS) passaram os últimos quatro anos a tratar da sua "vidinha", traficando influências, envolvendo-se em esquemas de corrupção. Os Deputados do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda foram cúmplices, pelo seu silêncio.

O Presidente da República, que deveria ter dissolvido o Parlamento há muito tempo, não sabe (ou não pode?) dar uma vassourada nesta pouca-vergonha. O Povo sofre, calado, anestesiado, quieto. Precisamos duma revolta!
Paulo de Morais
Ler mais

«O Parlamento português envergonha o País»

 ● 28/06/19 coment
Paulo de Morais: E porque não dissolveu o Presidente esta Assembleia? Que interesses o impediram?



O PARLAMENTO PORTUGUÊS ENVERGONHA O PAÍS (I)
A ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA TRANSFORMOU-SE NUM ANTRO DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS. Em todas as áreas.

NA COMISSÃO PARLAMENTAR DE ECONOMIA

Estão ligados a interesses privados, de forma muito activa, os Deputados:
António Topa (PSD, Empri, Empreendimentos Imobiliários, S.A.),
Emídio Guerreiro (PSD, Garcia, Garcia S.A.),
Fátima Ramos (PSD, Hotel Parque Serra da Lousã),
Hortense Martins (PS, Associação dos Hoteis de Portugal),
Joel Sá (PSD, Edibarcelos, S.A.),
Hugo Pires ( PS, CRIAT),
Paulo Rios de Oliveira (PSD, ENOFORUM - Comércio e Exportação de Vinhos, S.A.),
Luís Moreira Testa (PS, Fundação Renal Portuguesa), Pedro Coimbra (PS, Delta 2014 - Investimentos e Consultoria).

NA COMISSÃO PARLAMENTAR DE SAÚDE

Estão ligados a interesses privados os Deputados:
António Sales (PS, Grupo Sanfil),
Fátima Ramos (PSD, ADFP),
Isabel Galriça Neto (CDS, “LUZ Saúde”),
Isaura Pedro (PSD, “Clínica Doutor Benjamim Pedro”),
José António Silva (PSD , “João, Pedro & José António Silva”),
Maria Antónia Almeida Santos (PS, “Fundação Renal Portuguesa”),
Ricardo Baptista Leite (PSD, “Fundação Renal Portuguesa”).

Na COMISSÃO DE AGRICULTURA E MAR

A lista de deputados promíscuos (com negócios nas áreas que tutelam) é extensa:
Joaquim Barreto está ligado à "Rural Basto" e à "Mútua de Basto",
Pedro do Ó Ramos à "Robocork" e à "Valor Inevitável",
Norberto Patinho à "Fundação Alentejo",
Maurício Marques à "MRV - Equipav" e "MRV-Construction";
já António Lima Costa serve os interesses da "Caixa de Crédito Agrícola Douro e Côa" e Nuno Serra os da "Mar e Rio Empreendimentos Marinhos".

Há mais! Mais empresas, alguns outros deputados, muitos são advogados e defendem interesse de todo o tipo de empresas!

Estes deputados tratam do interesse dos portugueses ou os interesses privados das empresas a que estão profissionalmente ligados? Defendem, em primeiro lugar, o interesse de alguns portugueses, o deles próprios e dos seus parceiros de negócios. Que anda o Presidente do Parlamento a fazer para não detectar esta vergonha? E a sub-comissão de Ética do Parlamento ainda existe? E quem permite esta promiscuidade, este conflito de interesses, real e permanente? O tráfico de influências institucionalizou-se, a Democracia definha. E porque não dissolveu o Presidente da República esta Assembleia? Que interesses o impediram?
(Continua)
Paulo de Morais
Ler mais

«Mais uma vez, o Parlamento envergonha-nos» Paulo Morais

 ● 13/04/19 coment

a ética tirou férias





Mais uma vez, o Parlamento envergonha-nos. Os deputados legislam em interesse próprio, garantem regalias para si mesmos. Acham que podem aceitar viagens de borla. Nada mais errado! Quem exerce um cargo político, quando viaja oficialmente, deverá ser o Parlamento a pagar a sua viagem, como sucede em qualquer empresa ou Universidade. Quando o faz a título particular, que pague do seu próprio bolso. Se não souber distinguir o que é oficial do que é particular, deve sair da Política!

Acresce que esta Lei ainda vai amnistiar, de forma retroactiva, os deputados que viajaram, indevida e ilegalmente, a expensas da Galp, aquando do Europeu de Futebol. No PSD e no PS, a ética tirou férias (com o apoio do PC(!))

Paulo de Morais
Ler mais

Lista de subvenções políticas foi escondida dos portugueses

 ● 18/11/18 coment

Governo decide ocultar lista de subvenções dos políticos

O Governo decidiu ocultar da Internet as subvenções vitalícias dos políticos há dois meses. O ministério da Segurança Social justificou a decisão de deixar de divulgar os beneficiários das «pensões douradas» com o novo regulamento da Protecção de Dados, mas esta entidade diz que não foi chamada a pronunciar-se sobre o assunto, de acordo com Clara Guerra, porta-voz da Comissão Nacional de Protecção de Dados, em declarações à edição desta segunda-feira do JN.

Em 2019, as subvenções custarão sete milhões de euros, mas deixou de se saber quem recebe o quê. Informação pública ocultada dos portugueses. (Observador 29-10-2018)

O secretismo político
video:

adenda: 23-07-2019

PS deixa cair lei que obrigava a publicar lista de subvenções vitalícias

O PS suspendeu, em Agosto do ano passado, a publicação da lista das subvenções mensais vitalícias. Situação continua por resolver. (expresso)

"O PS prometeu (e não cumpriu) apresentar uma lei que permitisse publicar as listas de políticos que recebem subvenções vitalícias. Agora descobriu o que a Transparência e Integridade sempre disse: essa lei não é necessária. O deputado Pedro Delgado Alves dá-nos razão: nada impede a publicação da lista. Então porque está o Governo a bater-se em tribunal contra a Transparência e Integridade para ocultar essa informação? Em matéria de transparência e prestação de contas, o PS do Governo e o Governo do PS não batem certo". (Transparência e Integridade)

Ler mais

Parlamento tem sido «centro de corrupção»

 ● 17/11/18 coment

Paulo Morais acusa Parlamento de ser "centro de corrupção".

"O centro de corrupção em Portugal tem sido a Assembleia da República, pela presença de deputados que, simultaneamente, estão no Parlamento e pertencem a grandes empresas". Ou seja, no Parlamento estão representados Bancos, escritórios de advogados, empresas...todos! Todos, menos o povo português". Morais deixa a pergunta: "estes parlamentares estão a representar o povo que os elegeu, ou as empresas que lhes pagam?" (video Paulo Morais na SIC-2012)



"Quando o próprio Parlamento é ele fonte de corrupção, como é que pode ao mesmo tempo combater a corrupção?"


Ler mais

«Portugueses podiam viver magnificamente se não existisse corrupção»

 ● 16/05/18 coment

Paulo Morais: "Gostava de ver o património da família Salgado confiscado pelo Estado português"



Corrupção em Portugal

Numa entrevista ao jornal "i"Paulo Morais acredita que os "portugueses estão fartos" da corrupção e defende que a grande adesão a mecanismos informáticos para tratar de assuntos financeiros e administrativos (como a entrega do IRS pela Internet) é uma prova de tal.

O político destaca alguns casos específicos de corrupção que ficaram famosos – enumera a Expo 98, o Euro 2004, os submarinos, as Parcerias Público-Privadas ou o BPN (um caso que diz ter custado 7 mil milhões de euros aos portugueses). "Este sistema está dominado pela corrupção e os portugueses podiam viver magnificamente se ela não existisse", refere.

Fala ainda do caso das Minas de Neves Corvo (a segunda maior jazida de cobre do mundo) e pergunta-se o que beneficia o Orçamento de Estado destas minas. "É uma situação idêntica à que acontece nos poços de petróleo em Angola, em que o benefício para o povo angolano é quase nenhum".

Ainda sobre este tema, Morais dá o exemplo do artigo 104.º da Constituição Portuguesa que diz que os bens de consumo devem ser taxados de modo proporcional, e são principalmente onerados os artigos de luxo. "Mas em Portugal quem dormir num hotel de luxo paga IVA a 6%; um pobre, que viva num bairro social, paga electricidade com IVA a 23%. Isto é onerar particularmente produtos de luxo?!", pergunta. O presidente da Frente Cívica termina a dizer que a maior corrupção em Portugal é o sistema fiscal.

Paulo Morais acusa também uma "elite com pés de barro" de se preocupar apenas em educar os filhos mandando-os para boas universidades para que "eles tomem conta do aparelho do Estado e eternizem os mecanismos de compadrio e tráfico de influências a que nos habituámos desde meados do século XIX".

A corrupção, porém, não está apenas patente nos organismos políticos: "o que acontece muitas vezes é que quando as pessoas vêem os chefes e os chefes dos chefes envolvidos em esquemas de corrupção, tentam tirar também elas alguma vantagem", defende o presidente da Frente Cívica.

Litigâncias no tribunal

Paulo Morais contou ao jornal i que tem 17 vitórias em tribunal em casos de denúncia, difamação e processos do género, e que o preocupa é apenas a má utilização de recursos públicos usados apenas para "calar uma voz incómoda". (fonte Sábado)
Ler mais

«Este Parlamento mete dó!»

 ● 06/11/15 coment

António Barreto - (fonte: Diário Noticias)

O Parlamento não existe ..

Olha-se para São Bento e o que se vê? Uma casa assombrada. Um Parlamento inútil, inoperante e incapaz. Se alguém tinha dúvidas sobre a qualidade, o valor e o papel da Assembleia da Republica, tem agora matéria para ser esclarecido: um período de um mês, talvez mais, em que o nosso pobre Parlamento revela à luz do dia, a todo o mundo, a sua futilidade, a sua dependência do governo, a sua função de arena de mau gosto, a sua falta de espírito de corpo, a sua ausência de orgulho e a sua deficiência de honra!

Eleitos há mais de um mês, os deputados passeiam-se pela intriga partidária. Só se preocuparam com a eleição do novo presidente, que imediatamente se vestiu de valete de copas, às ordens do seu partido e de um futuro governo ainda em estado gasoso. Aos 230 deputados, não lhes ocorreu reunir, discutir, debater, organizar os seus trabalhos, criar comissões, estabelecer ordens do dia e agendas para os próximos meses, começar a preparar projectos de lei, coligir informação, analisar situações reais nos vários sectores da vida, olhar para a execução orçamental, estudar a sério as PPP, voltar a olhar para os grandes casos que ainda hoje ameaçam a democracia (BPN, BPP, BCP, CGD, PT, Cimpor, BES, GES...) e fazer qualquer coisa que se veja, que interesse ao país e que justifique o vencimento que recebem. Dizem que, desculpa de preguiçosos, estão à espera do programa do governo.

Com a lei eleitoral que temos, não é possível esperar muito mais. Com a disciplina de voto imposta por todos os partidos aos seus deputados, é fácil prever que ninguém, sem autorização superior, tomará a decisão de abrir um livro ou fechar uma porta. Com este sistema de voto por grupo ou sindicato de deputados, a inércia é a estratégia, não fazer ondas é um mandamento. Com o pensamento político próprio de uma brigada, quem ousa ter uma iniciativa sem botas cardadas? Com a falta de tradição institucional, o que importa, tal como os comunistas dizem, são as relações de força, o resto é poesia. Assim é que o Parlamento não reúne, não trabalha, não cria comissões, não tem ideias, não começa a elaborar leis. Está à espera. De quê? Dos chefes. Das negociações secretas entre os partidos da esquerda. Do governo. Do Presidente. Da luz verde do PCP.

Já tudo lhe chamaram. Até nomes que a vergonha e a cerimónia me impedem de repetir. Circo de São Bento foi certamente a alcunha que mais bem lhe colou à pele. Pois bem, o Circo está fechado para obras. A casa da liberdade está devoluta! O Fórum da democracia está mudo!

A situação actual da Assembleia da República não é totalmente inédita e não data apenas deste último mês. Na verdade, é ponto de chegada de um processo gradual de subalternização e decadência de que há numerosos indícios. Vários foram os sinais dados. Aluga-se o hemiciclo para festas e filmes! Nos Passos Perdidos fazem-se exposições! No rés-do-chão canta-se o fado! Nos claustros, come-se sardinha e bebe-se jeropiga! De vez em quando, crianças das escolas brincam aos deputados! Este Parlamento mete dó!
Ler mais

Portugal é o 3º país mais CORRUPTO da Europa!

 ● 22/05/15 coment

"Estão a ser poupados ao pagamento da crise, exactamente aqueles que a provocaram"

O combate que falta em Portugal.

A corrupção em Portugal - Paulo de Morais na SIC Notícias - 2013:
"Em termos do que é a Europa Ocidental, somos o 3º pais mais corrupto da Europa. Foi a corrupção que nos levou à crise, e não a crise que nos levou à corrupção".

(video, excerto de 2 min).

Ler mais

Freitas do Amaral explica como se rouba e engana os contribuintes

 ● 26/04/15 coment
RTP/Episódio 37 de 46. Antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Freitas do Amaral conversa com Vítor Gonçalves, em que conta a sua experiência como ministro no governo de José Sócrates:

"Automóveis, é um exagero monstruoso, automóveis no Estado. Quem controla? Ninguém" (...) "São milhares e milhares de viagens de avião por mês! Ninguém controla. As próprias viagens dos ministros, secretários de Estado, assessores, chefes de gabinete, etc., ninguém controla. afirmou Freitas do Amaral.



Ler mais

MAÇONARIA domina Parlamento português

 ● 17/02/15 coment

Maçonaria recruta no Parlamento

Alegadamente, dos 230 deputados, 206 estão ligados à Maçonaria.


Ler mais

Em 2013, Honório Novo arrasa Salgado e Carlos Costa

 ● 25/11/14 coment

Em 2013, Honório Novo arrasa Salgado e Carlos Costa




Nova Lei sobre a avaliação da idoneidade dos banqueiros

"Se alguém rouba um bocado de comida, é preso e pode ser condenado. Mas um banqueiro que corrigiu três vezes a sua declaração de IRS, envolvendo valores de milhões de euros, esse banqueiro, com esta lei, mantém toda a idoneidade para continuar a gerir dinheiros dos outros?" (Honório Novo, em 2013, um ano antes da queda do BES)

Honório Novo interpela o governador do Banco Portugal sobre a nova legislação relativa à avaliação da idoneidade dos banqueiros.

video:


adenda: 31-01-2019

Banco de Portugal admite rever idoneidade de gestores da Caixa

O BdP está a analisar a auditoria da EY à gestão feita na CGD para avaliar se irá rever a idoneidade de antigos gestores do banco público que ainda estejam em funções.



Ler mais

Paulo Morais foi à AR e «chamou os bois pelos nomes»

 ● 01/08/13 coment



Paulo Morais foi ao Parlamento e disse os nomes, um por um, dos deputados que estão ligados a empresas ou grandes escritórios de advogados e que, simultaneamente, estão na Assembleia da República a fazer leis que dizem respeito aos interesses dessas empresas. Intervenção feita na Sala do Senado da Assembleia da República durante o XV Encontro Público da PASC - Plataforma Activa da Sociedade Civil, sob o tema "Regime de Incompatibilidades dos Deputados da Assembleia da República".
É ouvi-lo desassombradamente na AR através deste vídeo.



NOTA: O primeiro Presidente da República eleito, Manuel de Arriaga, prometeu, “eliminar todos os privilégios que, sendo mantidos à custa da depressão e ofensa dos nossos semelhantes, são para mim malditos”. Em 2018, quando se celebra a República, um dos privilégios mais "malditos" são as PPP rodoviárias; que, como diria Arriaga, tem de ser eliminadas. (Paulo de Morais)
Ler mais

Brutal - Portugal visto por Lobo Antunes

 ● 03/06/13 coment

Nação valente e imortal

Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria.



Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.

Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.

Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.

Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.

Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
visao.sapo.pt
António Lobo Antunes
Ler mais