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25 Outubro 1147 - D. Afonso Henriques conquista Lisboa

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A conquista de Lisboa aos muçulmanos, em 1147. A ajuda dos cruzados do norte da Europa nessa conquista é atestada neste magnífico trabalho de Roque Gameiro pelos navios de proas altas e velas pandas típicos dessa região


Faz hoje 867 anos que o nosso Fundador conquista Lisboa aos Mouros. Um dos cruzados que foi testemunha ocular conta todos os pormenores numa famosa carta. O manuscrito latino da carta conserva-se actualmente no Corpus Christi College da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
Osberno ( ou Osberto) era um cruzado de formação religiosa (um clérigo ou presbítero) oriundo da Inglaterra ou da Normandia.  A qualidade do latim empregado por ele e as características do texto indicam que era um homem culto.

Na carta, o autor descreve a conquista desde as fases preparatórias até o período imediatamente posterior à tomada da cidade. Os cruzados, oriundos principalmente da Inglaterra, Gales, Normandia, Condado da Flandres, norte da França e Renânia (Alemanha), a caminho da Terra Santa, aportam na cidade do Porto, no norte de Portugal, em junho de 1147.
Os cruzados são recebidos pelo bispo do Porto, enviado do rei Afonso Henriques, que tenta convencê-los a ajudar os portugueses na conquista de Lisboa. O próprio rei português encontra-se com os cruzados nos arredores de Lisboa e faz um discurso para convencê-los a participar na conquista da cidade. Também o Condestável inglês, Hervey de Glanville, faz um discurso no mesmo sentido.


O autor da carta reproduz todos esses discursos, ainda que seja impossível saber com que grau de exactidão. As palavras do bispo e do rei apelam tanto ao espírito da cruzada contra os inimigos muçulmanos, (a Reconquista era considerada parte das Cruzadas) quanto à promessa do saque (pilhagem) da rica cidade de Lisboa. No acordo final o rei também se compromete a que os cruzados que assim desejassem se pudessem estabelecer em terras na região de Lisboa, onde estariam isentos de impostos.
O arcebispo de Braga, João Peculiar, dirige um discurso aos lisboetas tentando convencê-los a que se rendam sem luta, mas estes se recusam. Este último discurso é muito interessante por explicitar claramente a justificação moral da Reconquista, ou seja, que os mouros haviam tomado injustamente as terras cristãs durante a invasão muçulmana da península Ibérica no século VIII.

O longo cerco começa em Julho de 1147.
O autor descreve em detalhe vários momentos de tensão ocorridos nesse período entre os cruzados, causados especialmente pela rivalidade entre os anglo-normandos por um lado e os flamengos e alemães por outro. De maneira geral, o autor anglo-normando descreve de maneira favorável o comportamento dos seus compatriotas e denigra a dos flamengos e alemães. A relação com as tropas portuguesas também é tensa por vezes.

De expugnatione Lyxbonensi também reproduz cartas dos mouros, traduzidas do árabe, interceptadas pelos sitiadores. Numa delas, enviada pelo rei mouro de Évora e destinada aos moradores de Lisboa, o rei eborense recusa-se a ajudá-los na luta contra os cristãos, com a desculpa de não quebrar um acordo de paz que havia feito com Afonso Henriques.
Depois de muito esforço, os sitiadores conseguem derrubar parte dos muros da cidade e constroem uma máquina de cerco - uma torre dotada de ponte -, que debilita enormemente as defesas da cidade, levando finalmente os lisboetas a renderem-se aos cristãos. O acordo de rendição com os mouros é negociado por Fernão Cativo, por parte do rei, e Hervey de Glanville, um dos condestáveis dos anglo-normandos. Desacordos sobre o botim geram mais tensão e mesmo violência entre os cristãos, sendo necessárias novas negociações para acordar a divisão das riquezas da cidade.
Finalmente, no dia 25 de Outubro, a cidade é adentrada pelos cruzados.

Apesar de que Afonso Henriques ordenou que os habitantes fossem bem tratados, o autor do texto informa que as tropas flamengas e alemãs massacraram a muitos habitantes da cidade sem razão, matando inclusive o bispo moçárabe da Lisboa muçulmana, enquanto que os anglo-normandos comportaram-se com mesura, respeitando os acordos.
Já espoliada de seus pertences de valor, a população moura é obrigada a abandonar Lisboa.
Na parte final a carta descreve entre outras coisas a restauração da diocese de Lisboa e a eleição do seu primeiro bispo, o também cruzado Gilberto de Hastings. Também faz referência ao abandono pelos mouros do Castelo de Sintra e do Castelo de Palmela após a conquista de Lisboa.
(fonte Wikipédia)

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