Empresas falidas esbanjam milhões
As empresas municipais
GAIANIMA e ÁGUAS DE GAIA já estavam em completa rotura financeira (o passivo actual é de 106 milhões) quando assinaram contratos de comunicação milionários. Gastaram mais de 300 mil euros por serviços das empresas do filho do consultor Luís Paixão Martins e também pelos préstimos dos escritórios lisboetas da Cunha Vaz. Esta é uma das valências que a Polícia Judiciária está agora a investigar.
Os contratos da GAIANIMA foram assinados em Abril do ano passado, no valor de 108 mil euros. Dois meses antes, a ÁGUAS DE GAIA tinha já celebrado contrato com a
First Five Consulting - empresa que faria a comunicação da campanha de Menezes à Câmara do Porto -, no valor de 72.500 euros.
O município mantinha assessores de comunicação próprios.
Por 60 mil euros, a
Next Power, do filho de Paixão Martins, ficou com a responsabilidade de assessoria de comunicação e imprensa dos eventos
24 horas de Karting e Porto Wine Fest, além de assegurar a assessoria diária da Gaianima.
No mesmo dia, 26 de Abril, a Câmara de Gaia celebrou contrato com a
Boston Media - do dono da Next Power -, no valor de 48 mil euros. O contrato incluía cobertura informativa de, "pelo menos, uma actividade por semana do município", todas as conferências de imprensa e os já mencionados eventos.
A empresa municipal alegou "ausência de recursos" para a contratação.
Entre 2009 e 2010, a Águas de Gaia pagou, ao todo, 204 mil euros a uma outra empresa de comunicação bem conhecida -
Cunha Vaz e Associados.
O contrato, por ajuste directo, tinha um ano de execução e foi renovado no ano seguinte. O Objectivo era delinear a estratégia de comunicação institucional e comercial da empresa municipal.
BURACO
Luís Filipe Menezes deixou as empresas municipais com um buraco superior a 100 milhões de euros. Policia Judiciária investiga o que aconteceu.
Livro - 72 mil euros
Câmara de Gaia pagou 72 mil euros por um livro elogioso sobre o trabalho de Luis Filipe Menezes. Obra feita por empresa da mulher de um ex-vereador
GAIANIMA- Gestão
Empresa municipal Gaianima foi presidida por Ricardo Almeida quando era líder do PSD/Porto. João Vieira Pinto e Angelino Ferreira eram gestores.
PJ - Investigação
A Policia Judiciária está a investigar negócios de Luís Filipe Menezes na gestão da Câmara de Gaia e os bens pessoais do ex-autarca.
VALOR - Campanha
Campanha de Menezes no Porto terá custado cerca de 500 mil euros. Director financeiro garantiu que as contas ficaram 10 mil euros abaixo do limite legal.
AUTARCA - contas
Eduardo Vitor Rodrigues ficou surpreendido com o passivo global que encontrou nas contas do município de Vila Nova de Gaia.
318 milhões de euros
É o valor global da dívida de Vila Nova de Gaia, incluindo as empresas municipais.
REAÇÂO - Menezes
Ex-autarca qualificou as primeiras notícias sobre a investigação da PJ como "homicídio pessoal e politico inacreditável", com "mentiras e calúnias"
PRESENÇA EM TV - prevista por alínea de acordo
O contrato com a Boston Media previa a colocação de um elemento, a indicar pela Gaianima, no painel de comentadores do Porto Canal, uma vez por mês, a presença do município no "Porto Alive", do mesmo canal, de 15 em 15 dias, e também no "territórios", uma vez por semana. A Águas de Gaia, tinha já pago, em 2009, 60 mil euros ao Canal.
77 mil euros por três anos de apoio à comunicação
Entre 2011 e 2013, a empresa de comunicação e imagem
Beleza das letras recebeu da Câmara de Gaia 76.600 euros por consultadoria na área da comunicação. O município alegou, de novo, ausência de recursos próprios para entregar. por ajuste direto, este aconselhamento à empresa de Manuel Neto, ainda que a autarquia tivesse, à data, pelo menos um trabalhador com a função de assessoria de comunicação.
A Águas de Gaia pagou dezenas de milhares de euros em publicidade nos últimos anos. Em abril do ano passado, foi celebrado um contrato com a
Executive Media no valor de 47.225 euros por serviços publicitários. Em 2011, a empresa municipal gastou 50 mil euros em seis anúncios no Jornal Diário Económico. Um ano antes, a autarquia de Gaia tinha já assinado um ajuste direto de 62 mil euros, por um ano, com a empresa que detinha o semanário regional "Grande Porto", que funcionava como delegação nortenha do jornal 'i´.
Também os negócios que a Câmara de Vila Nova de Gaia manteve com a empresa de publicidade
Webrand, durante a gestão de Luis Filipe Menezes, estão a ser investigados pela PJ. A empresa liderada por Cristina Ferreira, conseguiu um negócio valioso, válido por vários anos. A diretora-geral terá recusado elaborar uma campanha autárquica em 2012 e recomendou que o trabalho fosse executado pela filha, que ganhou um contrato no valor de 21 mil euros.
Cristina Ferreira será, aliás, amiga de infância de Marco António Costa que assumiu a vice-presidência da Câmara de Gaia durante alguns anos.
A investigação da PJ do Porto inclui também o possível envolvimento de outras instituições no desastre financeiro do município. Por exemplo, as 24 horas de Karting - pelas quais a Gaianima pagou mais de 600 mil euros em quatro anos tinha o apoio de organizações públicas, como o Turismo do Porto e Norte de Portugal, e privadas, como o Kart Club de Oiã.
PJ investiga suspeitas de luvas em campanha
O contrato de 72.500 euros entre a Águas de Gaia e a
First Five Consulting levantou suspeitas de que este acordo teria sido utilizado como contrapartida para a empresa de João Tocha realizar a campanha eleitoral de Luis Filipe Menezes à Câmara do Porto.
Foi dos primeiros documentos a serem investigados pela polícia Judiciária.
PORMENORES
Redução de custos
Atual Presidente da Câmara de Gaia assegurou que os gastos da autarquia com assessorias e comunicação foram reduzidos. "
No passado, havia várias empresas, muito bem pagas, e cada empresa municipal tinha contrato assinado com uma ou duas" , garantiu, há dias, ao CM.
Atual assessora
Assessora de comunicação e imprensa é hoje assegurada por empresa liderada pela mulher do presidente da Câmara de Matosinhos.
"Ninguém perde direitos pelo facto de, sorte ou azar, ser casado com alguém público", referiu o atual autarca ao CM.
Quatro contratos
Multicon venceu quatro contratos para garantir a assessoria e comunicação da atual gestão do município de Vila Nova de Gaia, no valor global de 113 mil euros. O acordo de maior valor (57.600 euros) foi assinado com a Águas de Gaia, para assegurar a consultoria por três anos.
Cortes nas despesas
Eduardo Vitor Rodrigues fez avaliação da real situação financeira do município. Uma das primeiras medidas tomadas foi cortar nas despesas das empresas municipais e definir apenas uma empresa responsável pela assessoria de comunicação e imprensa.
Manuel Jorge/Ana Isabel Fonseca/Tania Laranjo - CM 1/11/14 edição em papel