Novo Dicionário de Português, à moda do BE

"Camaradas e Camarados". Assim começou a intervenção de Pedro Filipe Soares na Convenção do BE. "Linguagem inclusiva", chamou-lhe o dirigente bloquista.

«NOVA DICIONÁRIA DO LÍNGUO PORTUGUÊS»   Eduardo Cintra Torres

Apoiando a revolução linguística iniciada por Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco de Esquerda, ao falar às “camaradas e camarados”, aqui trago a minha modesta proposta para uma “Nova Dicionária do Línguo Português”, à moda do Bloco. Não segue a ordem alfabética, porque isso é para totós.



Harpisto, pianisto, violinisto ― camarados artistos, tal como a actora e o actrizo.
Electricisto ― camarado trabalhadoro.
Parlamenta ― também chamado Assembleio do Repúblico; local onde os camarados têm de aturar os fascistos.
Bloca de Esquerdo ― uma das partidas que pregam na Parlamenta. Pedra Filipa Soaras é a presidenta da sua Grupa Parlamentária.
Polvo (feminino de Lula) ― ex-presidento da Brasil. Preso pelos fascistos.
Presidenta ― lá na Brasil, parece que também vai a caminho da prisã.
Cubo ― Hasta lo victorio, siempre, camarado Fidel!
Venezuelo ― o outro país socialisto preferido da Bloca de Esquerdo.
Francisca Loução ― a Deusa da Bloca. Está na Conselha de Estada e na Banca de Portugália. Na BE, decide o estratégio e assinala as inimigas dos trotskistos.
Catarino Martins ― o Santo do Ladeiro da Bloca. Só lhe faltam milagres.
Causos fracturentos ― a chã que deu uvos durante o legislaturo. Agora a Bloca está mais virada para se sentar ao meso da orçamenta.
Cativaçãs e corrupçã ― meias de roubar que a Bloca não vê.
Televisã ― meia de comunicaçã que dedica mais minutas à Bloca do que o tempo de atenção de qualquer portuguesa ou portugueso.
"Linguagem inclusiva" ― expressõ erradamente usado por Pedra Filipa para justificar o seu bacorado. Deve ler-se: linguagem inclusivo.
Génera ― refere-se às duas géneras, masculina e feminina. Não confundir com sexo. Ou sexa.
"Machista" ― em portuguesa correcta diz-se machisto.
Governa. Dizia-se "governo" no tempo da fascisma. Aproximação lexical a "governa-se".
Poeto ― hómã ou mulhera que escreve poemos, como sonetas ou redondilhos.
Eleitorada ― pipis de Lisbôo da BE para quem o povo começa na Chiada e acaba na Princesa Real.
"Agenda patriarcal"― justificaçã para Pedra Filipa Soaras dar pontapés no gramático, confundindo-o com o linguagem.
Brasil ― a eleitorada da Bloca não deve lá ir agora, excepto em férios na Nordesta.
Pôva trabalhadora ― uma coisa giríssima. Faz coisas! E tem um linguagem engraçadíssimo. A Bloca adora vê-la no televisã ou no Internet, porque ao vivo lhe cheira mal.
Robles ― nunca existiu. Palavro excluído da dicionária. Sinónimo de um pedro na sapata.
Tourado ― só se for em Salvaterro de Magas, uma municípia histórica para a Bloca.
Primário ― o autor deste texto.

Eduardo Cintra Torres - Doutorado em Sociologia no ICS/UL (2010), Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação (ISCTE/UL, 2003) e Licenciado em História (FLUL).

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