Portugal Glorioso: Artes
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O silêncio torna-nos mais inteligentes, criativos e seguros

 ● 27/10/17 coment

O silêncio é indispensável para regenerar o cérebro


Desde sempre que o silêncio tem sido fonte de estudos e reflexões. Ao mesmo tempo, saturamos os locais onde vivemos com tantos ruídos que é cada vez mais difícil encontrar o silêncio. Isso faz com que muitas pessoas, na ausência de sons, experimentem um abismo dentro si.

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Nos dias de hoje, somos abafados por toneladas de sons absolutamente inúteis.

Actualmente o nosso ouvido está hiperestimulado. O mais grave é que quase todos os estímulos auditivos que recebemos do exterior são alarmantes: carros, motorizadas, burburinhos, máquinas, obras, músicas estridentes, algazarras, apitos... enfim, nada que inspire tranquilidade. Além de incidir no nosso estado emocional, a ciência comprovou que isso também afecta o cérebro.

Segundo uma pesquisa realizada na Alemanha pelo "Research Center for Regenerative Therapies" de Dresden: existem processos cerebrais que só podem ser realizados em silêncio.

Ainda recentemente acreditava-se que os neurónios eram incapazes de se regenerar. Contudo, com o desenvolvimento da neurogénese comprovou-se que o cérebro, afinal, tem capacidade de regeneração. Não está, ainda, totalmente claro o que promove essa regeneração neurológica, mas já existem pistas valiosas a esse respeito e uma delas é o silêncio.

Experiências do silêncio em animais


Os cientistas alemães fizeram uma experiência com um grupo de ratos. A experiência consistia em deixá-los em completo silêncio durante duas horas por dia; ao mesmo tempo observavam os seus cérebros para descobrir se havia alguma mudança.

O resultado foi contundente! Após algum tempo submetidos a esta rotina, observou-se que em todos os ratos estudados houve um crescimento do número de células dentro do hipocampo - a região do cérebro que regula as emoções, a memória e a aprendizagem.

Constataram também que as novas células nervosas se incorporavam progressivamente ao sistema nervoso central, e que logo se especializavam em diferentes funções. Conclusão: o silêncio provocou uma mudança muito positiva no cérebro dos animais.

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O silêncio ajuda a estruturar a informação


O cérebro nunca descansa! Até mesmo quando estamos em estado de calma, completamente quietos ou a dormir, este maravilhoso órgão continua sempre a funcionar. Mas de forma diferente.

Quando o corpo descansa, desenvolvem-se outros processos que completam os que são realizados quando estamos activos. Basicamente, o que acontece é que se produz uma espécie de depuração: o cérebro avalia a informação e as experiências às quais foi exposto durante o dia, depois organiza e incorpora a informação relevante e descarta a que não é importante.

Este processo é completamente inconsciente, mas provoca efeitos no consciente. É por isso que às vezes encontramos respostas durante o sono, ou conseguimos ver as coisas de uma nova perspectiva depois de termos descansado algumas horas. O interessante de tudo isto, é que um processo semelhante também acontece quando estamos em silêncio.

A ausência de estímulos auditivos tem quase o mesmo efeito que o descanso. O silêncio, em geral, leva-nos a pensar em nós mesmos e isso depura as emoções e reafirma a identidade.

Importantes efeitos sobre o stress


O silêncio não só nos torna mais inteligentes, criativos e seguros, mas também tem efeitos muito positivos sobre os estados de angústia.

Os seres humanos são muito sensíveis ao ruído, tanto que por vezes acordamos sobressaltados por um objecto que caiu ou por um som estranho. Uma investigação realizada na Universidade de Cornell, concluiu que as crianças que vivem perto de aeroportos têm um elevado nível de stress. E não só, também têm a pressão arterial mais elevada e apresentam altos índices de cortisol, a hormona do stress.

Felizmente, o contrário também acontece! E isso ficou demonstrado numa investigação da Universidade de Pavia, na qual se concluiu que apenas dois minutos de silêncio absoluto são mais enriquecedores do que ouvir música relaxante. De facto, verificou-se que a pressão sanguínea diminuía, e que as pessoas se sentiam mais despertas e tranquilas após um pequeno banho de silêncio.

Como se vê, o silêncio produz grandes benefícios, tanto intelectuais quanto emocionais. Poderemos afirmar que experimentar o silêncio, ainda que por breves momentos ao dia, é um factor determinante para a saúde do cérebro e, com isso, um elemento decisivo para melhorar o nosso estado emocional, saúde e qualidade de vida.

Edição e adaptação Portugal Glorioso
fonte: A mente é maravilhosa https://amenteemaravilhosa.com.br/silencio-indispensavel-regenerar-cerebro/

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O melhor de Fernando Pessoa: Frases e Pensamentos

 ● 28/07/15 coment

O melhor de Fernando Pessoa: Frases e Pensamentos


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Fernando Pessoa - poeta, escritor, publicitário, astrólogo, crítico literário, inventor, empresário, tradutor, correspondente comercial, filósofo e comentarista político. O mais universal poeta português. (Lisboa, 13 Junho 1888 - Lisboa, 30 Novembro 1935).

O melhor de Fernando Pessoa
Cinco minutos (em silêncio) de citações, frases, pensamentos... do mais universal poeta português.

video:


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Aprenda a usar a vírgula com 4 regras simples

 ● 27/07/15 coment
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A vírgula é um dos elementos que causa mais confusão na língua portuguesa. Nem toda a gente sabe ao certo onde deve e onde não deve usá-la. O motivo é simples, ensinaram-nos de forma errada: dizerem-nos que "a vírgula é usada para indicar pausa" ou "preste atenção como fala, quando fizer pausa use a vírgula", tudo isso é errado, pois cada um de nós fala de maneira diferente, usa pausas diferentes e, basicamente, decide como quer falar. (Apesar disso, devemos ter cuidado pois somos julgados pelo modo de falar).

Mas não podemos simplesmente decidir onde tem e onde não tem vírgula. Ela tem poder demais para ser arbitrária. Para saber o enorme poder da vírgula, vamos ver este pequeno vídeo:


Viu como a vírgula é importante? Pois bem, existem algumas regras para o uso da vírgula, e elas são baseadas na gramática. Calma, não se assuste! O meu objectivo aqui é "triturar" a gramática para que não estrague os seus dentes.
fonte: Prof. André Gazola. edição e adaptação PG

1. Use a vírgula para separar elementos que se poderiam listar


Veja esta frase:
João Maria Ricardo Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que os nomes das pessoas podem ser separados numa lista;
Foram almoçar:
  • João
  • Maria
  • Ricardo
  • Pedro
  • Augusto
Isso significa que devem ser separados por vírgula na frase original:

João, Maria, Ricardo, Pedro e Augusto foram almoçar.

Note que antes de "e Augusto" não tem vírgula. Regra geral, não se usa vírgula antes de "e". Há um caso específico que explico mais à frente.

2. Use a vírgula para separar explicações que estão no meio da frase


Explicações que interrompem a frase são mudanças de pensamento e devem ser separadas por vírgula. Exemplos:

Mário, o jovem que traz o pão, não veio hoje.

Dá-se uma explicação sobre quem é Mário. Se tivéssemos que classificar sintaticamente o trecho, seria um 'aposto'.

Eu e tu, que somos amigos, não devemos guerrear.

O trecho explica algo sobre "eu e tu", portanto deve estar entre vírgulas. A classificação do trecho seria oração adjectiva explicativa.

3. Use a vírgula para separar o lugar, o tempo ou o modo que vier no início da frase


Quando um tipo específico de expressão - aquela que indica tempo, lugar, modo e outros - iniciar a frase, usa-se vírgula. Noutras palavras, separa-se o adjunto adverbial antecipado. Exemplos:

Lá fora, o sol está de rachar!

"Lá fora" é uma expressão que indica "lugar". Um adjunto adverbial de lugar.

Na semana passada, jantaram todos no restaurante.

"Na semana passada" indica tempo. Adjunto adverbial de tempo.

De um modo geral, não gostamos de pessoas estranhas.

"De um modo geral" é sinónimo de "geralmente", adjunto adverbial de modo, por isso tem vírgula.

4. Use a vírgula para separar orações independentes


Orações independentes são aquelas que têm sentido, mesmo estando fora do texto. Já vimos um tipo dessas, que são as orações coordenadas assindéticas, mas também há outros casos. Vamos ver os exemplos:

Acendeu um cigarro, cruzou as pernas, estalou as unhas, demorou o olhar em Mana Maria.

Neste exemplo, cada vírgula separa uma oração independente. Elas são coordenadas assindéticas.

Eu gosto muito de chocolate, mas não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, porém não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, contudo não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, no entanto não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, entretanto não posso comer para não engordar.
Eu gosto muito de chocolate, todavia não posso comer para não engordar.

Portanto, antes de todas essas palavras, chamadas de conjunções adversativas, tem vírgula. Para quem goste de saber os nomes, chamam-se orações coordenadas sindéticas adversativas.

Agora só mais duas coisinhas..

Quando é que se usa vírgula antes de "e"?

Vimos em cima que, regra geral, não se usa vírgula antes de "e". Há só um caso em que se usa vírgula, que é quando a frase depois do "e" fala de uma pessoa, coisa, ou objecto (sujeito) diferente da que vem antes dele. Assim:

O sol já ia fraco, e a tarde era amena.

Note que a primeira frase fala do sol, enquanto a segunda fala da tarde. Os sujeitos são diferentes. Portanto, usamos vírgula. Outro exemplo:

A mulher morreu, e cada um dos filhos procurou o seu destino.

O mesmo caso, a primeira oração diz respeito à mulher, a segunda aos filhos.

Existem casos em que a vírgula é opcional?

Existe um caso. Lembra-se do item .3? Se a expressão de tempo, modo, lugar etc. não for uma expressão, mas sim uma palavra só, então a vírgula é facultativa. Vai depender do sentido, do ritmo, da velocidade que queremos dar à frase. Exemplos:

Depois vamos sair para jantar.
Depois, vamos sair para jantar.

Geralmente gosto de almoçar em casa.
Geralmente, gosto de almoçar em casa.

Na semana passada, jantaram todos no restaurante.
Na semana passada jantaram todos no restaurante.

Note que este último é o mesmo exemplo do item 3. Sem a vírgula a frase também fica correcta.

Não se usa a vírgula!

Com as regras acima, seguramente que vai acertar 99% dos casos em que precisará da vírgula. Atenção! Um erro (imperdoável) muito comum que acontece é separar o sujeito e o predicado com vírgula.

Errado:
João, gosta de comer batatas.
Alice, Maria e Luísa, querem ir para a escola amanhã.
Certo:
João gosta de comer batatas.
Alice, Maria e Luísa querem ir para a escola amanhã.

Exercício sobre vírgula e pontuação


O sr. Alfredo escreveu o seu testamento. Infelizmente esqueceu-se da pontuação e o texto ficou assim:
Deixo a minha fortuna ao meu sobrinho não à minha irmã jamais pagarei a conta do alfaiate nada aos pobres

Reescreva o testamento 4 vezes. Em cada uma delas deve dar a herança para alguém diferente. Pode usar qualquer sinal de pontuação, mas não pode mudar a ordem das palavras. É um exercício interessante e tem várias formas de ser resolvido. Escreva as suas tentativas aqui nos comentários.
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Raul Solnado no Brasil: «A Guerra»

 ● 05/07/14 coment

A História da minha ida à guerra de 1908 - Raul Solnado



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Este filme é uma preciosidade: Um genial "sketch" gravado há 50 anos no Brasil e que continua perfeitamente actual. "A Guerra de 1908"-TV Record Brasil. O vinil que reunia "A Guerra de 1908" e "A História da Minha Vida", editado em Abril de 1962, bateu todos os recordes de vendas de discos.

Bravo! Obrigado por tudo.
Raul Solnado: 19 Outubro 1929, Lisboa | 08 Agosto 2009, Lisboa.
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A Portuguesa que fundou o Museu do Prado

 ● 12/04/14 coment

A mãe do Prado - um dos mais importantes museus do mundo


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Muitos portugueses desconhecem ter sido uma portuguesa a fundadora de um dos mais importantes museus do mundo: o Museu do Prado (Espanha).

Maria Isabel de Bragança, assim se chamou ela, era filha do nosso rei D. João VI e de D. Carlota Joaquina de Borbón e tornou-se rainha de Espanha, ao casar com o seu tio D. Fernando VII, em 28 de Setembro de 1816, e de quem foi segunda mulher.

Contam os seus biógrafos ser Isabel de Bragança uma aficionada das Belas Artes, Académica de Honra e Conselheira da Real Academia de Belas Artes de São Fernando, em Madrid.

A rainha Maria Isabel de Bragança (que morreu de parto em 26 Dezembro de 1818), figura na Galeria de retratos do Museu do Prado onde tem um retrato datado de 1829, pintado onze anos depois da sua morte, sendo seu autor Bernardo López Piquer, filho do grande pintor Vicente López. É um retrato a óleo sobre tela, com as dimensões 258 x 174 cm, na execução do qual o seu autor utilizou como modelo um retrato de um busto em formato oval da autoria de seu pai, datado do ano do casamento da rainha.



É de sublinhar a especial iconografia deste retrato no qual a rainha é representada como fundadora do Real Museu de Pintura e Escultura do Prado, cuja imagem, a rainha aponta com a mão direita, se encontra visível através de uma janela, e assinalando com a mão esquerda alguns planos do museu em pergaminhos ou papéis, que se encontram depositados sobre uma mesa.

No catálogo dos quadros do Museu Real, datado de 1854, o seu autor, Pedro de Madrazo, escreve que “foi a rainha Maria Isabel de Bragança quem sugeriu ao Rei a ideia (da criação do Museu), por “escitacion” (sic) de algumas personalidades amantes das Belas Artes, ideia que o Rei acolheu com verdadeiro entusiasmo”.

Gabriele Finaldi, crítico e historiador e Director Adjunto de Conservação e Investigação do Museu do Prado, assinala que o esboceto prévio executado a óleo realizado por Bernardo López (do qual se conhece uma repetição autografada em aguarela e assinada pelo pintor em 1928, que esteve exposto na Galeria Guillermo de Osma, em Madrid, em 1997), apresenta umas diferenças interessantes em relação ao quadro final: nas folhas que estão colocadas sobre a mesa, que está representada no retrato, são mostradas plantas do edifício, enquanto que o que está representado no retrato final são alçados das salas (do Museu), com quadros já colocados. Acrescenta Gabriele Finaldi que “seguramente há que interpretar este detalhe como testemunho de um interesse bastante mais que superficial da rainha pela museologia do Prado.”

O crítico e historiador Gabriele Finaldi, em recente catálogo de uma exposição sobre “O retrato Espanhol no Museu o Prado de Goya a Sorolla”, sublinha a importância desse retrato que considera uma “imagem emblemática para a História do Museu do Prado”.

Isabel de Bragança não teve a ventura de assistir à inauguração do Museu, dado que faleceu um ano antes da sua inauguração.

Se é certo que os espanhóis não esquecem e muito menos escondem ter sido uma portuguesa e rainha do seu País a fundadora do Museu do Prado, é lamentável que tal facto seja desconhecido da generalidade dos portugueses e que o seu nome não conste da toponímia dos nossos centros urbanos, nem o seu feito seja registado nos compêndios escolares de História. Quantos lá se encontram por muito menos, ou até por nada.
Real Trás-os-Montes|adaptação Portugal Glorioso
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A história do «Chá da Cinco»

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Originário da China, o chá foi introduzido na Europa pelos portugueses no século XVI.

Envolta numa aura de princesa culta e piedosa, Catarina fez-se respeitar na corte londrina onde iria impor - e transformaria no mais britânico de todos os hábitos do país - o ritual de beber chá.



Conhecido como um hábito tipicamente britânico, o “chá das cinco” foi introduzido na corte inglesa por Catarina de Bragança, princesa portuguesa, filha de D. João IV, quando esta casou com Carlos II de Inglaterra.

O dote de Catarina deve ter sido um dos mais exóticos e sumptuosos da História: 500 mil libras de ouro, o livre comércio de Inglaterra com as possessões portuguesas na Ásia, em África e nas Américas, a cidade de Bombaim e... uma caixa de chá.

Envolta numa aura de princesa culta e piedosa, Catarina fez-se respeitar na corte londrina onde iria impor - e transformaria no mais britânico de todos os hábitos do país - o ritual de beber chá.


Catarina - Infanta de Portugal
Retrato por Peter Lely, 1663–1665

Encantadas, as classes elevadas seguiram a moda (devido às suas taxas elevadas, o chá era um luxo que não estava ao alcance de todas as bolsas) e, ainda hoje, o famoso "the five o’clock tea" é, a par das figuras da monarquia ou do Big Ben, uma imagem de marca do Reino Unido, sinónimo de requinte, sofisticação, discreta elegância. Veja: A portuguesa que fundou o Museu do Prado

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Sermão com mais de 360 anos e tão actual

 ● 19/03/14 coment

Sermão do Bom Ladrão


O Sermão do Bom Ladrão foi proferido em 1655 na Igreja da Misericórdia (hoje, Conceição Velha), perante o Rei D. João IV, a sua corte e os maiores dignitários do reino - juízes, ministros e conselheiros.

Desassombrado, o texto critica todos aqueles que se valem do poder público para enriquecer de forma ilícita; denuncia escândalos no governo, gestões fraudulentas e reclama contra a falta de punições. Quando se lê parece que estamos nos tempos actuais. Uma visão perfeita do comportamento imoral da época que parece não ter acabado até aos nossos dias. Aqui fica um pequeno excerto:


Padre António Vieira - pintura de Cândido Portinari.

"Levarem os Reis consigo ao paraíso os ladrões, não só não é companhia indecente, mas acção tão gloriosa e verdadeiramente real. (...) Mas o que vemos praticar em todos os reinos do mundo é, em vez de os Reis levaram consigo os ladrões ao paraíso, os ladrões são os que levam consigo os Reis ao inferno.
(...)
O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera.

Não só são ladrões os que roubam bolsas; (...) os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título, são aqueles a quem os Reis encomendam exércitos e legiões, ou o governo das províncias ou a administração das cidades, os quais, pela manha, pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem; estes roubam cidades e reinos: os outros furtam correndo risco; estes sem temor nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados; estes furtam e enforcam os outros".


****
António Vieira, um dos maiores religiosos, filósofos, escritores e oradores portugueses do século XVII, nasceu em Lisboa a 6 de Fevereiro 1608, e morreu na Bahia a 18 de Julho 1697, com 89 anos. Deixou cerca de 700 cartas e 200 sermões.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha
A Igreja da Conceição Velha resultou da reconstrução da Igreja da Misericórdia, destruída pelo terramoto de 1775. O seu Portal é o que resta da antiga Misericórdia.
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Rainha da Suécia «Falo português quando estou feliz»

 ● 28/11/13 coment

«Falo português quando estou feliz»

A soberana da Suécia adora comida brasileira, especialmente feijoada, farofa e vatapá, e carrega boas lembranças da infância em terras paulistanas. Não se incomoda que a tratem por tu. Continua a falar português, um dos seis idiomas que domina fluentemente e quase sem sotaque.



Simples e sempre com um sorriso nos lábios, Sílvia não veste o manto da personagem de um conto-de-fadas moderno. Conheceu o Rei Carl Gustav quando trabalhava como intérprete na Olimpíada de Munique, em 1972. Foi amor à primeira vista, mas faz questão de dizer que a vida de Rainha não é nada fácil. É o que conta na entrevista à Gente, concedida durante o trajecto que a levou da capital Paulista até São Vicente, onde visitou um segundo projecto apoiado pela sua fundação. Publicamos um excerto dessa entrevista:

Como é que a senhora consegue manter um português tão bom e fluente?
Desde que a minha mãe morreu não tenho tanta possibilidade de falar português, mas continuo a falar com os meus três irmãos. Falamos sempre por telefone e na maioria das vezes comunicamos em português. É a língua que falamos quando nos sentimos bem, quando estamos felizes. Quando temos algum problema, falamos em alemão. O português tem algo especial, é a língua do coração.
(...)
Sou espontânea. Os suecos são muito disciplinados. Também são um povo caloroso, mas com os amigos, na intimidade. Não gostam de exteriorizar isso. Eu tenho facilidade de falar com as pessoas, de estar com as pessoas, mesmo com a barreira do protocolo.

A Rainha come feijoada?
Foi a primeira coisa que desejei comer, assim que aqui cheguei. Comi uma deliciosa feijoada com farofa. Gosto muito de uma farofinha, é obrigatório. Também faço de vez em quando no palácio. O meu marido gosta muito de vatapá, aprendi a fazer com a minha mãe, é uma delícia.
Entrevista de Eliane Trindade - revista GENTE 2003 Brasil.

Adenda:
Rainha da Suécia voltou a falar Português em visita à Madeira.
Objectivo da terceira visita a Portugal da Rainha Sílvia, prendeu-se com o apoio que dá a uma instituição de solidariedade. Mas teve oportunidade de falar Português, a língua que aprendeu quando viveu em jovem no Brasil.
02-03-2017 | TVI24

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Ascendência Real; o seu avô materno era Artur Floriano de Toledo (1873-1935), um descendente do rei Afonso III de Portugal e sua concubina Maria Peres de Enxara. Artur era o bisneto de Antónia de Almeida de Aguiar, uma descendente de umas famílias de fidalgos estabelecidas em São Paulo, durante o período colonial Português, entre eles a família Alvarenga de Lamego, Portugal. Também é de muito distante ascendência ameríndia brasileira. Um de seus antepassados ​​era o chefe indígena Tibiriçá de Piratininga. (wikipedia)
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Retrato de Portugal por Guerra Junqueiro (1896)

 ● 01/08/13 coment

Retrato de Portugal com mais de 120 anos, mas actual

Um povo imbecilizado (..) uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula..

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Um Povo Resignado e Dois Partidos sem Ideias


Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
[..]
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.
Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'
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Surpresa em Coimbra - Arrepiante!

 ● 12/06/13 coment



"Estava junto à igreja de Santa Cruz quando os transeuntes foram surpreendidos pela excelente iniciativa dos antigos orfeonistas e músicos convidados.  Arrepiante! Merece um grande FRA. Parabéns! "Coimbra é uma lição"

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