Portugal Glorioso: Raquel
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«Situação económica dos trabalhadores portugueses é absolutamente insustentável»

 ● 16/08/19 coment

A greve dos camionistas - Raquel Varela



A greve dos motoristas de matérias perigosas esteve em análise na SICN, com Raquel Varela: "O Governo tomou medidas que são absolutamente intoleráveis, anti-democráticas e autoritárias que põem em causa o direito à greve. (...) A greve, sendo um direito constitucional, só pode ser posto em causa no que respeita a emergências. Mas, o que nós assistimos foi à utilização de serviços máximos para abastecer a Marina de Vilamoura..."


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«Furar a greve e manter os lucros da Galp e da Repsol é uma defesa da democracia»

 ● 12/08/19 coment

Os camionistas e a democracia




Segundo percebi a greve dos camionistas por salários de 850 euros é uma ameaça à democracia. Mas ameaçar com o exército para furar a greve e manter os lucros da Galp e da Repsol é uma defesa da democracia. Deixem dar-vos uma pequena lição de história - os vossos direitos elementares democráticos foram todos conquistados por ”operários brutos”. Todos. Até o direito a votar ou a dizer barbaridades.

Em 1 ano o Governo alterou a lei laboral para pior - com o aumento do período experimental - mandou uma camião de vidros escuros de furas greves para Setúbal, fez uma requisição civil aos enfermeiros e agora ameaçam com a tropa contra uma greve por salários que, a rigor, são baixíssimos, porque 850 euros é um salário de mera reprodução biológica, e para quem viva numa cidade não dá sequer para pagar casa e comer. A democracia formal Schumpeteriana vem ao de cima rapidamente, explicando os defensores do Estado e da Geringonça ao povo ignorante que têm o direito democrático de ficar calados. Não poder pagar casa, alimentar decentemente os filhos, devem ir pedir prestações sociais de mão estendida e humilhante. E, se lhes passar pela cabeça questionar a total ausência de democracia no dia a dia das suas vidas, esmagadas, levam com a força bruta do Estado.

Gosto sempre de lembrar que não existe "democracia-burguesa", palavra cassete, aliás. É que a democracia foi conquistada historicamente contra a burguesia pelo movimento operário, que obrigou os burgueses (e a aristocracia) a aceitarem, à força, pelas mãos dos operários sujos e brutos, o sufrágio universal, o direito à greve. Numa palavra os operários explicaram à força que era preciso um conjunto de leis para impedir o uso sistemático da força por parte do poder, ou seja, o mínimo de liberdades e garantias formais.

veja: Fisco perdoa milhões à Banca e Energia

A greve não é justa, é justíssima. Eu não viveria com 850 euros. Nem nenhum político em Portugal o faz. Nem nenhum patrão o faz. Há 20 anos estes homens ganhavam 2 salários mínimos e meio e eram contratados pela Galp e pela Shell. Agora ganham o salário mínimo e são sub contratados por vários intermediários que democraticamente lhes pagam menos de metade. Os portugueses em vez da tradicional inveja, ver quem ganha menos e é mais miserável, ou ter o desplante de os acusar de falta de democracia, risível - é preciso não saber nada de história para o afirmar! - deviam olhar os camionistas e agradecer-lhes. É que este punhado de algumas centenas não se resignam ao miserabilíssimo modelo social português, o país onde todos os dias as pessoas são humildadas, assediadas e levadas ao limite das suas forças nos locais de trabalho - e onde podem democraticamente continuar a suportar todo o tipo de atropelos aos seus direitos fundamentais. Porque quando se entra na porta das empresas a democracia acabou. Sobrando aos trabalhadores uma única forma de se manterem vivos e dignos - pararem de trabalhar. Chama-se a isso greve. Ou seja, repor a democracia.

Se esta greve for furada pelo exército devemos aos camionistas, que resistam, a democracia. Já lhes devemos algo a esta altura, terem mostrado aos patrões que há limites à brutalidade laboral em que há muito se transformou o país.
https://raquelcardeiravarela.wordpress.com
Raquel Varela

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«Nós não salvámos o sistema bancário. Nós salvámos foi banqueiros»

 ● 31/01/19 coment
Raquel Varela: "Uma das coisas que ficámos a saber com esta lista, é que nós não salvámos o sistema bancário. Nós salvámos foi banqueiros".

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Se houvesse uma auditoria a todos os banqueiros que salvámos - com o argumento demagógico de que estávamos a salvar o sistema bancário salvando os banqueiros (na realidade estávamos a destruir os bancos salvando banqueiros) - nenhum português com o mínimo de sentido de justiça social aceitaria um desempregado, um salário baixo, um precário, uma consulta adiada, uma escola sem qualidade. Mas não houve. Nunca é demais recordar que não salvámos o sistema bancário, pelo contrário, ele faliu, e hoje a banca portuguesa não existe - é uma sucursal do Santander. O que salvámos - perdendo milhares de empregos e arrasando o país nos direitos laborais - foram investidores privados. Sim, pelo que foi tornado público esta semana, e é o grande escândalo do ano, o médico que saiu do SNS por ganhar muito mal, o professor exausto, estão a pagar piscinas privadas e campos de golf. Já sabíamos, ver com os olhos doí mais, porém. (Raquel Varela - face):

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"Nós não salvámos o sistema bancário. Nós salvámos foi banqueiros. (...) E a reacção do Estado não foi dizer "mil desculpas e perdões". Não! Foi dizer "ai a lista não devia ser tornada pública". Enquanto não existir um movimento popular a sério, este regabofe vai continuar".

Raquel Varela, RTP3:

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Um dia triste para o Estado Social e o mundo sindical

 ● 21/01/19 coment
Que seja um Governo, apoiado pela esquerda, a inaugurar a requisição civil e derrotá-los pela força é uma desgraça, para todos os que em Portugal vivem do trabalho.
(Raquel Varela)

Um dia triste para o Estado Social e o mundo sindical


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Em 2017 o Tribunal de Contas publicava um relatório onde concluía que tinham aumentado a listas de espera e o tempo médio a aguardar por cirurgia. Não havia qualquer greve. Em dez anos a Banca portuguesa directa e na dívida pública engoliu mais de 50 mil milhões de euros, mais de 30% do PIB. 5 serviços nacionais de saúde. Nunca houve uma requisição civil para evitar esta catástrofe. Nunca houve uma expropriação sem indemnização.

Apesar de terem uma direcção sindical inábil e uma Ordem politicamente comprometida com a Direita, os enfermeiros foram a categoria que foi mais longe em Portugal medindo forças dizendo que os dinheiros públicos devem ser para pagar bem a funcionários dos serviços públicos. Que seja um Governo, apoiado pela esquerda, a inaugurar a requisição civil e derrotá-los pela força é uma desgraça, para todos os que em Portugal vivem do trabalho.

Não foram os enfermeiros que foram derrotados, fomos todos nós que acreditamos no Estado Social. Lamento que o ódio e a fogueira em que foram queimados, os nossos cuidadores, nunca tenha, nem de perto nem de longe, caído sobre os criminosos que geriram as contas publicas em décadas. A rigor é cobardia. A cobardia de aplaudir o Estado forte com os fracos. E considerar um dado adquirido, «inevitável», que ele seja fraco com os fortes.

Deixo aos enfermeiros um conselho, sábio, que não é meu, mas de todos os que me antecederam - numa greve a direcção política é tudo, a greve foi justa, o método certíssimo, o fundo correcto. Falhou a direcção política, uma greve destas exige uma direcção sindical perfeita, que não pode cometer um erro, um só - um dia conto-vos o que é isso da perfeição da direcção, que não é uma quimera mas uma realidade em muitos casos...

António Costa, o meu último conselho é para si - não se vence com a força trabalhadores. Força de lei é um eufemismo para derrota e humilhação. Assim não se gere nada, muito menos uma equipa hospitalar. Dentro de cada bloco operatório estarão homens e mulheres derrotados pela força. As consequências disso medem-se a partir de agora em absentismo, imigração, saída do SNS, burnout, adoecimento, erro, acidente...
Raquel Varela

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