Cuba não é uma conta de Instagram. Cuba é uma ditadura

0  ● 30.11.16 0


Repitam comigo: Fidel era um di-ta-dor


A falta de amor que este país tem à liberdade nunca cessará de me espantar. Foram demasiados os obituários e os comentários a propósito da morte de Fidel Castro que me fizeram ter vergonha do país em que vivo. Do PCP, a este respeito, ninguém espera nada. Mas receber uma newsletter da revista Visão com o título “Hasta Siempre Comandante Fidel”, certamente escrita – vamos ser optimistas – com a inconsciência própria de quem olha para Cuba como uma photo opportunity, com os seus carros anos 50, as cores garridas e os charutos, não cabe na cabeça de ninguém. Cuba não é uma conta de Instagram. Cuba é uma ditadura. Defender Fidel, romantizar Fidel, mitificar Fidel, é defender, romantizar e mitificar um ditador, que condenou milhares de pessoas à morte directa por fuzilamento e à morte indirecta por afogamento no Estreito da Flórida.


Não há meio-termo nisto. Essa conversa de que “a História o há-de julgar”, ou de que “para uns morreu um ditador, para outros um herói”, só pode dar a volta a qualquer estômago democrático. Desde quando é que Fidel Castro ser um ditador passou a questão de opinião? Fidel Castro só deixará de ser um ditador quando a definição de ditadura for alterada nos dicionários. Cuba é um regime onde todos os poderes do Estado estão concentrados num partido; esse partido não admite a oposição livre às suas ideias – “pela Revolução, tudo; contra a Revolução, nada!” –; o partido e o seu presidente possuem poder e autoridade absolutos; não existe democracia; a liberdade de circulação é limitada; existem presos políticos e houve pelotões de fuzilamento que trataram de eliminar qualquer resquício de resistência nos anos quentes da revolução. Che Guevara admitiu-o na ONU, em 1964 (há imagens): “Sim, fuzilámos, e continuaremos a fuzilar enquanto for necessário.” Se isto não é uma ditadura, é o quê?

A gente já sabe que um ditador de direita é um fascista, enquanto um ditador de esquerda é um revolucionário bem-intencionado a quem as coisas correram mal. Mas, pelo menos, digam a palavra: di-ta-dor. Com certeza que Fidel Castro pode ser considerado um ditador heróico pelos seus admiradores, e encaixar na categoria do déspota iluminado. Mas digam o raio da palavra: di-ta-dor. E admitam que estão a defender um di-ta-dor. Aquilo que não se suporta são os textos sonsos, como aquele que Francisco Louçã escreveu neste jornal, afirmando que “Fidel sai da vida como um vencedor”. Sim, Louçã admite que o senhor “manteve um regime de partido único”. Mas depois lá vem o velho “mas”, que tudo suaviza, tudo compreende, tudo desculpa: “mas”, diz Louçã, “ao contrário da história trágica da URSS, permitiu e até estimulou formas de diversidade cultural”, como os “livros de Leonardo Padura”. Bravo! Eis uma frase que poderia ser aplicada, sem tirar nem pôr, a Oliveira Salazar, ou não fosse o neorrealismo o movimento literário mais marcante do Estado Novo. Porque não começar também a elogiar Salazar ou Pinochet, que mataram menos gente e deixaram os seus países mais desenvolvidos?

Um ditador é um ditador é um ditador é um ditador. Só que Louçã nunca usa a palavra no seu texto. Tal como nunca usa uma outra: liberdade. Lamento: qualquer pessoa que defenda Fidel e o seu legado é uma pessoa capaz, em certas circunstâncias, de desprezar a democracia. Serem tantos a fazê-lo, no Portugal de 2016, é uma tristeza enorme. Mas não desesperemos. Fidel morreu a 25 de Novembro, o que só pode ser visto como um sinal dos céus.

JOÃO MIGUEL TAVARES
publico

Ninguém se lembrou dos 41 anos sobre o 25 Novembro

0  ● 27.11.16 0


O Eixo do Mal - 26 Novembro 2016 SICN

"Só para para avivar a memória: neste dia (25 Novembro), em 1975, Jaime Neves e um punhado de Comandos impediram que isto se tornasse uma Albânia do ocidente. Fica o lembrete."

Luís Pedro Nunes
Veja: «Pretensos donos do 25 Abril» (Rui Veloso)

Mil e setecentos milhões em PPP - Um poço sem fundo

0  ● 17.11.16 0



1 700 000 000 - Mil e setecentos milhões de euros em Parcerias Público Privadas ruinosas: é quanto o Estado irá pagar em 2017.

Um terço do valor do IRC (imposto sobre rendimento das empresas) irá directo para este poço sem fundo.

Com o apoio do PS (de sempre), do PSD e dos CDS (cúmplices há anos deste descalabro) e agora também do Bloco de Esquerda e do PCP. O Bloco Central de Interesses cresceu e transformou-se no BLOCO TOTAL DE INTERESSES.

Paulo Morais

As esquerdas apresentam-se cada vez mais como uma soma de sindicatos e de clientelas

0  ● 15.11.16 0




Lições da América



Há uma espécie de concurso entre as elites europeias e americanas de esquerda: quem insulta mais Donald Trump? Quem consegue escolher os epítetos mais violentos? Racista, boçal, cretino, sexista, corrupto, inculto e xenófobo estão entre os mais utilizados. Isto para além das classificações brandas de fascista e populista.

No entanto, o problema não é o de qualificar Trump nem de sublinhar a sua incultura e a sua falta de sofisticação. O problema consiste em saber por que razão foi eleito. Contra a opinião sondada e publicada, este senhor foi escolhido por 60 milhões de americanos que, creio, não são todos racistas, machistas, bandidos, milionários, fascistas e corruptos. E, se fossem, a questão era ainda mais difícil: como é possível que houvesse tantos assim?

O problema não é o de classificar os defeitos de Trump e seus apoiantes nem de mostrar como são violentos, intolerantes, xenófobos e déspotas. O problema é o de saber por que razões perderam os virtuosos, os democratas, os liberais, os intelectuais, os jornalistas e os artistas. O problema é o de saber por que razão os pobres, os desempregados e os marginalizados não votaram em quem deveriam votar, isto é, em quem pensa que a solidariedade, a segurança social, o emprego e a igualdade são exclusivos dos democratas e das esquerdas.

As esquerdas em geral, incluindo artistas, intelectuais, jornalistas, liberais americanos e progressistas europeus, não suportam não ter percebido nem ter previsto o que aconteceu. Como não admitem que são, tantas vezes, responsáveis pelas derivas políticas dos seus países.

Já correm pelo mundo explicações fabulosas sobre estas eleições. As mais hilariantes são duas. Uma diz que, além dos machistas e dos racistas, votaram em Trump os analfabetos, os desesperados, os marginalizados pelo progresso, os desempregados e os supersticiosos. A outra diz que o fiasco das sondagens, dos estudos de opinião e dos jornalistas se deve ao facto de os reaccionários terem vergonha de dizer em quem votariam! Por outras palavras: quem não presta votou em Trump; e quem votou em Trump enganou-nos!

Tal como os democratas em geral, as esquerdas atribuem sempre as culpas das suas derrotas aos defeitos dos outros, da extrema-direita, dos ricos, dos padres, dos fascistas, dos proprietários, dos patrões, dos corruptos e agora dos populistas. Não pensam que os culpados são ou também são eles, os democratas, ou elas próprias, as esquerdas. Raramente se dão conta de uma verdade velha, com dezenas de anos, mas sempre esquecida: as democracias não caem por serem atacadas, não são derrubadas pelos seus inimigos, caem por sua própria responsabilidade, porque enfraquecem, porque se dividem, porque perdem tempo e energias com quezílias idiotas e porque deixam que o sistema político perca de vista as populações. Também, finalmente, porque acreditam nas suas virtudes, porque confiam na sua racionalidade e porque consideram que têm o exclusivo da bondade e da compaixão.

As esquerdas (nas suas versões americana e europeia) apresentam-se cada vez mais como uma soma de sindicatos e de clientelas: mulheres, negros, operários da indústria, desempregados, pensionistas, homossexuais, artistas, intelectuais, imigrantes, latinos ou muçulmanos. Todas as minorias imagináveis, incluindo as mulheres que o não são. Às vezes, resulta. Mas acaba sempre por não resultar. As esquerdas abandonaram as ideias e os direitos universais dos cidadãos e valorizam as suas circunstâncias étnicas, sociais ou sexuais. Como também abandonaram a capacidade de pensar a identidade nacional, entidade ainda hoje vigorosa e reduto de referências pessoais e culturais.

Acima de tudo, a arrogância e a superioridade moral, cultural e política das esquerdas têm destes resultados: afastam-nas do povo e favorecem os inimigos da democracia.
DN

«O ministro Vieira da Silva fez figura bem triste»

0  ● 14.11.16 0




O marroquino detido esta semana em França, por suspeitas de estar a preparar um atentado terrorista, recebeu um subsídio do Estado, que no último ano rondou os 250 euros mensais.

De acordo com o JN, para conseguir entrar em Portugal, o cidadão marroquino terá alegado que era perseguido no seu país por integrar o Movimento 20 de Fevereiro, grupo inspirado nas revoltas árabes e contestatário do regime de Marrocos.

El Hanafi estava sinalizado e a ser vigiado pela Unidade Nacional de Contraterrorismo desde 2015. O ministro da Segurança Social defendeu-se das críticas recorrendo à ironia para dizer que ninguém avisa a Segurança Social de que é um terrorista.

André Ventura, ontem na CMTV, criticou Vieira da Silva dizendo que "o ministro em vez da figura triste que fez, deveria era mostrar publicamente o processo que levou este homem a estar em Portugal durante meses e a receber até prestações sociais do Estado,

Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós

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Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicação social




É amarga, mas justa, a lição que Donald Trump acabou de nos dar.


Trump ganhou. Nós perdemos. Por nós quero eu dizer os meios de comunicação social dos EUA e da Europa. Segundo as histórias que nós contámos aos leitores e uns aos outros o que acaba de acontecer era impossível.

As nossas sondagens e opiniões – incluindo as minhas – não só se enganaram redondamente como contribuiram para criar um perigoso unanimismo que fez correr uma cortina de fumo digno dos propagandistas oficiais dos estados totalitários.

Eu leio todas as semanas duas revistas conservadoras americanas – The Weekly Standard e National Review. Leio todos os dias o igualmente pro-Republicano Wall Street Journal. Em nenhum deles fui avisado que Trump poderia ganhar.

Sinto-me vítima de uma conspiração – não da parte de Trump mas da parte dos media. Aquilo que aconteceu não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária a favor de Hillary Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram.

Donald Trump foi sujeito à maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vi na minha vida. Todos as principais publicações alinharam entusiasticamente. Sem recorrer a sites de extrema-direita o único site que defendia Trump foi o extraordinário Drudge Report. Foi só através dele que comecei a achar – e aqui vim dizer – que o eleitorado reage sempre mal às ordens paternalistas dadas por uma unanimidade de comentadores, jornalistas e celebridades.

A eleição de Donald Trump foi um triunfo da democracia e uma derrota profunda dos meios de comunicação social.

Claro que Trump não é nenhum outsider. É um bilionário que sempre fez parte da ordem estabelecida, da elite que dá as ordens e manda na economia dos EUA. É um amigo de Hillary e Bill Clinton que só se tornou ex-amigo porque lhe deu na gana ser presidente dos EUA.

Agora é. Conseguiu o que queria. Há-de voltar as costas ao eleitorado que o elegeu logo que perceba que a única coisa que esse eleitorado tinha para lhe dar já foi dado: os votos de que ele precisava para ser eleito.

Já fez o elogio de Hillary Clinton. Já disse que vai representar todos os americanos. Vai-se tornar lentamente um republicano moderado e liberal. Os oportunistas têm sempre essa vantagem da metamorfose.

Trump ganhou contra grande parte do Partido Republicano mas foi graças a ele que o Partido Republicano manteve a maioria no Senado e no Congresso. Se Trump fosse o populista aventureiro que finge ser aproveitaria para minar o sistema político vigente, tirando partido do poder político pessoal que agora tem.

Mas não fará nada disso. O Partido Republicano tem agora tudo na mão.

Trump presidirá à complacência do poder político instalado, do poder recuperado das mãos de Obama. O velho sistema político será reforçado e os beneficiários serão os de sempre: os que menos precisam.

E os media? Que vamos nós fazer? Continuar em campanha? Continuar a enganarmo-nos e a enganar quem nos lê?

Mostrarmo-nos surpreendidos e atónitos não chega. Só revela o mau trabalho que fizemos. Dizer que foi um choque, que ninguém estava à espera só aponta para o mundo ilusório onde reside a nossa própria zona de conforto.

Não é Trump que tem de dar uma reviravolta. Somos nós. Trump ganhou porque foi eleito. Nós perdemos porque fomos derrotados pelos nossos próprios preconceitos e pelo excesso de zelo com que perseguimos a vitória de Hillary Clinton.

É um dia feliz para Donald Trump e para a maioria que o elegeu. Para nós é um dia triste e, do ponto de vista profissional, pelo menos para mim, vergonhoso.
fonte:http://www.publico.pt/

Il Divo - Hallelujah/Aleluia (Legendado em português)

0  ● 11.11.16 0

"Há uma fenda em tudo, é assim que a luz entra". (Leonard Cohen).
Morreu Leonard Cohen. Músico e compositor canadiano tinha 82 anos.





Il Divo - Hallelujah
Composição: Leonard Cohen.