«Portuguesas e Portugueses» é uma estupidez!

"Portuguesas e portugueses" é uma estupidez, uma piroseira e uma redundância que fede a um machismo ignorante.

«Portuguesas e Portugueses» é uma estupidez
Miguel Esteves Cardoso [fonte: Publico]
https://www.publico.pt/2016/02/12/sociedade/opiniao/calemse-1723007

Calem-se !

Cada vez que alguém, prestes a dirigir-se à população, arranca com "portuguesas e portugueses" dou comigo a gritar um grito fininho que me dá cabo dos ouvidos.

Cerro os punhos e rosno quando são machos com aquela condescendência oitocentista de dizer "portugueses e portuguesas" com a entoação de quem se orgulha em mostrar que se é moderno ao ponto de não se esquecer das mulheres. Diz aquele sorriso meio-engatatão, meio-paternal: "Ah pois! Eu faço questão de incluir o mulherio!"

Vamos lá por partes. Somos todos portugueses. Todos nós, seja de que sexo ou de que sexualidade formos, somos portugueses. Somos o povo português ou a população ou a nação portuguesa.

Como somos todos portugueses quando alguém fala em "portugueses e portuguesas" está a falar duas vezes das mulheres portuguesas. As mulheres estão obviamente incluídas nos portugueses. 

Mas, ao falar singularmente das portuguesas, está-se propositadamente a excluir os homens, como se as mulheres fossem portugueses de primeiro (ou de segundo, tanto faz) grau.

Somos todos seres humanos. As mulheres não são seres humanas. Quando se fala na língua portuguesa não se está a pensar apenas na língua que falam as portuguesas. É a língua dos portugueses e doutros povos menos idiotas.

"Portuguesas e portugueses" não é apenas um erro e um pleonasmo: é uma estupidez, uma piroseira e uma redundância que fede a um machismo ignorante e desconfortavelmente satisfeitinho.

Somos todos portugueses e basta.

Veja! Ricardo Araújo Pereira goza com o Bloco - Ninguém leva a sério alguém que fale assim: "portugueses e portuguesas, estamos aqui reunidos e reunidas, porque estamos todos e todas preocupados e preocupadas com os desempregados e as desempregadas".

3 comentários

  1. Dores Leite Costa7/4/22 19:40

    Um dia destes ainda vamos ouvir os tais inteligentes analfabetos proclamar: portugueses e portuguesas de ambos os sexos.

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  2. Também penso o mesmo! Tanta condescendência para se fazerem passar por anjinhos, santinhos, correctinhos e outras coisas terminadas em inhos, como, parolinhos, etc.! Chateia-me toda esta parolice, que vai aparecendo ao longo das décadas, em que algumas pessoas, para mostrarem que sao

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  3. Continuação (por motivo de erro)
    ... em que algumas pessoas, para mostrarem que são "fixes", inventam a torto e a direito; um exemplo actual (um de muitos): agora KIEV "mudou de nome" para Kyiv... porque será que, em contexto de guerra, os jornalistas referem-se à capital da Ucrânia pelo seu nome em ucraniano? No próximo ano, aquando da votação das canções do Festival da Canção Eurovisão, não se vai dizer: agora a votação do júri da Ucrânia, directamente de Kiev, nas sim, directamente de Kyiv! Ridículo, absurdo, malsonante e parolo! Para quê? Ora!
    José Ramos

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