Portugal Glorioso

«Inacreditável. É facílimo traficar crianças na Europa» Joana Amaral

 ● 18/01/20
Como alguns saberão adoptei um bebé de dois anos. Manda a lei que só depois de seis meses seja decretada a adopção plena. É a situação em que nos encontramos.



Sabiam que é facílimo traficar crianças na Europa? É canja. E é escandaloso.

Certamente que todos já ouviram falar sobre este crime hediondo e os supostos esforços da União Europeia para o combater. Contudo, da minha experiência, só posso dizer-vos que é tudo treta.

Como alguns saberão adoptei um bebé de dois anos. Manda a lei que só depois de seis meses da criança estar com os pais adoptivos seja decretada a adopção plena. É a situação em que nos encontramos. Ou seja, durante esta fase para viajar com o Diniz tenho que levar o seu passaporte (onde ainda constam os nomes dos pais biológicos) e um documento emitido pelo tribunal que me declara curadora do menor.

Assim, ao sair e entrar do país, os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras confirmarão que embora não seja mãe "oficial" do menino, sou sua tutora legal. Muito bem.

Sucede que este mês viajámos para Cuba via Madrid e nem uma única vez (a sair de Espanha, a entrar em Cuba, a sair de Cuba ou a entrar em Espanha ) me pediram o referido documento do tribunal.

Portanto, o Diniz tanto podia estar à minha guarda como não estar. Podia estar a ser traficado para exploração laboral, sexual, ou outra coisa qualquer que nunca nenhuma autoridade mostrou qualquer interesse.

Repito - no passaporte dele está o nome da mãe e do pai biológicos. Isto é inacreditável. Supostamente até pais divorciados têm que levar uma autorização do outro progenitor e, todavia, eu sai e entrei no Espaço Schengen com um menor que, no passaporte, não é meu filho, nem sobrinho nem coisa nenhuma, sem qualquer pergunta ou resistência.
Alô, Europa! Está aí alguém?!
Joana Amaral Dias
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«Angola está num beco sem saída» Paulo Morais

 ● 17/01/20
O povo angolano, esse, continuará na miséria, sem usufruir das riquezas que lhes pertence. Angola está num beco sem saída.


Isabel dos Santos admite ser candidata à presidência de Angola. A empresária e filha do antigo presidente José Eduardo dos Santos considera que está a ser objeto de perseguição judicial em Luanda para ser neutralizada politicamente. O Tribunal de Luanda arrestou as suas contas bancárias e as suas participações em empresas por considerar que os seus negócios prejudicaram o Estado mais de mil milhões de euros. Vitor Gonçalves entrevistou Isabel dos Santos em Londres. (RTP)

ANGOLA: UM PAÍS, DOIS ESTADOS que se digladiam, um POVO POBRE E NA MISÉRIA.

Há dois Estados em Angola. Um Estado que gira em torno da histórica Sonangol, liderado por Manuel Vicente - que inclui o Presidente João Lourenço, o governo em funções, o banqueiro Álvaro Sobrinho, os seus parceiros chineses e os governantes portugueses.

Um outro é dominado pelo ex-Presidente Eduardo dos Santos, a maioria do MPLA, a própria Isabel dos Santos e os seus amigos russos. Estes grupos irão digladiar, lutar pela supremacia no uso e abuso dos recursos naturais de Angola.

O povo angolano, esse, continuará na miséria, sem usufruir das riquezas que lhes pertence, no grupo dos países com a maior mortalidade infantil no mundo, passando fome, sem presente e - pior! - sem esperança no futuro. Angola está num beco sem saída.

Paulo de Morais
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A gestão que destrói o SNS - Testemunho de um médico, que manterei anónimo

 ● 16/01/20

Raquel Varela: «A gestão que destrói o SNS e o país»



"Hoje fui chamado à parte pelo Director de Serviço. Parece que continuo na lista vermelha de quem imprime as prescrições. Mas continuo e continuarei a fazê-lo, excepto nas doentes quase saudáveis com pouca medicação ou que tenham apreendido bem a mensagem. Sem qualquer exaltação, expliquei que já tenho uma lista de livros extra-medicina preparados e que for decidida alguma pena preferia a prisão. Com condescendência, o meu Director apenas rematou: “mas tenha cuidado, porque nos monitorizam e pode ter consequências”. Apesar de tudo fiquei contente: consegui com a minha resposta que a conversa terminasse agradavelmente e no imediato.

Recordei então que há uns meses, tinha circulado em todo o hospital uma mensagem carinhosa do Serviço de Informática, na qual eu e uns quantos colegas (de várias especialidades), tínhamos sido advertidos com uma listagem, colorida com as cores do semáforo, conforme o nosso bom comportamento na impressão de receituário. No final, vinha uma nota para explicarmos o porquê de muitos de nós figurarmos na triste percentagem correspondente ao vermelho. Felizmente, da grande maioria que se encontra neste barco, houve um sorriso.

Da parte de uma colega, seguiu ainda uma resposta, enumerando os vários porquês: doentes que não recebem a mensagem telefónica (nos recantos do hospital a rede por vezes não é a mais adequada), doentes envelhecidos, doentes com menor literacia (uma vez que a mensagem telefónica não explica a posologia, ficando os doentes à mercê de boas ou más farmácias). Mas sinceramente já acho estas explicações um esforço inglório.

Registamos assim no presente um upgrade, pela teimosia de mantermos o nosso comportamento para melhor defesa do doente, em que saltamos da interpelação dos próprios para acções via direcções de Serviço. Mascaradas de boas intenções, com promessas de ganhos em qualidade e saúde, não há na verdade uma procura de efectivas soluções, como simples acções de melhoria de redes ou aquisição de novos computadores... subsiste apenas a busca de um controlo coercivo de um comportamento, com o objectivo último e cimeiro de atingir a liderança nos “hospitais sem papel”. Quem sabe para concorrer e ganhar este ano um prémio de eficiência da tutela. Afinal não é para isso que todos trabalhamos?"
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Nota minha como investigadora: 
Este testemunho revela a introdução de métodos de gestão das fábricas automóveis nos Hospitais para vigiar e controlar os actos médicos, retirando capacidade de autonomia aos médicos; se não resistirem – como fez este médico – o caminho é a baixa auto-estima, perda de sentido do trabalho, depressão, burnout; revela a intenção de minar equipas, com o “vermelho” a ser conhecido de todos os outros, na realidade é uma mistura de perda de confiança uns nos outros, e um tipo de denúncia que configura algo como assédio moral colectivo, inculcando medo nos que não cumpram; responsabiliza o médico resistente por “consequências” para toda a unidade, ele pode ser responsável pela diminuição de financiamento, ou outras represálias por não cumprir o exigido; releva que o trabalho vivo, e real, nunca é igual ao trabalho prescrito – se este médico cumprir o que lhe foi exigido pela gestão não consegue tratar bem os seus doentes; revela enfim, politicamente, que a gestão profissional é um desastre em termos de utilização de recursos.

Na verdade revela o seguinte: o valor de uso (tratar bem um doente) é incompatível com o valor de troca (fazer os hospitais dar lucro directo ou indirecto, na famosa “contenção de custos”, que é o alimento dos juros hiper lucrativos da dívida pública – daí o remate final do médico “estamos a trabalhar para o prémio da tutela”).

Gosto sempre de citar o professor Coimbra de Matos, que muito nos tem ensinado na equipa de estudo das condições de trabalho, quando diz que “é preciso uma revolução contra a violência”, explicando que esta violência e este caos diário, a competição e a desconfiança, em vez da cooperação. minam a vida e a saúde mental dos profissionais, e a revolução – dizer não – é um tempo de empoderamento e reacção organizada das pessoas a este caos. Ele diz mais, as pessoas com saúde mental não se adaptam a maus ambientes, mudam-nos.
Raquel Varela
https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2020/01/15/a-gestao-que-destroi-o-sns-e-o-pais/


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«Foi você que pediu este orçamento?» Joana Amaral

 ● 12/01/20

Convidado especial

A esquerda queixa-se do populismo depois de o ter convidado para jantar.
Joana Amaral Dias



Foi você que pediu este orçamento? Quem se sente representado quando o maior instrumento político conserva e aumenta os privilégios dos poderosos e castiga os que menos têm?

Desde logo continuam as injecções de capital nos bancos delinquentes financeiros, desde o BES ao BPN. Sim, leu bem, os de Ricardo Salgado e de Oliveira e Costa, sendo que ambos continuam soltos por aí.

Pois, uma das maiores rubricas deste orçamento, como habitualmente, refere-se às despesas excepcionais, 7 mil milhões que passam quase sem escrutínio, mesmo que seja uma verba superior à da Justiça, por exemplo.

Também continuam as ruinosas parcerias público-privadas, uma hemorragia dos cofres públicos que este governo quer até engrossar. Enquanto isso, a electricidade continua a ser taxada como bem de luxo (não admira que ainda se morra de frio), não se vinca a progressividade do IRS nem o englobamento dos rendimentos para promover maior equidade.

Também não consta a reposição do investimento público (lá vem mais degradação do serviço nacional de saúde). Claro que para manter esta aberração nada melhor do que o défice de meios na PJ e no combate à corrupção.

Enfim, a esquerda deixou passar e amanhã estará a carpir o aumento da extrema direita. Queixa-se do populismo depois de o ter convidado para jantar.
Joana Amaral Dias
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Humilhação merecida! Marcelo abandalhou a função presidencial

 ● 10/01/20
Esta CAPA é uma humilhação para Marcelo. Humilhação merecida. (Paulo Morais)


VISAO.SAPO.PT/SOCIEDADE/2020-01-09



Esta CAPA/notícia é uma HUMILHAÇÃO para Marcelo Rebelo de Sousa. HUMILHAÇÃO merecida. Marcelo banalizou (abandalhou) a função presidencial.

Justifica (e legitima) que qualquer famoso "artista da TV ou da cassete pirata" lhe queira disputar o lugar. Pôs-se a jeito.

Paulo de Morais


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«Lobo Xavier também se dedicou à arte. Um artista, portanto!»

 ● 03/01/20

Lobo Xavier é sócio da empresa que vendeu a polémica escultura.

Este comentador e conselheiro de Estado também se dedicou à arte. Um artista, portanto!» (Paulo Morais)



A Câmara de Matosinhos já apresentou uma queixa-crime contra ato de vandalismo sobre a obra A Linha do Mar de Cabrita Reis, que custou à autarquia 300 mil euros. Artista fala em "assinatura política". (Observador)

António LOBO XAVIER é sócio da empresa ARMAZÉM 10 que, por ajuste directo, vendeu esta "obra de arte" à Câmara de Matosinhos - por ajuste directo, claro.

Para além de administrador do BPI, da Mota-Engil, advogado de negócios (e muitas outras) - este comentador e conselheiro de Estado também se dedicou à arte. Um artista, portanto!

Paulo de Morais

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«Alguma coisa de muito grave se passa no Novo Banco»

 ● 02/01/20
O que se passa, afinal, nesta instituição bancária?! (Joana Amaral Dias)



O Novo Banco sobrevive à conta de injecções de dinheiro público mas dá-se ao luxo de perdoar as dívidas ao Rei dos Cogumelos, como já tinha acontecido com a clínica Maló, entre outros. De resto, depois de já termos injectado 7 mil milhões no BES, Ricardo Salgado continua à solta. Enfim, os contribuintes financiam os delinquentes financeiros que, por sua vez, sustentam alguns delinquentes empresariais que pululam por aí.

No meio disto, o Novo Banco parece um poço sem fundo e o Governo não está nada preocupado em fechar a torneira. Antes pelo contrário e até fez questão que a respectiva auditoria fosse reduzida aos mínimos e se tornasse quase inútil.

O que se passa, afinal, nesta instituição bancária?! Vamos ficando a saber de algumas notícias a conta gotas, como o facto do património do BES ter sido vendido ao desbarato (seguradoras, hotéis, imóveis) dando lucros chorudos aos fundos abutres. Ou que umas dezenas de milhões decorrentes do processo judicial que estavam à guarda do Novo Banco desapareceram (o juiz Carlos Alexandre já ordenou a sua reposição). Vamos sabendo a espaços mas temos direito a saber tudo. Tudinho. Afinal, só agora vamos injectar nesta podridão mais 600 milhões. Certo?
- Joana Amaral Dias

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