Um dia triste para o Estado Social e o mundo sindical

Um dia triste para o Estado Social e o mundo sindical

 ● 20/01/19
Que seja um Governo, apoiado pela esquerda, a inaugurar a requisição civil e derrotá-los pela força é uma desgraça, para todos os que em Portugal vivem do trabalho.
(Raquel Varela)

Um dia triste para o Estado Social e o mundo sindical




Em 2017 o Tribunal de Contas publicava um relatório onde concluía que tinham aumentado a listas de espera e o tempo médio a aguardar por cirurgia. Não havia qualquer greve. Em dez anos a Banca portuguesa directa e na dívida pública engoliu mais de 50 mil milhões de euros, mais de 30% do PIB. 5 serviços nacionais de saúde. Nunca houve uma requisição civil para evitar esta catástrofe. Nunca houve uma expropriação sem indemnização.

Apesar de terem uma direcção sindical inábil e uma Ordem politicamente comprometida com a Direita, os enfermeiros foram a categoria que foi mais longe em Portugal medindo forças dizendo que os dinheiros públicos devem ser para pagar bem a funcionários dos serviços públicos. Que seja um Governo, apoiado pela esquerda, a inaugurar a requisição civil e derrotá-los pela força é uma desgraça, para todos os que em Portugal vivem do trabalho. Não foram os enfermeiros que foram derrotados, fomos todos nós que acreditamos no Estado Social. Lamento que o ódio e a fogueira em que foram queimados, os nossos cuidadores, nunca tenha, nem de perto nem de longe, caído sobre os criminosos que geriram as contas publicas em décadas. A rigor é cobardia. A cobardia de aplaudir o Estado forte com os fracos. E considerar um dado adquirido, «inevitável», que ele seja fraco com os fortes.

Deixo aos enfermeiros um conselho, sábio, que não é meu, mas de todos os que me antecederam - numa greve a direcção política é tudo, a greve foi justa, o método certíssimo, o fundo correcto. Falhou a direcção política, uma greve destas exige uma direcção sindical perfeita, que não pode cometer um erro, um só - um dia conto-vos o que é isso da perfeição da direcção, que não é uma quimera mas uma realidade em muitos casos...

António Costa, o meu último conselho é para si - não se vence com a força trabalhadores. Força de lei é um eufemismo para derrota e humilhação. Assim não se gere nada, muito menos uma equipa hospitalar. Dentro de cada bloco operatório estarão homens e mulheres derrotados pela força. As consequências disso medem-se a partir de agora em absentismo, imigração, saída do SNS, burnout, adoecimento, erro, acidente...
Raquel Varela (facebook)

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