Portugal Glorioso: EDP
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EDP: Mexia ganha 6 mil euros por dia

 ● 28/03/19 coment

Nos últimos 5 anos, Mexia ganhou 10 milhões euros! Em Portugal 70% das famílias não conseguem aquecer as suas casas

(Joana Amaral Dias)

"Nos últimos 5 anos, Mexia levou para casa cerca de 10 milhões de euros. Este senhor, que ganha 6 mil euros por dia - os seus rendimentos davam para pagar a 3665 trabalhadores portugueses com o ordenado mínimo, teve o desplante de ir para a Assembleia República dizer que a EDP tem sido um abono para o Estado" (...) "Este salário de Mexia é completamente obsceno! Inaceitável". Comentário de Joana Amaral Dias, este domingo na CMTV.



António Mexia ganha mais de 6 mil euros por dia. Por dia, atenção. E foi este mesma hiena que agora andou a bradar na Assembleia da República que a EDP tem sido um abono de família para o Estado. Que topete repulsivo. Ora bem, a EDP é que tem sido o subsídio vitalício para António Mexia e outros que tais como Eduardo Catroga, Manuel Pinho ou Luís Amado. Para nós, tem sido um calvário.

Enquanto Mexia ganha o equivalente a 3665 trabalhadores portugueses com o ordenado mínimo, Portugal tem das energias mais caras da UE, sendo que, num país europeu do século XXI, 70% das famílias portuguesas não conseguem aquecer as suas casas e, mesmo neste clima, ainda há quem morra de frio.

A EDP foi construída com o esforço e o suor dos portugueses, vendida ao desbarato segundo o Tribunal de Contas para, afinal, continuar a ser estatal. Só que, desta feita, pertença de nações estrangeiras, de Trump e da China que está longe de ser um país democrático. Ou seja, foi assim e desta forma que entregámos em bandeja de ouro um bem estratégico e um monopólio. Para quê? Afinal, para a EDP viver de rendas milionárias que suga ao erário público e os os seus lucros já não entrarem nos nossos cofres mas sim nos bolsos sem fundo de Mexias, chineses e abutres variados. Miséria, Portugal.  (Joana Amaral Dias)

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Correspondente estrangeiro arrasa EDP: "O que se passa em Portugal com a energia é gravíssimo"

 ● 18/10/18 coment

EDP: Uma realidade que tem esmagado os portugueses vista pelo correspondente alemão, Miguel Szymanski.


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«Catroga andou sempre de volta do governo a pressionar»
Esta remodelação aconteceu a pedido da EDP com o objectivo de remover o Secretário da Energia, Seguro Sanches. Precisamente o que Costa fez.

A remodelação governamental tem uma outra leitura; são sempre os mesmos 25 apelidos em Portugal. Eu como correspondente alemão acho estranhíssimo sempre a ouvir os mesmos apelidos - os Cravinhos, os Ferreiras, os Amarais... São sempre os mesmos nomes, sempre as mesmas famílias que têm de facto o poder politico!

O que a China fez, foi comprar o arco da governação em Portugal.
O que se passa com a EDP é gravíssimo! Isto é mais do que uma porta giratória entre a economia e a politica. Isto é um lobby fortíssimo com cinco[* ] ministros de peso, todos a forçar o governo a fazer exactamente o que a EDP quer.

[* ] Augusto Mateus, ministro da economia governo Guterres, também é membro do Conselho Supervisão da EDP.


Miguel Szymanski - RTP/Mundo Sem Muros/ep. 3319 Out/2018



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Fisco perdoa milhões à Banca e Energia

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«Lista dos Benefícios fiscais: lista vergonhosa» Gomes Ferreira

O que muda com o fim do adicional do ISP na gasolina.
Gomes Ferreira diz que: "ninguém pode garantir que o preço vai descer", e revela aquilo que considera ser um escândalo, uma lista vergonhosa que acabou de sair: "no perdão em benefícios e isenções fiscais a grandes empresas, o Estado deu 2.500 milhões euros. E nós, contribuintes/pequenas empresas que precisamos do carro para trabalhar, levamos com um agravamento! É esta a justiça fiscal que temos em Portugal".
Outubro 2018

video - fonte SIC:


De acordo com o CM, que cita dados da Autoridade Tributária, cerca de 300 contribuintes tiveram, ao longo de 2017, benefícios fiscais superiores a um milhão de euros. Foi o caso da EDP (108 milhões), mas também da autarquia do Porto (87,9 milhões), Lisboa (44,9 milhões), Universidade do Minho (36,6 milhões) e o próprio Estado (49 milhões). No caso da EDP, o benefício foi aplicado graças à isenção do Imposto sobre Produtos Petrolíferos.

Também a banca e a Galp estão nesta lista. Conseguiram beneficiar de 30 milhões e 20 milhões em impostos, respectivamente. Estes benefícios fiscais aumentaram 85 milhões em relação a 2016.

"Para uns Imposto Infernal, para outros Paraíso Fiscal. E sempre para os mesmos, já se sabe: banca com os seus delinquentes financeiros e energia. Só a EDP - que nos rouba na factura todos os meses -conseguiu maximizar os seus benefícios fiscais e ter um desconto superior a 108 milhões. A nós, o fisco não perdoa nem 10 cêntimos. Incha, contribuinte. Embrulha". Joana Amaral Dias (facebook)

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EDP: "Tudo isto encheu os bolsos de alguém, só não viu quem não quis"

 ● 15/05/18 coment

Programa novas Barragens sob investigação: "Tudo isto é irracional e tudo isto encheu os bolsos de alguém! Só não viu quem não quis"


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"Estamos a falar de mentiras de Estado que nos pregaram nos últimos 25 anos".
Depois do inquérito parlamentar às rendas da EDP, agora o ex-ministro Manuel Pinho pode ser chamado a depor num outro processo que investiga irregularidades no Programa Nacional de Barragens.

Gomes Ferreira fala em "mentiras de Estado nos últimos 25 anos" e relembra que entre 2007 e 2017, os consumidores pagaram 2.500 milhões euros e este ano deverão pagar 362 milhões euros. "Tudo isto é irracional e tudo isto encheu os bolsos de alguém! Só não viu quem não quis. Uma tragédia para os consumidores". video fonte SIC Noticias.


Actualização 11-01-2019
Auditoria a barragens da EDP revela desvios de centenas de milhões

A notícia é avançada pelo Expresso, nesta sexta-feira, que enumera a adjudicação directa de trabalhos a mais, a utilização de factores não divulgados nos concursos, pagamento de prémios aos construtores mesmo depois de falharem prazo ou a não aplicação de multas contratualmente previstas, entre o conjunto de situações identificadas pela auditoria realizada pela consultora EY.
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Paulo Morais: A EDP manda nos políticos

 ● 11/12/17 coment
Taxa chumbada pelo PS permitia aos consumidores poupar até €40/ano na conta da luz.



O PS e o Bloco acordaram baixar o preço da energia, aplicando uma taxa nas Renováveis. "O Governo disse que sim, o PS aprovou e depois voltou atrás e chumbou a medida." Ou seja, faltou à palavra. O Ministro da Economia foi desautorizado... mas não se demite. O Bloco de Esquerda foi traído... mas votou a favor do orçamento.

Síntese:
1. A EDP manda nos políticos.
2. Os políticos (do PS, do BE e outros), agarrados ao poder, aceitam tudo, acatam qualquer desconsideração, fazem tristes figuras e nem se apercebem.
3. Os portugueses, tendo dos menores rendimentos na Europa, pagam os valores mais altos pela energia eléctrica.

Paulo de Morais

adenda: 14-10-2018
«Secretário de Estado da Energia Seguro Sanches sai do Governo»
Sabe-se agora que o secretário de Estado não sobrevive no lugar, depois de ter sido o principal rosto das medidas que desagradam às grandes empresas do sector eléctrico.
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Mexia insulta os portugueses: A electricidade não é cara

 ● 23/03/17 coment

"a electricidade em Portugal não é cara"


Em entrevista à TSF, Mexia afirmou:
A electricidade em Portugal não é cara. A qualidade das casas é que é fraca. Dizem que as pessoas têm um problema de não se poderem aquecer, isso não tem a ver com o preço da electricidade. O problema é que as pessoas vivem em casas que são inaceitáveis. Que não se use este sector como bode expiatório.

A pouca vergonha e a falta de decência do gestor que em 2017 embolsou 2,29 milhões euros.


Exmº senhor Mexia, o preço da electricidade na Finlândia (onde os ordenados são 5 vezes superiores), é sensivelmente o mesmo que em Portugal. Quer isto dizer que a nossa electricidade é 5 vezes mais cara. Tenha vergonha! Não insulte os portugueses.

actualizado: 28-03-2019
Nos últimos 5 anos, Mexia levou para casa cerca de 10 milhões de euros. Este senhor ganha 6 mil euros por dia - os seus rendimentos davam para pagar a 3665 trabalhadores portugueses com o ordenado mínimo. (ver aqui)
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«Museu é insultuoso para milhões de portugueses» Paulo Morais

 ● 23/08/16 coment

Mexia: Lisboa ganha um novo museu e miradouro sobre a cidade


O presidente da EDP sublinhou que Lisboa ganha um novo espaço museológico e um miradouro com a criação do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT). O novo edifício, desenhado pela arquitecta britânica Amanda Levete, representa um investimento de cerca de 20 milhões de euros.



Há dois milhões de portugueses em situação de pobreza. Passam frio no Inverno, porque não conseguem aquecer as suas casas num país que tem a electricidade da EDP, uma das mais caras da Europa. Alguns, mais idosos, com casas frias e húmidas, vão parar aos bancos de urgência dos hospitais com DPCO (doença pulmonar crónica obstrutiva - enfizemas, bronquites). Para todos estes, a inauguração de um museu pseudo-moderno, futurista, exótico - é insultuoso.
(há um precedente bem perto: a construção do CCB, quando havia fome em Portugal, nos anos 80)
Paulo de Morais
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Paulo Morais: É preciso um CHOQUE ELÉCTRICO

 ● 13/02/16 coment

Nada justifica que a factura de electricidade seja tão elevada. Um escândalo.


A descida dos preços da electricidade JÁ é uma medida de sobrevivência social



PREÇOS DA ELECTRICIDADE ARREPIAM MAIS DO QUE O FRIO.
É preciso um CHOQUE ELÉCTRICO.

O frio, a par das más condições habitacionais, leva à generalização de doenças respiratórias, principalmente nos mais idosos e pobres. Com este frio, A FALTA DE AQUECIMENTO NAS CASAS, POR CAUSA DO PREÇO DA ENERGIA, É UM FENÓMENO (QUE NOS ENVERGONHA) MAIS PRÓPRIO DO TERCEIRO MUNDO. A medida que se impõe é a redução dos preços de electricidade. Nada justifica que a factura de electricidade seja tão elevada. Os consumidores pagam, além do consumo de energia, outros custos, que vão desde taxa de radiodifusão até às rendas milionárias do sector energético. Acresce ainda o IVA. Um escândalo.
Paulo de Morais

adenda: 17/03/2019

Uma Família pobre paga 23% de IVA na Electricidade que consome... num País liderado, há quatro anos, por um Governo que prometeu acabar com a austeridade, cuja principal medida foi o "enorme aumento de impostos". Já uma Família rica paga 6% de IVA numa estadia num Hotel de Luxo... num País em que a Constituição determina que "A tributação do consumo (IVA) deve onerar os consumos de luxo". A Austeridade não acabou, continua entre nós. E nem sequer respeitam a Constituição!
Paulo de Morais

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Presidente da EDP tem mais poder que ministro da economia

 ● 12/11/15 coment

Custo na factura de electricidade é um escândalo


NÃO é admissível que o custo na factura de electricidade seja tão elevado. Nada o justifica, é um escândalo. Os consumidores têm de pagar, além do consumo de energia, muitos outros custos, que vão da taxa de radiodifusão até às rendas do sector energético, que o governo se recusa a baixar. Em cima de tudo, ainda há IVA a 23%.

Esta situação prejudica significativamente a competitividade das empresas e desespera os particulares. Mas continuaremos a suportar este fardo, enquanto o presidente da EDP (na foto) tiver mais poder do que o Ministro da Economia. (...)



O preço da electricidade deve baixar. O custo da energia em Portugal penaliza as famílias. Que pagam, além da energia consumida, muitos apoios artificiais às empresas de energia, através das facturas de electricidade, onde apenas cerca de metade resulta do consumo efectivo.

Sem recursos, as famílias, no inverno que se avizinha, irão suportar as crónicas más condições habitacionais, em casas desconfortáveis e frias, o que leva à generalização de doenças respiratórias, principalmente em idosos e pobres.

A redução dos preços de electricidade é uma necessidade urgente, primeiro através do estado, que deve baixar o IVA sobre a energia. E que pouparia muito depois em custos hospitalares. E também as empresas distribuidoras podem baixar os preços, o que até será fácil, porque com as barragens cheias os custos de produção são bem menores.

Paulo de Morais
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Escândalo! Não há quem ponha mão na EDP?

 ● 13/12/14 coment

Escândalo! Não há quem ponha mão na EDP?





"Os portugueses pagaram seis milhões de euros por uma electricidade que não precisavam", denúncia feita pelo ex-Secretário de Estado da Energia, Henrique Gomes. INACREDITÁVEL!

Veja o video.


a ver: Mexia insulta os portugueses: A electricidade não é cara

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Sócrates investigado pela UE, por favorecer a EDP

 ● 30/11/13 coment


O ministro Manuel Pinho do Governo de Sócrates faz concessão de 27 centrais eléctricas à EDP, por 26 anos, sem concurso público! A Comissão Europeia decidiu abrir um inquérito aprofundado para apurar o que se passou. Bruxelas considera que o preço pago pela EDP foi demasiado baixo e que o tempo de concessão é muito longo.

veja video:





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Brutal - Portugal visto por Lobo Antunes

 ● 03/06/13 coment

Nação valente e imortal

Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria.



Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.

O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.

Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.

Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade.

As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.

Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.

Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.

Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.

Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.

Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.

Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.

Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.

Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
visao.sapo.pt
António Lobo Antunes
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