«A maioria dos comentadores políticos são agentes partidários» Joana Amaral

A função de um analista ou comentador é ter opinião própria e informada, pensamento crítico. Um livre pensador...


A maioria dos comentadores políticos são agentes partidários Joana Amaral


A função de um analista ou comentador é ter opinião própria e informada, pensamento crítico. O seu lugar é ser um livre pensador e, formando uma perspectiva original e fundada, cativar outros, marcar o espaço público. Opinion maker.


Neste perfil, o erro é tolerado - espera-se que o comentador não falhe sistematicamente, mas, não sendo tanto a sua capacidade preditiva que está em causa, mas sim o tal prisma arguto, a ideia de erro nem se coloca ou o erro ocasional pode ser acomodado.


Sucede que em Portugal, de um jornalismo anémico, país campeão das portas giratórias, dos reguladores fracos, no seguimento da promiscuidade que sucede em diversos sectores, a maioria dos comentadores políticos são meros agentes partidários, frequentemente até eleitos (como presidentes de câmara ou deputados), o que, a priori, logo leva a ablação dessa análise livre e o enreda em dogmas, ensimesmamentos e distorções.


Claro que em contexto eleitoral, essas palas são ainda mais castradoras. Mas se já havia este engulho no singular panorama de comentário nacional, o advento das sondagens, a sua centralidade e, agora, o ritmo diário, levaram a que muitos analistas passassem de fazedores de opinião a seguidores de opinião, acantonado-se em mera caixa de ressonância e eco dessas percentagens.


Subjugam-se e matam a sua essência, a capacidade crítica. Passaram então a ser seguidores de opinião e não fazedores de opinião, perderam o seu próprio princípio activo.


Além disso, com esta deformação já não pode, naturalmente, existir a mesma tolerância ao erro, posto que não sendo capaz de problematizar o presente, a aptidão de prever é tudo o que sobra a esse tipo comum de comentário político.


O oco e a falha calamitosa a que assistimos nestas legislativas no que a esta área diz respeito, o famoso empate técnico, foi só mais um episódio. Mais uma parte do retrato deste nosso portugalinho atardado.


Joana Amaral Dias
https://www.facebook.com/joanamaraldias/posts/527522238732348

1 comentário

  1. Além disso, com esta deformação já não pode, naturalmente, existir a mesma tolerância ao erro, posto que não sendo capaz de problematizar o presente, a aptidão de prever é tudo o que sobra a esse tipo comum de comentário político.

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