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Morais critica ministra da Justiça: Isto é tudo muito mau demais!

0  ● 22.1.17 0



A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, disse este sábado que pretende retirar das cadeias os crimes mais simples "bagatelares", permitindo assim baixar o número da população reclusa. Segundo a ministra, há “crimes bagatelares, simples”, como a condução sob o efeito de álcool, ou sem habilitação legal, que “ao fim de várias reincidências acabam por dar penas de prisão”.


COMO É POSSÍVEL?
Para a ministra da Justiça de Portugal, há "crimes bagatelares, simples", como a condução sob o efeito de álcool, ou sem habilitação legal".
A ministra Van Dunen, ao afirmar esta barbaridade, desrespeita todos quantos perderam familiares em acidentes de viação provocados pelo álcool. E despreza ainda as magistraturas (procuradores e juízes), pois são estes que devem determinar as penas de prisão - e não os ministros, pois isso seria ingerência do poder executivo no legislativo.
Isto é tudo muito mau demais!

Paulo Morais
professor universitário.

Bataglia incriminou Salgado e amigo de Sócrates

0  ● 21.1.17 0




O presidente da Escom e arguido na Operação Marquês Helder Bataglia terá admitido que Ricardo Salgado utilizou uma conta bancária do empresário, na Suíça, para passar 12 milhões de euros a Carlos Santos Silva, amigo de José Sócrates. O amigo de Sócrates e Bataglia terão combinado várias formas de não levantar suspeitas. O Expresso revela as denúncias da testemunha-chave. Bataglia garantiu ao MP que Salgado lhe pediu o favor de transferir €12 milhões para Carlos Santos Silva.

Hélder Bataglia, o milionário ligado a isto tudo.

Fez fortuna em Angola. É próximo do regime de Eduardo dos Santos e aproximou-o do BES e de Salgado. Tem visto o seu nome envolvido em demasiados casos: submarinos, Monte Branco e Sócrates.

«Salgado e Sócrates são gémeos no mal» Paulo Morais

0  ● 19.1.17 0



Ricardo Salgado perpetrou em Portugal, com o beneplácito de Sócrates – mas não só – incontáveis moscambilhas. Mas ninguém o belisca. Continua tranquilamente a viver numa casa que já não deveria ser sua, passeia livremente dentro e fora do país. Parece ser intocável.

Salgado e Sócrates: duas faces da mesma moeda?

Ricardo Salgado e José Sócrates são gémeos no mal. Salgado é filho do capital e usou sempre o poder para ganhar mais dinheiro. Por outro lado, Sócrates é filho da política e usou o dinheiro para ganhar mais poder. No final, ambos ganhavam mais poder; e mais dinheiro. Pelo que a investigação das luvas pagas por Salgado a Sócrates, no Processo Marquês, é o corolário lógico de uma longa ligação de cumplicidade.
(...)
No final, seja qual for o veredicto, Sócrates será sempre responsável pelo enorme dano que causou a Portugal. Mas para que seja verdadeiramente feita justiça, é imperioso que RS perca – na sequência deste processo e pela via do confisco de Estado – toda a riqueza que Sócrates lhe deu a ganhar.
Partilho o meu artigo no Jornal i.

Paulo Morais


«Soares não é o pai da democracia, isso é ridículo» Raquel Varela

0  ● 15.1.17 0



Estou a escrever sobre Soares. Fui ao baú do (muito) que investiguei sobre ele durante o biénio 1974-1975, a razão é que fiz a minha tese de doutoramento sobre o mito no qual Soares se ergue, o do que o PCP queria tomar o poder. O de que havia o perigo de Moscovo tomar conta do país. O PCP e Moscovo queriam Angola, aqui queriam direitos laborais e sociais. Não conteve, o PCP, um sector do seu partido e sobretudo não conteve o movimento de trabalhadores que construíram, contra o PCP e o PS, um poder dual no país contra o Estado - que aprovava uma lei e nas fábricas não se cumpria.

Bom, mas hoje é quase impossível perante os gritos de amor e ódio, veneração acrítica e infantilidades que tem quem desconhece a história, escrever - o ruído é quase esmagador. Há algo porém que posso já escrever. Soares não é o pai da democracia, isso é ridículo. Nem ele, com a sua maleabilidade de alianças, e táctica e paciência, jamais aceitaria tal designação. Porque isso transforma a democracia numa oligarquia unipessoal. Contra a qual ele, que eu não apoio nem nunca apoiei, lutou. Porque Soares era um defensor do capitalismo regulado, social democrata, contra uma direita que era a favor do capitalismo com uma ditadura, que pela proibição de partidos e sindicatos regulava o preço do salário.

O sonho de Soares - capitalismo de rosto humano, pacto social entre lucros e salários - ruiu com ele vivo, em 2008, mas que ele acreditava nisso, acreditava. Nunca acreditou em poderes pessoais. Chamar-lhe «pai da democracia» não é um exagero da hora da morte, quem nos dera que fosse só isso! Esta ideia de «obrigada, pai da democracia», uma democracia que tem origem em 13 anos de luta dos trabalhadores forçados das colónias, dezenas de milhar de mortos negros e quase 10 mil portugueses, para defender o grupo CUF e mais 4 famílias, lutas dentro do exército - o MFA não arriscou a prisão mas a vida! - e direitos conquistados nas ruas (vou repetir, os direitos democráticos, de associação, reunião, etc, foram conquistados nas ruas!) é o que ainda temos do país de Salazar. À procura do paizinho, ....sempre de costas dobradas a agradecer ao poder.


Raquel Varela
Historiadora

«Náusea: é o que me provoca este elogio» Paulo Morais

0  ● 14.1.17 0



Ricardo Salgado (no jornal negócios):
Faleceu um grande português. Um entre os maiores políticos do séc. XX e XXI a quem o País fica muito a dever.
Homem de grande coragem, enfrentou perseguições, prisões, deportações no período do antigo regime. Foi também com enorme coragem que percorreu o período da democratização e do PREC até à consolidação da democracia em Portugal.

O processo da descolonização portuguesa foi forçado pelas grandes potências e não devemos esquecer a teoria do dominó de Eisenhower para compreender o que aconteceu. É bom recordar a frase de Kissinger de que se Portugal evoluísse para o comunismo, seria uma vacina para a Europa. Apesar disso, Soares soube convencer os EUA de que valia a pena apoiar Portugal.

Foi pela mão de Mário Soares que Portugal fez a sua adesão à CEE, também devido às suas excelentes relações com personalidades como Mitterrand, Willy Brandt e Olof Palm.
Teve a lucidez de chamar os empresários espoliados em 1975, entre eles o Grupo Espírito Santo, o que contribuiu para um período de entrada de capitais sem precedentes que conjugava os fundos europeus aliados aos capitais destinados às reprivatizações. Isso permitiu reconstruir a economia do país.

Chocou-se com nova destruição do Grupo Espírito Santo, agora por um PREC de direita, de políticos despreparados e sem a visão de Estado que sempre o caracterizou.


Foi sempre um homem solidário, principalmente nos momentos mais difíceis dos seus amigos. Fui verdadeiramente seu amigo. Sinto-me reconhecido e agradecido pela amizade dedicada por si e por Maria de Jesus Barroso à minha família mais directa, e a mim, especialmente no período subsequente à desgraça que ocorreu a 3 de Agosto de 2014.

Sinto-me triste porque perdi um bom Amigo.

jornaldenegocios.pt/opiniao/detalhe/mario-soares-um-grande-portugues


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Náusea: é o que me provoca este elogio de Ricardo Salgado (que deveria estar preso) a Mário Soares, que se deixou seduzir por este e outros abutres.

Paulo Morais

O mais antigo mapa de Portugal - 1561

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Biblioteca Nacional adquire exemplar do mais antigo mapa de Portugal (1561)

Quando D. Sebastião foi aclamado rei (1557), preparou-se uma embaixada a Roma, para tratar de importantes assuntos de Estado. O embaixador escolhido foi Lourenço Pires de Távora (1510-1573), que chegou a Roma em Junho de 1559.

Em Roma residia um dos mais famosos humanistas portugueses, Aquiles Estaço (1524-1581), notável latinista que redigiu a oração de obediência de D. Sebastião ao Papa e a leu perante Pio IV. Guido Sforza, cardeal protector de Portugal, terá então recebido de Estaço um particular presente: um mapa de Portugal, preparado por Fernando Álvares Seco (fl. 1560), cartógrafo de quem pouco ou nada se sabe.

Do mapa manuscrito original não se conhece o paradeiro, mas, a partir dele, Sebastiano di Re gravou e Michele Tramezzino, conhecido editor veneziano, preparou uma versão reduzida, na escala de ca. 1: 1.340.000, impressa em Veneza mas difundida em Roma, com privilégio do Papa e do Senado de Veneza, datada de 20 de Maio de 1561.

Em 1565, Gerard de Jode, famoso cartógrafo e editor, provavelmente com base no original ou sua cópia, com simplificações e lapsos em relação à imagem de 1561, publicou em Antuérpia uma outra versão de maior escala, ca. 1: 750.000, em quatro folhas, gravada por Jan van Doetichum e Lucas van Doetichum, que refere a data de 20 de Maio de 1560. De Jode incluirá o mapa nas edições do seu atlas Speculum Orbis Terrarum de 1578 e 1593. A partir dos exemplares de 1561 e de 1565, Abraham Ortelius coordenou uma nova imagem, próxima da de Tramezzino, que conhecerá fama internacional, como folha do atlas Theatrum Orbis Terrarum, com sucessivas edições desde 1570, e Baptista van Doetecum regravará a imagem para o grande atlas de Gerard Mercator, de 1600.

Embora a primeira imagem cartográfica que representa Portugal isoladamente e no seu conjunto seja a de Álvares Seco, pouca atenção tem sido dada ao documento. Constituem excepção os diversos estudos que Suzanne Daveau tem dedicado à obra.

O que mais surpreende o leitor do mapa é a sua orientação, com o Oeste no topo. Observada de Leste (Roma), em perspectiva, a fachada ocidental da península, “perde-se” no horizonte, para Oeste. Sendo uma construção erudita, é natural que a sua orientação represente Portugal como “cabeça” da Europa. Na realidade, o mapa de Álvares Seco é a figuração de um Portugal denominado “Lusitânia”, província da Hispânia romana: “Guido Sforza: dedicamos-te, devido à protecção dispensada à nossa gente, a Lusitânia descrita pela arte de Fernando Alvares Seco…” – diz Estaço na dedicatória ao Cardeal Sforza. Gerard de Jode, na edição de Antuérpia, criará um título: “Portugal outrora a Lusitânia”.

Observando o conjunto da imagem, são dois os principais fenómenos figurados: o povoamento e a rede hidrográfica. O primeiro, contando muitas centenas de topónimos, entre cidades, vilas e aldeias, é mais denso no Portugal atlântico e menos coeso no Portugal mediterrânico. É dado particular destaque às sedes episcopais e aos seus limites, mesmo as mais recentemente criadas, e sobre o mapa inscrevem-se as cinco comarcas e o reino do Algarve. Dois pormenores foram introduzidos, que delatam o autor, como acontecia muitas vezes nas telas de mestres pintores: a “Quinta dos Secos”, perto de Tomar, e a “Quinta Távora”, morgadio da família do embaixador, na península de Setúbal.

Se parece ser o fim da mancha de povoamento que constitui a marcação da linha de fronteira, não é apenas aquela, mas também a rede hidrográfica, que constitui o segundo grande tema do mapa. Com excepção do Minho, do Tejo e do Guadiana, que se prolongam um pouco para o interior da Península, todos os outros rios parecem nascer em Portugal. A própria configuração dos cursos de água adopta muitas vezes um desenho fechado nas cabeceiras, de modo a dar uma ideia de isolamento, de ruptura em relação ao interior da Península, onde o espaço deixado em branco simula um vasto deserto. Portugal é um conjunto de bacias hidrográficas, que correm para o Mar Oceano, bacias fechadas para o interior, em semicírculos que se justapõem ao longo da faixa fronteiriça.

A unidade do país que assim se representa é sublinhada pelas armas da Galiza, do Reino de Leão e do Reino da Andaluzia, que circundam Portugal, uno e coeso sob o escudo dos castelos e das quinas. Na variante de 1565, as armas de Portugal inscrevem-se no escudo empunhado por Neptuno, que cavalga um monstro marinho e proclama a glória das conquistas portuguesas no mar, versão iconográfica do texto da dedicatória a Sforza.

Conhecem-se cerca de duas dezenas de exemplares do mapa de 1561 e apenas um deles se encontra em Portugal, na colecção do Professor Nabais Conde, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Decidiu recentemente a Biblioteca Nacional de Portugal adquirir em leilão um exemplar do mapa de 1561, até agora desconhecido, muito provavelmente antes inserto num atlas da denominada “Escola de Lafreri”. Muitos dos exemplares conhecidos apresentam, como este, o vinco da dobragem, ou encontram-se mesmo incluídos nos atlas.

O gravador e editor francês Antoine Lafréry, referido como Antonio Lafreri (1512-1577), estabelecido em Roma, era então famoso pelo comércio dos seus atlas factícios, colecções de mapas de diversos autores, de diferentes escalas e dimensões. A uniformidade dos volumes era obtida aumentando as margens das imagens mais pequenas e aparando ou dobrando as maiores. É o caso do mapa ora adquirido. Nele existem lamentáveis amputações nas margens esquerda e direita do mapa, se comparadas com as dimensões dos exemplares conhecidos, que se poderão explicar por um excessivo corte em conjunto das folhas de um atlas, aparado e reencadernado. Embora truncada, a imagem agora integrada na Área de Cartografia da Biblioteca Nacional de Portugal, o primeiro mapa de Portugal conhecido, é um notável tesouro cartográfico a juntar à colecção existente.
(fonte: Biblioteca Nacional de Portugal)

Robert Sherman não era o diplomata-padrão do croquete e da conversa mole

0  ● 13.1.17 0



Para a maior parte de nós, Robert Sherman foi o embaixador que "viralizou" [verbo cretino] nas redes sociais a apoiar a selecção no Euro. Foi o homem que levou a Embaixada dos EUA em Portugal aos quatro cantos do país, a conhecer Portugal e a dar-se a conhecer.
Para mim foi o homem que aceitou um convite delicado da Transparência e Integridade, Associação Cívica, em Maio de 2015, para vir falar de lóbi. E veio. E falou, frontalmente, sobre a inteligência da regulação, sobre o jogo do gato e do rato entre reguladores e regulados, sobre a captura da política e sobre o financiamento partidário, sobre as boas e más lições do seu país. Percebi nesse dia que Robert Sherman não era o diplomata-padrão, do croquete e da conversa mole. Foi um amigo e um parceiro de Portugal, para que o era fácil e para o que era difícil. Farewell, Mr. Ambassador. You will be missed.

João Paulo Batalha
Director Executivo - Transparência e Integridade, Associação Cívica


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Embaixador EUA: "Portugal não precisa de esperar mais pelo rei Sebastião, ele já regressou"


"Acreditem em vocês próprios", disse o diplomata aos portugueses. No seu discurso de despedida, o diplomata norte-americano fez questão de sublinhar que os portugueses estão hoje mais optimistas do que há três anos.


"Esta foi uma grande experiência em Portugal. Foi um emprego de sonho. E foi uma grande experiência porque observei a evolução de Portugal. De um país que não acreditava em si mesmo, que não pensava que podia desempenhar um papel importante a nível mundial, para um país que está a fazer coisas importantes no campo da tecnologia, no mundo da política, como no caso do António Guterres, e também no mundo do desporto com a vitória no Euro. Daqui a uns anos vou poder dizer, 'eu estava lá quando teve lugar esta grande transformação'", disse esta sexta-feira, 13 de Janeiro em Lisboa.

No momento de despedida dos portugueses, o embaixador deixou um conselho: "Acreditem em vocês próprios, e se jogarem em equipa, podem alcançar grandes coisas, tal como a selecção fez". E também não poupou nos elogios. "Os portugueses são as pessoas mais bondosas, calorosas, e acolhedoras que eu já encontrei em qualquer lugar do mundo. E vou ter-vos no meu coração para sempre".

No seu discurso de despedida perante mais de duas centenas de cidadãos portugueses e norte-americanos, o embaixador recordou quando chegou a Portugal há mais de dois anos. "Encontrei as pessoas muito derrotadas, que me diziam 'não conseguimos fazer isto, não conseguimos fazer aquilo'. Diziam-me, 'somos um pequeno país produtor de vinho, não conseguimos exportar. Ou então, 'não conseguimos vender os nossos produtos nos Estados Unidos a não ser para os portugueses que lá vivam'. E perguntaram-me até: Onde é que estão os americanos para nos ajudar?'".

"Uma vez perguntaram-me: 'os americanos tem uma opinião negativa dos portugueses?' E eu respondi que os portugueses é que têm uma opinião negativa dos portugueses, os americanos não conhecem Portugal", afirmou.

Comparou assim esta atitude com o sebastianismo e o regresso esperado do rei desaparecido na guerra em Marrocos há mais de 400 anos."Era como se os portugueses não tivessem a capacidade para resolverem os seus problemas e precisavam de um milagre ou do regresso do jovem rei".

Constatou que "existia uma atitude de auto-comiseração. Este pessimismo estava a corroer as pessoas. E eu não percebia isso, porque é que os portugueses têm tanta falta de confiança em si próprios"

E enumerou as várias qualidades que encontrou de Portugal durante o seu mandato. "Um país com beleza, com história, boa comida, bom vinho, uma nova geração cheia de ideias, com empreendedores. E sim, também as praias e o sol, mas também a generosidade e a bondade dos portugueses".

Concluiu então que "Portugal não precisa de esperar mais pelo rei Dom Sebastião, ele já está cá".
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