Comparado com a dimensão, os métodos e os objectivos da China em Portugal, o "caso Isabel dos Santos" é quase risível.

Será que um dia um 'whistleblower' fará chegar a um consórcio internacional de jornalistas documentos com aquilo que cá em Portugal fingimos que não vemos, como por exemplo a composição dos órgãos sociais da EDP vendida a um grupo financeiro controlado por Beijing (dez ex-ministros do PS, PSD e CDS na gestão, conselho de administração etc) ou com os 'perdões de dívidas' de centenas de milhões de euros pelo Estado português a empresas chinesas?
Da EDP à banca, da Fidelidade à ferrovia, da Mota-Engil ao imobiliário, do minério ao mar Portugal vende-se lentamente à China, ano após ano, mês após mês. Os governos de turno fingem não saber que os fundos e os grupos chineses que investem em Portugal e compram 'vistos gold' têm uma característica comum: a obediência incondicional à estratégia de Beijing.
Será que um dia teremos um 'Beijing leaks' e descobriremos, boquiabertos de indignação, que o Politburo chinês além da violação sistemática dos direitos humanos dirige em Portugal uma máquina de manipulação da opinião pública, de corrupção e de armadilhas financeiras?
Comparado com a dimensão, os métodos e os objectivos da China em Portugal, o "caso Isabel dos Santos" é quase risível. O sistema político-económico, sob pressão externa ou interna, pode sacrificar e deixar cair uma Isabel dos Santos, um Ricardo Espírito Santo Salgado, meia dúzia de gestores ou até um ex-primeiro-ministro sem que o jogo seja interrompido. Mas o peso de Beijing já é tão grande que Portugal se ameaça transformar num bazar chinês à volta de um imenso pagode.
Miguel Szymanski, 23-01-2020
https://www.facebook.com/miguelszymanski/posts/10222186655764188
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Depois dos 'Luanda papers', os 'Beijing leaks'
Pequim e os patinhos portugueses em quatro parágrafos:Será que um dia um 'whistleblower' fará chegar a um consórcio internacional de jornalistas documentos com aquilo que cá em Portugal fingimos que não vemos, como por exemplo a composição dos órgãos sociais da EDP vendida a um grupo financeiro controlado por Beijing (dez ex-ministros do PS, PSD e CDS na gestão, conselho de administração etc) ou com os 'perdões de dívidas' de centenas de milhões de euros pelo Estado português a empresas chinesas?
Da EDP à banca, da Fidelidade à ferrovia, da Mota-Engil ao imobiliário, do minério ao mar Portugal vende-se lentamente à China, ano após ano, mês após mês. Os governos de turno fingem não saber que os fundos e os grupos chineses que investem em Portugal e compram 'vistos gold' têm uma característica comum: a obediência incondicional à estratégia de Beijing.
Será que um dia teremos um 'Beijing leaks' e descobriremos, boquiabertos de indignação, que o Politburo chinês além da violação sistemática dos direitos humanos dirige em Portugal uma máquina de manipulação da opinião pública, de corrupção e de armadilhas financeiras?
Comparado com a dimensão, os métodos e os objectivos da China em Portugal, o "caso Isabel dos Santos" é quase risível. O sistema político-económico, sob pressão externa ou interna, pode sacrificar e deixar cair uma Isabel dos Santos, um Ricardo Espírito Santo Salgado, meia dúzia de gestores ou até um ex-primeiro-ministro sem que o jogo seja interrompido. Mas o peso de Beijing já é tão grande que Portugal se ameaça transformar num bazar chinês à volta de um imenso pagode.
Miguel Szymanski, 23-01-2020
https://www.facebook.com/miguelszymanski/posts/10222186655764188





