"O CDS vendeu-se aos interesses pessoais e de negócios de Paulo Portas"
Manuel Monteiro acusa o CDS de ter perdido toda a sua identidade de partido de valores e de princípios, ao ter demonstrado o seu apoio a um partido que desrespeita os direitos humanos, como o MPLA. As duras críticas surgem na sequência da polémica participação do CDS no congresso do MPLA. "Aquilo que hoje conta, não é ser ministro. É TER SIDO ministro". fonte: expresso
Neste vídeo Ricardo Salgado afirma "não saber o que vai acontecer ao processo dos submarinos". Mas agora já sabemos. Por coincidência (ou não), no momento em que o vídeo foi divulgado no Jornal das 8H da TVI, já era público o arquivamento do inquérito por "inexistência de indícios de favorecimento do negócio" e porque os "factos susceptíveis de consubstanciar a prática de crimes de corrupção já se encontram prescritos desde Junho passado", referiu a estação televisiva citando uma publicação da Revista VISÃO. Que conveniente.... e oportuno.
Entretanto, a TVI divulgou outro excerto das gravações, no qual Ricardo Salgado fala dos 14 milhões alegadamente recebidos do construtor Zé Guilherme insistindo que "não recebeu comissão nenhuma" e recusando dar explicações adicionais aos seus pares por se tratar de "um assunto do foro pessoal".
Bataglia, presidente da Escom, assumiu em plena AR que, num negócio de 27 milhões, desviou 21. (Paulo Morais)
Bataglia perdida
Hélder Bataglia, presidente da Escom, assumiu, em plena Assembleia da República, que, num negócio de 27 milhões, desviou 21. Ou seja, cerca de 80%. A isto chama-se administração danosa. É crime. No entanto, nem os deputados o questionaram sobre este acto de gestão, nem a Justiça o acusou. Só mesmo no Parlamento português alguém pode assumir um crime desta dimensão e ficar impune.
O negócio em questão consistia na assessoria à empresa que vendeu submarinos a Portugal, a Ferrostaal, em matéria das contrapartidas ao Estado português. Estas seriam a compensação à economia nacional decorrente da venda deste material militar.
A assessoria terá sido tão boa que as contrapartidas ainda não apareceram, tendo os alemães poupado tudo quanto já deveriam ter gasto em Portugal. Dos 27 milhões facturados, Bataglia desviou 16 milhões para a administração e accionista da Escom e mais cinco para os Espírito Santo. Prejudicou a Escom, que, com problemas financeiros insolúveis, acabou por ser vendida à Sonangol.
Mas as singularidades do depoimento de Bataglia na comissão de inquérito ao BES não ficaram por aqui. O gestor teve a ousadia de afirmar que os problemas da Escom resultaram de perdas com as explorações de diamantes em Angola.
Conseguir ter prejuízos a vender diamantes é obra! E só se consegue justificar por uma gestão sumamente incompetente, pela loucura absoluta ou, mais uma vez, gestão danosa. Os deputados ouviram submissos e ninguém pareceu admirado pelo facto de o negócio de diamantes dar prejuízo.
Com sobranceria, Bataglia ainda se assumiu como precursor das relações económicas entre Angola e China, avisando (ou ameaçando?) os deputados do seu poder e importância. Só se esqueceu de informar que o seu parceiro nesta aproximação à China, Sam Pa, actual presidente da China Sonangol, está na lista de alvos de sanções económicas dos EUA, por promover a corrupção no tráfico de diamantes – o tal negócio que dá prejuízo.
Sobre a influência destes negócios na destruição da Escom e no descalabro do BES, os parlamentares, cabisbaixos, nada questionaram. Os deputados portugueses claudicam perante qualquer Bataglia.
Paulo de Morais (fonte: CM)
video:
ADENDA 31-10-2019: RUI PATRÍCIO é membro do Conselho de PREVENÇÃO DA CORRUPÇÃO. Mas no Processo "Marquês" defende HELDER BATAGLIA, o amigo de José Sócrates que assumiu, no Parlamento, que, num negócio de 27 milhões, desviou 21, ou seja, cerca de 80%. É a "defesa de Administração Danosa, a cargo da Prevenção da Corrupção" (!?).
Paulo de Morais